|
Guia
Na trilha do trekking
Fotos
Lailson Santos
 | |
Estima-se que
pelo menos 300 000 brasileiros sejam adeptos do trekking, a caminhada em grupo
que explora a natureza e mistura aventura, esporte e turismo. O número
de praticantes cresce a cada ano no Brasil e no exterior. Na Alemanha, 62% da
população se dedica a essa prática, segundo pesquisa divulgada
no mês passado. Para lançar-se nessa aventura a pé, não
há limite de idade nem é preciso ter preparo de atleta. Basta reunir
um grupo de amigos e começar com trilhas que não exijam tanto esforço
e possam ser feitas com segurança. Agências especializadas oferecem
todo tipo de roteiro, dos curtos para iniciantes aos de longa distância
para quem já tem traquejo. A vantagem é o acompanhamento de guias,
que conhecem bem o trajeto e estão preparados para situações
inesperadas. Outra forma de praticar o trekking é participar de competições
conhecidas como enduro a pé. As equipes devem fazer um percurso no tempo
exato estipulado pela organização da prova. As próximas páginas
reúnem informações úteis para quem deseja entrar na
onda do trekking, a começar pelos equipamentos que deixam a caminhada mais
confortável.
BONÉ Deve
ser de cor clara e tecido leve, que seque rapidamente. Alguns modelos, como o
da foto, têm proteção extra atrás, para o pescoço.
MOCHILA Para caminhadas
de um dia, as de 10 a 15 litros são suficientes. Para trekkings mais longos,
vale optar pelos modelos de 20 ou 25 litros. O material deve ser leve, com bolsos
de fácil acesso. Faixas ajustáveis na cintura e no peito ajudam
na fixação. CAMISETA A
melhor é a de cor clara e tecido que facilite a eliminação do suor. A de manga
longa protege os braços de arranhões e picadas e do sol. BERMUDA
OU CALÇA O ideal é que o tecido seja leve e de secagem rápida.
Alguns modelos de calça têm um zíper na altura da coxa que
permite transformá-los em bermuda. Outra opção são
leggings em Lycra ou Supplex.
ÓCULOS
Além de protegerem dos raios solares, são uma barreira contra
galhos e insetos nas trilhas. Para mata fechada e escura recomendam-se modelos
de lentes transparentes. CALÇADOS Quem
não está acostumado com terrenos irregulares deve optar pelas botas,
que protegem os tornozelos. Os tênis para trekking, com solado de boa aderência,
são leves, previnem bolhas e têm melhor drenagem que os tênis
convencionais.
GARRAFINHA Item
essencial para as trilhas. As de alumínio conservam por mais tempo a água
fresca e não passam gosto para ela. MEIAS
Há modelos desenvolvidos para caminhadas, que se ajustam melhor
aos pés e têm menos costuras.
Fontes: Eleonora Audrá e Silvia Guimarães, atletas de corrida
de aventura, e Socorro Machado, diretora de uma empresa de roupas esportivas
Caminhar
no exterior
Trekkings
podem proporcionar contato com algumas das paisagens mais deslumbrantes do mundo:
as terras geladas da Patagônia e a cadeia de montanhas do Himalaia podem
ser desbravadas a pé e estão entre os roteiros internacionais mais
procurados. Algumas dessas trilhas atraem milhares de ecoturistas por ano. Mas
a exuberância tem preço: além de pagar a viagem, é
preciso caprichar na preparação física e gastar um pouco
mais com equipamentos. TRILHA INCA
(PERU) Percurso de 45 quilômetros até a cidade sagrada inca
de Machu Picchu, no Peru. O trajeto de quatro dias passa por sítios arqueológicos,
floresta e picos de até 4 200 metros. Há uma trilha alternativa,
mais fácil, de apenas dois dias. PARQUE
NACIONAL TORRES DEL PAINE A Patagônia chilena pode ser desbravada
em trekkings que percorrem regiões com lagos, rios e montanhas nevadas.
O ponto alto do passeio é o Paine Grande, uma torre com mais de 3 000 metros
de altitude. No parque, há circuitos com diferentes durações
e graus de dificuldade. NEPAL Conhecido
por ter o pico mais alto do mundo, o Everest, o Nepal tem inúmeras trilhas
pelas cadeias do Himalaia abertas a turistas. Uma das mais populares é
a que leva até o acampamento na base do Everest.
CAMINHO DE COMPOSTELA Os trekkers percorrem em um
mês cerca de 800 quilômetros para chegar à cidade de Santiago
de Compostela, no oeste da Espanha. Há quatro percursos principais.
No Brasil PetrópolisTeresópolis
A caminhada de 42 quilômetros cruza o Parque Nacional da Serra dos Órgãos.
Apesar do nome, o percurso começa em Teresópolis e pode durar de
dois a quatro dias. O ponto culminante é a Pedra do Sino, com mais de 2
200 metros de altitude. É preciso pagar taxas para entrar no parque, usar
o camping e fazer a trilha. O melhor período para se aventurar é
entre abril e outubro, fora da época das chuvas.
Vale do Pati O trajeto entre as cidades de Andaraí
e Lençóis, na Chapada Diamantina, na Bahia, é considerado
um dos mais bonitos do país. Seus morros e cachoeiras são percorridos
em três a cinco dias, conforme o grau de dificuldade do percurso, em um
caminho outrora usado por garimpeiros de diamante. | |
Editado por Eduardo Burckhardt.
Colaborou Letícia Sorg
|