Edição 1908 . 8 de junho de 2005

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Moda
Socorro, o casaco encolheu

Boleros, ponchos e pelerines
estão de volta. Com eles, muitos
braços e barrigas de fora

 
Fotos Otavio Dias
Inverno tropical para o dia e para a noite: renda bordada, veludo curtinho, plush, peles sintéticas decotadas, casaco vazado e paetês


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Para um país tropical, onde a maioria dos estados só sabe que é inverno porque a chuva aumenta um tiquinho, até que os casacos desta temporada são bastante adequados. Eles, que já vinham se ajustando e acinturando nas últimas temporadas, encurtaram de vez. Em alguns casos, viraram pouco mais do que golas. Tanto que barrigas e braços, em outros tempos exclusividade do verão, continuam flanando por aí. As vitrines de "inverno" estão tomadas por boleros, pelerines e ponchos – sim, os velhos e outrora abominados ponchos. "Esse é um bom exemplo de moda que vem da rua. Ela não começou com nenhum estilista, mas com o pessoal que ia aos brechós atrás de novidade e resgatou peças que já foram sucesso em outras épocas. Isso aconteceu no ano passado, e, de lá para cá, essa tendência se popularizou e massificou", explica o estilista Mario Queiroz, professor de pesquisa e criação de moda da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

As primeiras versões dos boleros surgiram no século passado, para agasalhar a burguesia européia. Ganharam cores e bordados nos diversos modelos de trajes dos toureiros espanhóis. Na atual reencarnação, são um complemento gracioso, usado por cima de batas ou camisetas propositadamente mais compridas. "Eles entram na onda de feminilidade, com saias rodadas e roupas acinturadas", diz a estilista paulistana Cris Barros. Já o poncho teve seu reinado na década de 70, emprestado pelos hippies dos indígenas latinos, que usavam os grandes tecidos de lã para se aquecer. Incorporado à vida urbana, ganhou fama de cafona. Os modelos do momento são mais estreitos – "Não é mais um cobertor com um buraco no meio", avalia o estilista Valdemar Iódice. O que se perde em mobilidade se ganha em estilo.

É isso que fazem os estilistas: pegam as "referências" de décadas passadas e acrescentam um "perfume" novo. Assim, surgem ponchos de plush, boleros de tecidos leves nervurados, pelerines de paetês ou de pele (sintética, por favor) colorida. Os usos são variados. "A pelerine, por exemplo, pode ser usada com uma calça jeans no trabalho, com uma calça preta para a noite e até em um casamento. Ela, o bolero e o poncho são peças muito versáteis", diz a estilista Fabiana Mortari. "O segredo é que eles desconstroem o look." Tudo fingimento, no caso das peças mais caras. Afinal, fica difícil não ligar para uma coisinha que custou entre 500 e 700 reais e tem menos de 1 metro quadrado de tecido (caso da pelerine de renda bordada e da versão em paetês na foto acima). Quem sabe que isso é moda de um inverno só tem a alternativa das lojas populares, igualmente invadidas pelas minúsculas versões dos casacos. E se esfriar para valer? Até parece que os modismos ligam para essas coisas.

 
 
 
 
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