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Edição 1 712 - 8 de agosto de 2001
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Kissinger e Blair
num único dia

Antonio Milena

Salgado: na melhor tradição das grandes entrevistas de VEJA


As entrevistas das páginas amarelas com personagens de primeira grandeza no mundo político, nas artes, na ciência e em outros campos são uma das tradições que VEJA mantém intactas há três décadas. Desde que começou a colaborar com VEJA, há três anos, Eduardo Salgado, subeditor de Internacional, conseguiu conversar com personalidades cuja atenção é cobiçada pela imprensa mundial. Foi de Salgado a entrevista em que, em 1998, o cientista inglês Ian Wilmut, o criador de Dolly, a primeira ovelha clonada, alertava para os perigos de se tentar a mesma experiência com seres humanos. No ano passado, enquanto ferviam nas ruas as tensões dos militantes antiglobalização, ele sentou-se diante de Mike Moore, o chefão da Organização Mundial do Comércio, e ouviu dele uma palavra de ordem que bem poderia ter vindo das barricadas: "Abaixo as barreiras comerciais".

Na semana passada, Salgado bateu um recorde nesse campo. Na manhã de terça-feira, ele falou por telefone com Henry Kissinger, um dos secretários de Estado americanos mais influentes do século XX. Durante 45 minutos Kissinger, com seu sotaque de imigrante alemão ainda aflorando entre as frases bem construídas em inglês, não se furtou a comentar os processos que começam a ser montados contra ele em tribunais internacionais por suposta conivência com crimes praticados por governos militares no passado. No mesmo dia, Salgado já estava em Foz do Iguaçu entrevistando o primeiro-ministro inglês, Tony Blair. Havia dois meses, o jornalista insistia com as autoridades britânicas para estar com Blair frente a frente. "Ele foi simpático", diz Salgado. "Até se ofereceu para segurar o gravador para mim." Como Tony Blair esteve em visita ao Brasil na semana passada, gerando enorme interesse em torno das declarações que fez sobre o Brasil e o protecionismo europeu, ele foi o escolhido para abrir a revista desta semana, com sua entrevista nas páginas amarelas.



 
 
   
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