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Michael Jackson "Nenhum ícone
da música aglutinou tantos talentos em uma só personalidade como
Michael Jackson: compositor, cantor, coreógrafo, dançarino. Jackson
se confunde com o próprio conceito do que é a cultura pop. Insuperável
e insubstituível."
VEJA
consegue se superar uma vez mais. A capa da edição da última
semana é antológica. Nenhuma revista do mundo (até agora)
conseguiu sintetizar o que foi Michael Jackson de forma tão sublime. Os
diamantes e o ouro refletem o que representou o astro para o universo musical.
A ausência do ídolo numa foto em fundo preto, além de denotar
o intrigante recolhimento em que viveu, mostra o luto e a falta que fará
para o seu meio. Particularmente, eu não gostava de Michael Jackson, mas,
como gosto de VEJA, de design e de bom gosto, aplaudo o autor da capa. Magistral! Não é
uma capa, é um monumento! Acho que a maioria das pessoas conhece Michael Jackson como
um cara bizarro que fez inúmeras plásticas, andava com o rosto coberto
e vivia escondendo os filhos. O astro decadente envolvido em escândalos
de pedofilia. Mas poucos sabem o gênio musical que ele foi. O maior fenômeno
musical desde Elvis e os Beatles. Foi-se
um dos últimos grandes nomes da música mundial. Só nos restam
celebridades de segunda categoria e músicas de gosto duvidoso. Não
é à toa que os CDs mais vendidos da atualidade são de artistas
mortos. O
menino-homem que tentou recuperar a infância perdida, tornando-se um homem-menino,
não podia mais ficar neste mundo. A qualquer momento ele poderia encontrar-se
com a face da velhice, o que tanto temia. Quando Elis se foi, alguém disse que um ídolo
como ela nunca morre, fica eterno junto à lembrança de cada acontecimento
de nossa vida que foi embalado e embelezado por sua voz. Eu discordo. Hoje, choro
a morte de Michael, esse menino que, embora um ano mais novo que eu, nunca cresceu.
Uma personalidade frágil como uma avenca ao vento. Sinto que morro um pouco
com ele. O
luto mundial é inevitável. Apesar de inúmeras turbulências em sua vida, fica registrado
o profissional que ele era, obstinado na perfeição daquilo que fazia,
precursor de tendências. Há o antes e o depois de Michael Jackson. Esperamos que
a celeuma provocada pela morte do ídolo pop Michael Jackson alerte para
o problema do mau uso dos medicamentos e da automedicação. Michael Jackson subia aos palcos
e apresentava sua genialidade e perfeição. Já nos bastidores,
víamos espantados sua assustadora transformação. Que sua
melhor e verdadeira face reine agora, e que suas músicas brilhem para sempre. São louváveis
as homenagens prestadas ao cantor pop Michael Jackson. O que não podemos
esquecer é das acusações de abuso sexual que pesaram contra
ele. Ou algum insensato teria coragem de abrir uma escola infantil com o nome
"Educandário Michael Jackson"?
Senado em crise Quando criança, perguntei
ao meu pai o porquê de ele cortar o abacaxi em fatias, e não em rodelas.
Ele respondeu que era para que quem comesse o lado doce também tivesse
de comer da parte mais azeda. O Senado Federal corta o abacaxi em rodelas e distribui
a parte doce entre seus apadrinhados. Os assessores, que sabem de tudo e poderiam
denunciar, ficam com as sobras das hienas e, assim como os abutres, comem quietos,
sem nenhum ruído. Nós, os cidadãos comuns de Brasília,
continuamos comendo as rodelas azedas e ainda levamos a fama de viver na ilha
da fantasia ("Hora de fazer a faxina", 1º de julho). Muito feliz e corajosa a atitude
do senhor Alexandre Guimarães ao denunciar as mazelas do Senado, das quais
ele próprio é um dos beneficiários. Atitude essa que só
mesmo quem não tem o rabo preso com ninguém é capaz de tomar.
Aparecerão outros com coragem suficiente para tal? Segurança do Senado:
18 000 reais. Copeiro do Senado: 10 000 reais. Faxineiro honesto para limpar a
sujeira do Senado: não tem preço. O Senado brasileiro nasceu por descuido, já
que não tínhamos estados independentes a ser representados. Atualmente,
o papel de representante das unidades da federação é insignificante,
quase inútil. Aliás, em muitos casos o senador é adversário
do governador e almeja o seu cargo. Portanto, diante disso tudo que está
aí, não seria o caso de pensar, agora seriamente, no sistema unicameral? O Senado sente falta
de políticos que amem o Brasil, e a maioria deveria ser julgada na Justiça
comum, como qualquer ladrão. Mesmo lendo semanalmente VEJA há muitos anos, ainda
não consegui estabelecer a diferença entre o Senado e o Rio Tietê,
em São Paulo. Sou baiano burro ou existe diferença? Engana-se quem pensa que nossos senadores,
após tantos escândalos, não têm mais nenhuma utilidade
para o país. Eles servem, no mínimo, de maus exemplos. Entendo que não exista
melhor definição para o nosso Senado do que a célebre frase
do grande Eça de Queiroz: "Os políticos e as fraldas devem
ser trocados frequentemente e pela mesma razão". Tendo sido citado na matéria "O Senado me envergonha",
em declarações do senhor Alexandre Guimarães, esclareço
que fui contratado de maneira regular, no devido processo legal, aprovado em
concurso disputado por milhares de pessoas, e que a ideia de que tenha havido
a contratação de quarenta pessoas para que eu pudesse ser contratado
não passa de maledicência extravagante de que o senhor Alexandre
Guimarães se coloca como beneficiário. Finalmente, tenho grande
orgulho de trabalhar no Senado Federal e em particular com o presidente José
Sarney.
Araguaia É com extrema indignação e tristeza que escrevemos
a VEJA para encaminhar a manifestação da família de Antonio
Teodoro de Castro, citado na reportagem "Memórias do extermínio"
(1º de julho). Ela relata os últimos momentos vividos por um cidadão
brasileiro, segundo um dos seus algozes (que o executaram), num ato de extrema
falta de humanidade, ética, justiça e respeito aos direitos humanos
por parte daqueles que deveriam assegurá-los. Lamentamos profundamente
tomar conhecimento desses fatos e gostaríamos de mais uma vez clamar
por justiça, posicionar-nos contra a impunidade que vivenciamos neste
país, aproveitar esta oportunidade ímpar para lançar luz
no episódio e conclamar todos os brasileiros para jamais permitir que
algo como isso aconteça novamente em nosso país.
Carta ao Leitor Sem dúvida, VEJA toca em um ponto crucial na Carta ao Leitor
"Um país melhor que seus políticos" (1º de julho).
Ao completar cinquenta anos, a capital do Distrito Federal, afundada no mar
de lama promovido pelos maus políticos, deixa-nos perplexos ante os desmandos
praticados.
Vaidade infantil Infinitamente mais triste que a reportagem sobre Michael Jackson
foi a reportagem "Unha, cabelo e muito mais" (1º de julho), sobre
crianças de 9, 10, 12 anos que vivem uma fantasia lamentável de
mulheres pseudoadultas. Quantos Michael Jackson precisaremos ter para que as
mães percebam que, com atitudes ridículas como incentivar as filhas
a frequentar spas e a usar Botox, estão destruindo o que uma pessoa tem
de mais puro e importante em sua vida: a infância?
Distúrbio fronteiriço Parabéns pela esclarecedora reportagem "A vida à
beira de um abismo" (1º de julho). É importante que as pessoas
tenham acesso a temas tão delicados. As que sofrem desse distúrbio
precisam entendê-lo e acreditar na técnica terapêutica e
nos medicamentos, que, se utilizados de modo adequado, controlam o sofrimento.
Assim, poderão viver de maneira mais confortável e até
produtiva.
Leonardo Nascimento de Araújo Excelente a entrevista com Leonardo, o novo técnico do
Milan (Amarelas, 1º de julho). Ele demonstrou que mesmo sendo tão
jovem se encontra à frente de muitos cartolas brasileiros. Nosso futebol
está precisando de alguém com visão semelhante à
dele. Na introdução da entrevista com Leonardo, VEJA diz
que só Luxemburgo e Felipão treinaram equipes de alto escalão
na Europa. Esqueceu de citar o técnico Paulo Amaral, que de 1962 a 1964
treinou a equipe da Juventus (Itália). |