Edição 1908 . 8 de junho de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Consumo
Babel do dinheiro

O Banco Central estuda como tornar os
caixas eletrônicos compatíveis entre si


Carina Nucci


Fernando Cavalcanti
Caixas eletrônicos no Aeroporto de Congonhas: para o BC, há superoferta de redes

Somente três em cada dez brasileiros têm conta bancária, e o volume proporcional de dinheiro que as instituições financeiras emprestam a empresas e consumidores é um dos menores do planeta. Essa realidade, no entanto, não impediu que o Brasil se transformasse em um dos líderes mundiais em número de caixas eletrônicos. Segundo levantamento concluído na semana passada pelo Banco Central, o país, com seus 140.000 aparelhos para saque e depósito, só perde para os Estados Unidos, que têm 370.000 pontos de banco eletrônico. Quando se calcula o número de caixas em relação ao de habitantes, o Brasil fica na quarta posição, atrás somente dos EUA, do Japão e do Reino Unido. Para manter tamanha estrutura em operação, o país conta com 27 redes que distribuem os pontos de auto-atendimento – muitas delas não conversam entre si.

Essa babel eletrônica não é fruto da miopia administrativa dos bancos. As instituições financeiras brasileiras começaram a investir em redes de auto-atendimento na década de 80. Como o serviço era uma novidade, usavam o caixa eletrônico como uma ferramenta de conquista e fidelização do cliente. Mas a grande expansão veio nos anos 90. Acostumados a ganhar dinheiro com a inflação, os bancos foram pegos de surpresa com o fim da remarcação exagerada de preços e precisavam, de uma hora para outra, cortar despesas com pessoal. A saída foi empurrar o cliente para fora das agências e ensiná-lo a usar o caixa eletrônico. Agora, com o encarecimento das taxas de serviços cobradas pelos bancos, o BC acredita que não faz mais sentido manter uma infra-estrutura dessa magnitude. Por isso, lançou uma campanha para convencer os bancos a reduzir o número de redes para apenas quatro. O objetivo é baratear as operações, os serviços bancários e fazer com que os sistemas conversem entre si, permitindo a clientes de um banco sacar dinheiro do caixa de outra instituição.

Os bancos oficiais já saíram na frente. Em algumas capitais, clientes da Caixa Econômica Federal já podem sacar dinheiro nos terminais do Banco do Brasil, e vice-versa. Essa iniciativa chamou a atenção dos concorrentes Bradesco, Real e Unibanco, que já estão em negociações. As instituições financeiras concordam que poderão reduzir os gastos com o compartilhamento do sistema. A idéia não é diminuir o atual número de caixas eletrônicos, mas distribuí-lo de maneira a atender muito mais gente. Para se ter uma idéia do desperdício, os três maiores bancos do país gastaram cerca de 500 milhões de reais para espalhar 24.000 caixas eletrônicos fora de suas agências. Esse custo poderia cair para a metade com a interligação dos sistemas. Diz o diretor de política monetária do Banco Central, Rodrigo Azevedo: "Hoje, o cliente paga mais caro porque as redes não se comunicam. Se os bancos reduzirem esse custo, é natural que as tarifas caiam, mas esse controle caberá ao próprio usuário".

 
 
 
 
topovoltar