Edição 1908 . 8 de junho de 2005

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Esporte
Bonitinha e rapidinha

A mulher mais veloz do mundo
é Danica Patrick, revelação
disparada da Fórmula Indy


Michel Conroy/AP
Tom Strick/AP
Na pista, de macacão, e na festa, de decotão, com o noivo: só dá Danica

Carro e mulher bonita parecem o programa perfeito para boa parte da metade masculina da humanidade. Mas quando a mulher bonita é quem está dirigindo o carro, e fazendo um bocado de gente comer poeira atrás dela, as coisas começam a ficar complicadas. Danica Patrick, uma americana de 23 anos e 1,58 metro, está vivendo todas as contradições dessa situação. Acelerada para a fama mundial em uma única corrida, as 500 Milhas de Indianápolis do último dia 29, quando liderou durante dezenove voltas e chegou em quarto lugar, ela virou sucesso instantâneo. Danica (pronuncia-se Dânica) não é apenas a mulher que alcançou a melhor qualificação em corridas profissionais em todos os tempos, é também uma gracinha morena, de cabelão e pernas bem torneadas, capaz de usar decote até a cintura e fotografar em poses sensuais. Ou seja, está sendo saudada como a melhor coisa que aconteceu, em muito tempo, ao automobilismo americano em geral e à Fórmula Indy em particular. Em contrapartida, é vista com má vontade, suspeição ou puro e simples ciúme.

"Cheguei em segundo e a mídia só falou dela no Brasil", avalia Vitor Meira, da mesma equipe de Danica, pertencente ao apresentador David Letterman e ao ex-piloto Bobby Rahal. Outros reclamam da vantagem dos meros 45 quilos da piloto, contra competidores com o dobro do peso. No anonimato, a testosterona sobe e alguns contam que, quando a moreninha ainda desconhecida apareceu, eles se perguntavam se ela teria passado no teste do sofá (ou do banco de trás?). "Se fosse homem, não teria conseguido", diz um deles.

Danica fez a volta mais rápida no último treino e conquistou o prêmio de novata do ano. Na corrida, enquanto esteve na liderança, o público delirou. A audiência bateu recorde e um novo público, feminino, começou a se interessar por aqueles carros correndo sem parar numa pista oval que, se não tem as emoções da Fórmula 1, exige resistência, sangue-frio e gosto pelo risco. "As mulheres se identificam porque é uma garota metendo o pau nos homens", diz Felipe Giaffone, da equipe AJ Foyt. Danica tem corrida no DNA. Seu pai, TJ Patrick, era corredor de motocross e snowmobile. A mãe, mecânica. Conheceram-se em uma competição. Com 10 anos, Danica começou a competir com kart. Aos 16, foi para a Europa e chegou à Fórmula Ford. Quando machucou os quadris – numa aula de ioga, imaginem só –, conheceu o fisioterapeuta Paul Hospenthal, de 39 anos, e não desgrudou mais dele. O casamento está agendado para o fim do ano. O noivo faz marcação cerrada. A custo o brasileiro Helio Castroneves conseguiu tirá-la para dançar numa festa. Agora, vai fazer mais: vestir uma camiseta com o nome de Danica na próxima corrida, pagamento de uma aposta perdida – chegou cinco posições atrás dela. Não deverá ser o único. Na torcida, só dá Danica.

 
 
 
 
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