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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
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Bons de emprego

A formação de profissionais no Senai e
no Senac cresce no ritmo da globalização

Nahara Bauchwitz


Divulgação
Rogério Reis
Hotel-escola do Senac e aprendiz do Senai: como na vida real

O breviário da economia moderna reza que o trabalhador tem de ser tecnologicamente preparado para se manter empregado num cenário de alta competitividade. Milhões de profissionais brasileiros praticam essa regra há décadas, nos cursos de especialização mantidos pelos serviços nacionais de aprendizagem comercial e industrial. O Senac e o Senai, as siglas que identificam as imensas redes de formação profissional espalhadas no Brasil desde os anos 40, formam 4,5 milhões de pessoas por ano, em cursos que vão do aperfeiçoamento de cabeleireiros ao mundo da mecatrônica, que envolve a operação de equipamentos mecânicos dotados de inteligência artificial. As universidades entregam ao mercado de trabalho 300 000 profissionais. Nessas duas entidades, há cursos para quem não completou o ensino fundamental, como o de marceneiro, e opções de nível superior e pós-graduação, como tecnologia em gastronomia, no Senac, e engenharia industrial têxtil, no Senai. A maioria dos matriculados, porém, está em cursos de capacitação imediata – e cerca de 70% deles se empregam logo que terminam o estudo. Entre 1996 e 2000, as matrículas no Senai aumentaram quase 60%. O Senac tinha 519 unidades em 1991. Hoje tem 709.


"Isso é reflexo de um mercado que exige formação técnica atualizada", diz Celso Ferretti, pesquisador da Fundação Carlos Chagas. Com 61 milhões de estudantes diplomados, as duas entidades têm sido um passaporte para a ascensão social. O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva, é um ex-torneiro mecânico diplomado pelo Senai. Parte da classe média também freqüentou os bancos das instituições. O ex-piloto Nelson Piquet foi aluno do Senai. O jornalista William Bonner, da Rede Globo, estudou no Senac. Há cursos gratuitos, para jovens aprendizes, outros cuja mensalidade pode chegar a 650 reais, como o bacharelado em hotelaria, e muitos com os custos cobertos pelos empregadores. Todo o aprendizado se baseia na representação fiel do ambiente de trabalho. No caso mais sofisticado, o Senac mantém hotéis-escola. "Mesmo com 25% a mais de funcionários, por causa dos instrutores, eles dão lucro", conta Luiz Gonzaga Godoi Trigo, gerente da área no Senac em São Paulo.

A sustentação dessas máquinas vem de contribuição compulsória. A lei que as criou determinou o recolhimento de 1% das folhas de pagamento das empresas, via INSS, para manter as instituições. Os serviços sociais, Sesi e Sesc, também são mantidos assim, com alíquota de 1,5%. Senai e Senac dispõem de 800 milhões de reais por ano para ampliação de seus programas – o equivalente a 5% do orçamento do Ministério da Educação. Não são poucos os economistas que jogam essa conta no chamado custo Brasil, o pacote de impostos e contribuições que faz encarecer a produção. Para o economista José Pastore, da Universidade de São Paulo, isso é um equívoco. "Sem a contribuição compulsória, o empresário que não investisse em capacitação acabaria roubando profissionais formados pelos concorrentes", raciocina Pastore. "Como todos contribuem, diluem-se custos e igualam-se as condições de disputa dos profissionais." Para os estudantes de Vilhena, em Rondônia, onde o ensino do Senai chega montado numa carreta, a questão é mais simples. Trata-se apenas da oportunidade de se profissionalizar.

 
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  Entrevista com o pesquisador Celso Ferreti sobre os cursos profissionalizantes


   
 
   
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