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Moda
Socorro, o casaco encolheu
Boleros, ponchos e pelerines estão de volta. Com eles, muitos braços
e barrigas de fora Fotos
Otavio Dias
 | | Inverno
tropical para o dia e para a noite: renda bordada, veludo curtinho, plush, peles
sintéticas decotadas, casaco vazado e paetês |
Para
um país tropical, onde a maioria dos estados só sabe que é
inverno porque a chuva aumenta um tiquinho, até que os casacos desta temporada
são bastante adequados. Eles, que já vinham se ajustando e acinturando
nas últimas temporadas, encurtaram de vez. Em alguns casos, viraram pouco
mais do que golas. Tanto que barrigas e braços, em outros tempos exclusividade
do verão, continuam flanando por aí. As vitrines de "inverno" estão
tomadas por boleros, pelerines e ponchos sim, os velhos e outrora abominados
ponchos. "Esse é um bom exemplo de moda que vem da rua. Ela não
começou com nenhum estilista, mas com o pessoal que ia aos brechós
atrás de novidade e resgatou peças que já foram sucesso em
outras épocas. Isso aconteceu no ano passado, e, de lá para cá,
essa tendência se popularizou e massificou", explica o estilista Mario Queiroz,
professor de pesquisa e criação de moda da Universidade Anhembi
Morumbi, em São Paulo. As primeiras
versões dos boleros surgiram no século passado, para agasalhar a
burguesia européia. Ganharam cores e bordados nos diversos modelos de trajes
dos toureiros espanhóis. Na atual reencarnação, são
um complemento gracioso, usado por cima de batas ou camisetas propositadamente
mais compridas. "Eles entram na onda de feminilidade, com saias rodadas e roupas
acinturadas", diz a estilista paulistana Cris Barros. Já o poncho teve
seu reinado na década de 70, emprestado pelos hippies dos indígenas
latinos, que usavam os grandes tecidos de lã para se aquecer. Incorporado
à vida urbana, ganhou fama de cafona. Os modelos do momento são
mais estreitos "Não é mais um cobertor com um buraco no meio",
avalia o estilista Valdemar Iódice. O que se perde em mobilidade se ganha
em estilo. É isso que fazem
os estilistas: pegam as "referências" de décadas passadas e acrescentam
um "perfume" novo. Assim, surgem ponchos de plush, boleros de tecidos leves nervurados,
pelerines de paetês ou de pele (sintética, por favor) colorida. Os
usos são variados. "A pelerine, por exemplo, pode ser usada com uma calça
jeans no trabalho, com uma calça preta para a noite e até em um
casamento. Ela, o bolero e o poncho são peças muito versáteis",
diz a estilista Fabiana Mortari. "O segredo é que eles desconstroem o look."
Tudo fingimento, no caso das peças mais caras. Afinal, fica difícil
não ligar para uma coisinha que custou entre 500 e 700 reais e tem menos
de 1 metro quadrado de tecido (caso da pelerine de renda bordada e da versão
em paetês na foto acima). Quem sabe que isso é moda de um inverno
só tem a alternativa das lojas populares, igualmente invadidas pelas minúsculas
versões dos casacos. E se esfriar para valer? Até parece que os
modismos ligam para essas coisas. |