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Saúde Um
laser no fim do túnel Uma cirurgia que
modela a córnea é a nova aposta dos médicos para
tratar a vista cansada  Bel
Moherdaui 
Enfiados no bolso, eles desaparecem. Na bolsa, são
devorados por um buraco negro para todo o sempre. Pendurados em correntinhas,
aumentam uns dez anos na aparência daqueles que já se sentem suficientemente
derrubados por seu uso. Além de ser a prova viva do passar do tempo, os
óculos de leitura oferecem uma fonte constante de incômodos. Até
o nome do problema que corrigem é feio: presbiopia, a famosa "vista cansada",
aflição que, se ainda não pegou, vai pegar praticamente todo
mortal que tenha transposto o umbral dos 40 anos. Por sorte, a medicina tem apertado
os olhos para se concentrar na solução do problema. A presbiopia
é conseqüência de um endurecimento do cristalino, a lente interna
do olho. Com o tempo, ele perde sua capacidade de ajuste para focalizar objetos
próximos e distantes, causando a dificuldade de leitura de livros, jornais,
cardápios, bulas de remédio e todos aqueles textos que ficam cada
vez menores conforme avançam os anos. Várias técnicas cirúrgicas
têm sido usadas para combatê-la. Uma das opções mais
recentes e caras é a substituição do cristalino
por uma lente artificial, operação semelhante à da cirurgia
de catarata, mas com outro tipo de lente. A mais moderna é uma lente multifocal,
que permite ao olho fazer os ajustes necessários para enxergar os objetos
que estão em diferentes profundidades. As
mais comuns, no entanto, são as cirurgias da córnea, a camada mais
externa do olho. A mais utilizada delas é a báscula, ou monovisão,
uma adaptação da cirurgia a laser para corrigir miopia e hipermetropia.
Nela, o cirurgião faz com que o olho dominante (aquele que se usa para
tirar fotografia) fique com boa visão para longe, e o outro, com boa visão
para perto. Consegue-se isso deixando ou provocando menos de 1 grau de miopia
no olho não dominante e corrigindo totalmente o outro, para causar uma
espécie de mecanismo compensatório. O olho míope tem dificuldade
para enxergar de longe, mas enxerga melhor de perto do que o olho que não
tem miopia, e é nisso que essa técnica se baseia. Para o cérebro,
em qualquer um dos casos, será como se a pessoa enxergasse bem a qualquer
distância, pois, quando a imagem de cada um dos olhos chega, ele automaticamente
suprime a que não interessa (a que estiver fora de foco) e forma uma única
imagem nítida. Alan
Marques/Folha Imagem
 | Paolo
Cocco/AFP
 | | Na
ponta do nariz: depois dos 40 anos, vem a dependência dos óculos para ler as letras
miúdas, como atestam Lula e o papa |
Outra
cirurgia da córnea é a chamada ablação multifocal.
Nela, o médico utiliza o laser para transformar a córnea em uma
espécie de lente multifocal, aplicando os feixes de forma diferenciada
em cada área. Com isso, propicia-se a boa visão a qualquer distância.
Essa técnica só não é indicada para quem trabalha
com precisão ou dirige muito à noite, pois pode provocar halos de
luz e sombras e diminuir a sensibilidade ao contraste. Justamente por isso, costuma
ser usada em conjugação com a báscula. Enquanto um olho ganha
a córnea multifocal, o outro fica ajustado para enxergar melhor de longe.
As cirurgias corneanas, que custam em média
de 2.000 a 2.500 reais por olho, aprimoraram-se bastante. Hoje, o paciente já
sai do consultório enxergando. Não é preciso o uso de tampões
e a anestesia é um simples colírio. O tempo de cirurgia é
quase tão curto quanto um piscar de olhos. São cerca de cinco minutos
para pingar o colírio anestésico, ajustar o equipamento, preparar
o computador que controla o laser com os dados do paciente e da cirurgia que será
feita, limpar e marcar o olho, cortar uma "tampinha" da córnea, chamada
flap, disparar o laser, fazer assepsia da área e fechar o flap. No próprio
relógio de pulso, sem óculos, o paciente já pode constatar
que a operação terminou. "Como a cirurgia é mais rápida,
o olho fica menos tempo exposto e a recuperação é melhor",
diz o oftalmologista Luiz Geraldo Simões de Assis, de Curitiba.
Outro avanço nessa área é um aparelho
que segue a pupila durante a cirurgia. Desenvolvido com a mesma tecnologia criada
para rastreamento de mísseis, ele permite que o laser seja aplicado no
lugar certo, ainda que o paciente se desconcentre e movimente o olho no decorrer
da operação. "A pessoa já enxerga bem logo depois da cirurgia,
mas vai demorar de duas a três semanas para chegar à visão
final. Além disso, o índice de retoque da cirurgia corneana, que
era de 25%, hoje não passa de 2%", diz o oftalmologista paulista Eduardo
Martines, membro da equipe da Universidade da Califórnia, em Irvine. Até
o equipamento para diagnóstico está mais preciso, permitindo que
os médicos vejam qualquer deformação da córnea. Com
ele, é possível avaliar melhor se o paciente está apto à
cirurgia e qual delas é a mais indicada. "Ainda assim, nenhuma cirurgia
é garantida. O paciente tem de entender que não vai voltar a enxergar
como quando tinha 18 anos", avisa o carioca Renato Ambrósio Júnior,
da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Para a maioria, porém, livrar-se
do eterno tira e põe dos óculos de leitura já é um
milagre suficientemente impressionante.
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