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O
preção das
lambretinhas
Você gastaria 32 500 reais para
andar numa motinha?
Muita
gente está fazendo isso
Joana
Calmon
Divulgação
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A Atlantic, da Aprilia: CD-player
e freios ABS |
Quando
surgiram no Brasil, na década de 80, as scooters, aquelas motos
inspiradas nas antigas lambretas, eram modestas no acabamento e na velocidade.
Tinham visual despojado e atingiam a velocidade máxima de 60 quilômetros
por hora. Acabaram fazendo tanto sucesso que o negócio se sofisticou.
Boa parte dos modelos que estão chegando ao mercado em nada lembra
suas limitadas antecessoras. Uma das novidades é a Atlantic 500,
da fábrica italiana Aprilia. Empurrada por um motor de 460 cilindradas,
ela pode atingir 150 quilômetros por hora. Vem com bancos ergonômicos
e opcionais como CD-player e sistema de freios ABS. O modelo deve ser
vendido a partir das próximas semanas nos países europeus,
por um valor próximo a 18.000 reais. Não há previsão
de chegada ao Brasil. Por aqui, o grande sonho de consumo é a Burgman
400, da Suzuki. Equipada com um potente motor de quatro tempos, ela custa
20.000 reais. Para quem acha um absurdo, é bom saber que existem
modelos ainda mais caros. A BMW fabrica a C1, com teto (sim, isso mesmo),
cinto de segurança e pára-brisa. Preço da brincadeira:
32.500 reais.
Uma das coisas que não mudaram no universo das lambretas é
o fascínio exercido por esses veículos nos jovens. Eles
preservaram certo ar de rebeldia que os acompanha desde a década
de 50, quando astros como James Dean guiavam modelos desse tipo. Por fim,
há o conforto, um quesito em que as lambretas sempre foram imbatíveis.
Os fabricantes dos novos modelos realçaram essa característica
com bancos maiores e encostos especiais para a garupa. Por causa da comodidade,
as mulheres totalizam hoje 30% do público desse veículo
uma marca impressionante, pois o universo das motos sempre foi,
eminentemente, masculino. As scooters já representam cerca de 50%
dos veículos sobre duas rodas que circulam na Europa e na Ásia.
Nos Estados Unidos, começam a chegar com mais força ao mercado
agora. No Brasil, foram vendidas no ano passado mais de 100.000 unidades.
Os fabricantes reclamam que o negócio só não é
melhor em virtude da legislação, que proíbe os menores
de dirigir essas motocicletas. Diga-se de passagem, a decisão é
bastante sensata.
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