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Home  »  Revistas  »  Edição 2120 / 8 de julho de 2009


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Imagem da Semana

As damas da corrupção

Dewi e Imelda, viúvas de ditadores,são a prova (ainda)
viva de que para umas e outras política é bom negócio


Lizia Bydlowski

Aaron Favila/AP

Do alto desta página, 150 anos nos contemplam – boa parte deles vivida, e muito bem vivida, com fortunas surrupiadas dos cofres públicos. A esticadíssima senhora de vermelho e muitas joias (inclusive um anel de diamante de 22 quilates, seu "presente de noivado") é Imelda Marcos, a ex-primeira-dama filipina dos 3 000 pares de sapatos, na festa dos seus 80 anos; no flagrante, agradece a foto dos velhos tempos que lhe deu de presente a amiga Dewi Sukarno, 69 anos, ex-primeira-dama da Indonésia, igualmente esticada e igualmente coberta de joias (as célebres esmeraldas Sukarno). Ambas tiveram de abandonar o palácio às pressas quando os maridos foram depostos, Imelda em 1986, com Ferdinand, e Dewi em 1967, deixando na prisão o presidente muito mais velho (e doente – morreria três anos depois). Beldade nascida no Japão, exigente e temperamental, madame Sukarno desde então flana pelo mundo de festa em festa; atualmente mora num belo apartamento em Tóquio com onze cachorros. Imelda, ao partir para o exílio, deixou para trás seu closet monumental (aberto à visitação pública) e joias e bens avaliados em 1,65 bilhão de dólares, mera lasquinha da fortuna de 5 a 10 bilhões amealhada pelo marido por baixo do pano. Ferdinand morreu e Imelda voltou a Manila, onde no momento vive em uma cobertura enquanto reforma a mansão. Respondeu a mais de 900 processos, sem nunca ter sido presa. E chora miséria, coitada: "Aqui estou eu, aos 80 anos, lutando para parecer apresentável".

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