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Consumo
Babel do dinheiro
O Banco Central estuda como tornar os
caixas eletrônicos compatíveis entre si

Carina Nucci
Fernando Cavalcanti
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| Caixas eletrônicos no Aeroporto de Congonhas:
para o BC, há superoferta de redes |
Somente três em cada dez brasileiros
têm conta bancária, e o volume proporcional de dinheiro
que as instituições financeiras emprestam a empresas
e consumidores é um dos menores do planeta. Essa realidade,
no entanto, não impediu que o Brasil se transformasse em
um dos líderes mundiais em número de caixas eletrônicos.
Segundo levantamento concluído na semana passada pelo Banco
Central, o país, com seus 140.000 aparelhos para saque e
depósito, só perde para os Estados Unidos, que têm
370.000 pontos de banco eletrônico. Quando se calcula o número
de caixas em relação ao de habitantes, o Brasil fica
na quarta posição, atrás somente dos EUA, do
Japão e do Reino Unido. Para manter tamanha estrutura em
operação, o país conta com 27 redes que distribuem
os pontos de auto-atendimento muitas delas não conversam
entre si.
Essa babel eletrônica não é
fruto da miopia administrativa dos bancos. As instituições
financeiras brasileiras começaram a investir em redes de
auto-atendimento na década de 80. Como o serviço era
uma novidade, usavam o caixa eletrônico como uma ferramenta
de conquista e fidelização do cliente. Mas a grande
expansão veio nos anos 90. Acostumados a ganhar dinheiro
com a inflação, os bancos foram pegos de surpresa
com o fim da remarcação exagerada de preços
e precisavam, de uma hora para outra, cortar despesas com pessoal.
A saída foi empurrar o cliente para fora das agências
e ensiná-lo a usar o caixa eletrônico. Agora, com o
encarecimento das taxas de serviços cobradas pelos bancos,
o BC acredita que não faz mais sentido manter uma infra-estrutura
dessa magnitude. Por isso, lançou uma campanha para convencer
os bancos a reduzir o número de redes para apenas quatro.
O objetivo é baratear as operações, os serviços
bancários e fazer com que os sistemas conversem entre si,
permitindo a clientes de um banco sacar dinheiro do caixa de outra
instituição.
Os bancos oficiais já saíram
na frente. Em algumas capitais, clientes da Caixa Econômica
Federal já podem sacar dinheiro nos terminais do Banco do
Brasil, e vice-versa. Essa iniciativa chamou a atenção
dos concorrentes Bradesco, Real e Unibanco, que já estão
em negociações. As instituições financeiras
concordam que poderão reduzir os gastos com o compartilhamento
do sistema. A idéia não é diminuir o atual
número de caixas eletrônicos, mas distribuí-lo
de maneira a atender muito mais gente. Para se ter uma idéia
do desperdício, os três maiores bancos do país
gastaram cerca de 500 milhões de reais para espalhar 24.000
caixas eletrônicos fora de suas agências. Esse custo
poderia cair para a metade com a interligação dos
sistemas. Diz o diretor de política monetária do Banco
Central, Rodrigo Azevedo: "Hoje, o cliente paga mais caro porque
as redes não se comunicam. Se os bancos reduzirem esse custo,
é natural que as tarifas caiam, mas esse controle caberá
ao próprio usuário".
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