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Bons
de emprego
A formação de profissionais no Senai e
no Senac cresce no ritmo da globalização
Nahara
Bauchwitz
Divulgação
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Rogério Reis
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Hotel-escola do Senac e aprendiz do Senai: como na vida real
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O breviário
da economia moderna reza que o trabalhador tem de ser tecnologicamente
preparado para se manter empregado num cenário de alta competitividade.
Milhões de profissionais brasileiros praticam essa regra há
décadas, nos cursos de especialização mantidos pelos
serviços nacionais de aprendizagem comercial e industrial. O Senac
e o Senai, as siglas que identificam as imensas redes de formação
profissional espalhadas no Brasil desde os anos 40, formam 4,5 milhões
de pessoas por ano, em cursos que vão do aperfeiçoamento
de cabeleireiros ao mundo da mecatrônica, que envolve a operação
de equipamentos mecânicos dotados de inteligência artificial.
As universidades entregam ao mercado de trabalho 300 000 profissionais.
Nessas duas entidades, há cursos para quem não completou
o ensino fundamental, como o de marceneiro, e opções de
nível superior e pós-graduação, como tecnologia
em gastronomia, no Senac, e engenharia industrial têxtil, no Senai.
A maioria dos matriculados, porém, está em cursos de capacitação
imediata e cerca de 70% deles se empregam logo que terminam o estudo.
Entre 1996 e 2000, as matrículas no Senai aumentaram quase 60%.
O Senac tinha 519 unidades em 1991. Hoje tem 709.
"Isso
é reflexo de um mercado que exige formação técnica
atualizada", diz Celso Ferretti, pesquisador da Fundação
Carlos Chagas. Com 61 milhões de estudantes diplomados, as duas
entidades têm sido um passaporte para a ascensão social.
O presidente de honra do PT, Luís Inácio Lula da Silva,
é um ex-torneiro mecânico diplomado pelo Senai. Parte da
classe média também freqüentou os bancos das instituições.
O ex-piloto Nelson Piquet foi aluno do Senai. O jornalista William Bonner,
da Rede Globo, estudou no Senac. Há cursos gratuitos, para jovens
aprendizes, outros cuja mensalidade pode chegar a 650 reais, como o bacharelado
em hotelaria, e muitos com os custos cobertos pelos empregadores. Todo
o aprendizado se baseia na representação fiel do ambiente
de trabalho. No caso mais sofisticado, o Senac mantém hotéis-escola.
"Mesmo com 25% a mais de funcionários, por causa dos instrutores,
eles dão lucro", conta Luiz Gonzaga Godoi Trigo, gerente da área
no Senac em São Paulo.
A sustentação
dessas máquinas vem de contribuição compulsória.
A lei que as criou determinou o recolhimento de 1% das folhas de pagamento
das empresas, via INSS, para manter as instituições. Os
serviços sociais, Sesi e Sesc, também são mantidos
assim, com alíquota de 1,5%. Senai e Senac dispõem de 800
milhões de reais por ano para ampliação de seus programas
o equivalente a 5% do orçamento do Ministério da
Educação. Não são poucos os economistas que
jogam essa conta no chamado custo Brasil, o pacote de impostos e contribuições
que faz encarecer a produção. Para o economista José
Pastore, da Universidade de São Paulo, isso é um equívoco.
"Sem a contribuição compulsória, o empresário
que não investisse em capacitação acabaria roubando
profissionais formados pelos concorrentes", raciocina Pastore. "Como todos
contribuem, diluem-se custos e igualam-se as condições de
disputa dos profissionais." Para os estudantes de Vilhena, em Rondônia,
onde o ensino do Senai chega montado numa carreta, a questão é
mais simples. Trata-se apenas da oportunidade de se profissionalizar.

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