Edição 1908 . 8 de junho de 2005

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Especial
Lutar contra a corrupção
já é uma vitória

 
Montagem sobre fotos Pedro Rubens

A corrupção não pode ser vencida. Os mais bem-sucedidos na luta contra ela chegaram à sábia conclusão de que, no máximo, se pode criar na maioria das pessoas uma disposição moral, cultural e econômica que funcione como obstáculo a sua prática. Atingir esse estágio equivale a dar enorme salto civilizatório, como o que o Ocidente deu muitos séculos antes do Oriente rumo à valorização da vida – o que redundou no respeito aos direitos humanos, à diversidade de opinião e à democracia. Alguns povos chegaram perto de tornar a corrupção um estigma, espécie de doença contagiosa a ser evitada. Um teste simples feito pela revista Reader's Digest em diversos países oferece uma pequena mostra. Cem carteiras com documentos e notas de 100 dólares são abandonadas pela manhã em lugares públicos, como bancos de praça e estações de metrô. Dois dias depois se contam quantas carteiras são devolvidas ao dono. Na Nova Zelândia, 100% delas retornam a seus donos. Não por acaso, o país da Oceania é também um dos líderes freqüentes dos rankings mundiais de honestidade pública e oficial feitos pela organização Transparência Internacional. Não por acaso, os neozelandeses têm também uma das Justiças e polícias mais corretas e funcionais do mundo. E não é por sorte também que a Nova Zelândia é uma das economias mais abertas e desburocratizadas do planeta.

Nas páginas seguintes, cinco reportagens ligadas ao tema da corrupção no Brasil podem causar ao leitor a impressão de que não há mais saída para nosso país. Engano. Uma das reportagens dá detalhes de uma operação da Polícia Federal que prendeu um chefe do Ibama ligado ao PT e corrompido por madeireiras que cortavam livremente árvores na Floresta Amazônica. É mais um caso de corrupção que mancha a reputação do governo – mas é também um caso de operação de uma entidade governamental, a PF, que prende corruptos mesmo que eles sejam do partido oficial. Isso é muito valioso. Há pouco mais de três décadas, a Nova Zelândia era infestada pela corrupção como o Brasil desse maio de 2005. A virada dos neozelandeses deu-se com a perseguição implacável a corruptos. Seu exemplo pode e deve ser imitado.

 
 
 
 
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