Edição 1908 . 8 de junho de 2005

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Justiça
O marketing da censura

Proibição aumenta as vendas
de livro de Fernando Morais

 

Agliberto Lima/AE
Morais: em Cuba seria pior

A decisão judicial que, há cerca de um mês, impôs a censura ao livro Na Toca dos Leões, história da agência de publicidade W/Brasil escrita pelo jornalista Fernando Morais, deveria em tese resguardar a imagem do deputado Ronaldo Caiado, do PFL, que se julga caluniado pela obra. Até agora, porém, a polêmica serviu apenas para despertar a curiosidade pelo livro. Ele está em quarto lugar na lista dos mais vendidos de VEJA. Isso é possível porque, apesar de proibido, Na Toca dos Leões continua nas vitrines da maioria das livrarias. Na Saraiva e na Siciliano, as vendas dobraram depois da proibição. Dos cerca de 30.000 exemplares distribuídos, só 14.000 foram retomados pela editora Planeta, que alega dificuldades operacionais para a retirada. A Justiça diz que não é de sua competência verificar o recolhimento. "Não sou eu que vou sair como louco fiscalizando isso aí", afirma o juiz Jeová Sardinha, responsável pela liminar que cerceia a circulação da obra. A Planeta ainda tenta reverter a decisão – um recurso nesse sentido foi negado pelo Tribunal de Justiça de Goiás na semana passada. Na Toca dos Leões diz que, na campanha presidencial de 1989, Caiado, então candidato, relatou ao publicitário Gabriel Zellmeister um plano para esterilizar mulheres nordestinas. Caiado nega o diálogo. A censura ao livro é um atentado à liberdade de expressão. Mas, ao deixar de ouvir Caiado sobre uma acusação grave, Morais fez mau jornalismo. Sorte dele que a censura no Brasil não é tão dura quanto em Cuba.

 
 
 
 
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