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Justiça O
marketing da censura Proibição aumenta
as vendas de livro de Fernando Morais Agliberto
Lima/AE
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em Cuba seria pior |
A decisão
judicial que, há cerca de um mês, impôs a censura ao livro
Na Toca dos Leões, história da agência de publicidade
W/Brasil escrita pelo jornalista Fernando Morais, deveria em tese resguardar a
imagem do deputado Ronaldo Caiado, do PFL, que se julga caluniado pela obra. Até
agora, porém, a polêmica serviu apenas para despertar a curiosidade
pelo livro. Ele está em quarto lugar na lista dos mais vendidos de VEJA.
Isso é possível porque, apesar de proibido, Na Toca dos Leões
continua nas vitrines da maioria das livrarias. Na Saraiva e na Siciliano,
as vendas dobraram depois da proibição. Dos cerca de 30.000 exemplares
distribuídos, só 14.000 foram retomados pela editora Planeta, que
alega dificuldades operacionais para a retirada. A Justiça diz que não
é de sua competência verificar o recolhimento. "Não sou eu
que vou sair como louco fiscalizando isso aí", afirma o juiz Jeová
Sardinha, responsável pela liminar que cerceia a circulação
da obra. A Planeta ainda tenta reverter a decisão um recurso nesse
sentido foi negado pelo Tribunal de Justiça de Goiás na semana passada.
Na Toca dos Leões diz que, na campanha presidencial de 1989, Caiado,
então candidato, relatou ao publicitário Gabriel Zellmeister um
plano para esterilizar mulheres nordestinas. Caiado nega o diálogo. A censura
ao livro é um atentado à liberdade de expressão. Mas, ao
deixar de ouvir Caiado sobre uma acusação grave, Morais fez mau
jornalismo. Sorte dele que a censura no Brasil não é tão
dura quanto em Cuba. |