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Kissinger
e Blair
num único dia
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Antonio Milena

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| Salgado:
na melhor tradição das grandes entrevistas de VEJA |
As entrevistas das páginas amarelas com personagens de primeira
grandeza no mundo político, nas artes, na ciência e em outros
campos são uma das tradições que VEJA mantém
intactas há três décadas. Desde que começou
a colaborar com VEJA, há três anos, Eduardo Salgado, subeditor
de Internacional, conseguiu conversar com personalidades cuja atenção
é cobiçada pela imprensa mundial. Foi de Salgado a entrevista
em que, em 1998, o cientista inglês Ian Wilmut, o criador de Dolly,
a primeira ovelha clonada, alertava para os perigos de se tentar a mesma
experiência com seres humanos. No ano passado, enquanto ferviam
nas ruas as tensões dos militantes antiglobalização,
ele sentou-se diante de Mike Moore, o chefão da Organização
Mundial do Comércio, e ouviu dele uma palavra de ordem que bem
poderia ter vindo das barricadas: "Abaixo as barreiras comerciais".
Na semana passada, Salgado bateu um recorde nesse campo. Na manhã
de terça-feira, ele falou por telefone com Henry Kissinger, um
dos secretários de Estado americanos mais influentes do século
XX. Durante 45 minutos Kissinger, com seu sotaque de imigrante alemão
ainda aflorando entre as frases bem construídas em inglês,
não se furtou a comentar os processos que começam a ser
montados contra ele em tribunais internacionais por suposta conivência
com crimes praticados por governos militares no passado. No mesmo dia,
Salgado já estava em Foz do Iguaçu entrevistando o primeiro-ministro
inglês, Tony Blair. Havia dois meses, o jornalista insistia com
as autoridades britânicas para estar com Blair frente a frente.
"Ele foi simpático", diz Salgado. "Até se ofereceu para
segurar o gravador para mim." Como Tony Blair esteve em visita ao Brasil
na semana passada, gerando enorme interesse em torno das declarações
que fez sobre o Brasil e o protecionismo europeu, ele foi o escolhido
para abrir a revista desta semana, com sua entrevista nas páginas
amarelas.
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