Edição 1908 . 8 de junho de 2005

Índice
Claudio de Moura Castro
Millôr
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Tecnologia
Eles estão entre nós

Enfim, uma leva de robôs domésticos úteis
e que não custam nenhuma extravagância


Tiago Cordeiro


Toshiyuki Aizawa/Reuters
WAKAMARU
UTILIDADE: cuidar de idosos e pessoas doentes. Lançado pela Mitsubishi no mês passado, avisa a hora de tomar remédio, monitora a pressão sanguínea do paciente e despacha relatórios por e-mail ou celular.
PREÇO: 14 250 dólares
Apresentação de robôs domésticos numa feira de tecnologia em Tóquio: vigias, aspiradores de pó e babás eletrônicas

O homem sempre quis criar um ser à sua imagem e semelhança – o robô que se movimente com a desenvoltura do ser humano e possa tomar decisões com autonomia. Na vida real, a ciência não atingiu esse objetivo. Os maiores sucessos até agora dizem respeito às máquinas capazes de realizar ações repetitivas, utilizadas em larga escala na indústria e para fins militares. Naves robóticas mostram-se excepcionais na exploração do espaço. A novidade do momento é o início da produção em série de robôs para ser usados em casa ou no escritório, cujo preço já deixou de assustar. Por 1.199 dólares, os americanos podem substituir o cão de guarda pelo 914 PC-BOT, um vigilante eletrônico que, na aparência, é cópia despudorada do R2-D2, o simpático robozinho do filme Guerra nas Estrelas. O equipamento é basicamente um computador sobre rodas, equipado com câmeras e dispositivos de comunicação sem fio. Pode ser programado para reconhecer rostos e disparar um alarme ao encontrar um desconhecido. "Estamos entrando na era dos robôs pessoais porque finalmente dispomos da tecnologia necessária a um custo razoável", disse a VEJA o criador do PC-BOT, o americano Thomas Burick.


The New York Times
Shizuo Kambayashi/AP
914 PC-BOT
UTILIDADE: vigilância. Lançado em maio nos Estados Unidos, é basicamente um computador sobre rodas dotado de câmeras. Pode ser programado para reconhecer rostos e dar um alarme quando encontra desconhecidos.
PREÇO: 1 199 dólares
FUJITSU SERVICE ROBOT
UTILIDADE: auxiliar de escritório. Entrega documentos, opera elevadores e faz a segurança do prédio. Estará à venda a partir deste mês.
PREÇO: 18 000 dólares

O exemplo acima é americano, mas a meca da robótica doméstica é o Japão. Nos últimos três anos, chegaram às lojas trinta modelos de robôs domésticos. Outros onze lançamentos estão previstos para a Expo 2005, que começou em março e só termina em setembro. O maior filão é o da segurança doméstica. O Nuvo, da ZMP, à venda desde abril, é uma máquina de vigilância com aparência humanóide que obedece a comandos de voz. Sua função é circular pela casa, fotografá-la e enviar as imagens por celular aos proprietários. O Banryu, da Tmsuk, preocupa-se com indícios de incêndio ou assalto e manda relatórios periódicos por celular. Há também um grupo de produtos projetados para cuidar de crianças e idosos. O PaPeRo, da NEC, é uma babá eletrônica que conta histórias, toca músicas e sugere brincadeiras. O robô filma as crianças e envia as imagens para o computador dos pais. Em teste em creches e escolas japonesas desde 2003, ainda não está à venda. Um terceiro grupo de máquina é especializado em cuidar de idosos. O Wakamaru, da Mitsubishi, avisa a hora de tomar remédio, mede a pressão sanguínea e manda um alerta ao parente mais próximo se identificar algum problema.


Toshiyuki Aizawa/Reuters
Yuriko Nakao/Reuters
NUVO
UTILIDADE: vigilância. À venda desde abril, a máquina japonesa reconhece vozes e pode ser controlada por telefone celular. Atua como uma câmera móvel de segurança e envia fotos do local por e-mail.
PREÇO: 5 500 dólares
EMIEW
UTILIDADE: auxiliar de escritório ou doméstico. Entrega documentos, vigia a casa e entende dezenas de ordens, como "buscar o jornal". Está em teste no Japão, mas só chega às lojas em 2010.
PREÇO: não definido


Toshifumi Kitamura/AFP
PAPERO
UTILIDADE: babá eletrônica. Conta histórias, toca músicas e sugere brincadeiras. Filma as crianças e envia as imagens para o computador dos pais. Em teste em creches e escolas japonesas desde 2003, ainda não está à venda.


Outro mercado promissor é o de entretenimento robótico. O brinquedo mais vendido é o Aibo, o cão eletrônico da Sony que reage à voz do dono. Em cinco anos foram vendidas 150.000 unidades a 2.000 dólares cada uma. Estima-se que o número de robôs domésticos com funções de segurança e entretenimento passará dos atuais 700.000 para 2,5 milhões em dois anos. "O futuro dos robôs está em divertir o ser humano e executar tarefas perigosas ou repetitivas", disse a VEJA Owen Carmichael, do Instituto de Robótica da Universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh, nos Estados Unidos. Um exemplo de máquina capaz de substituir o homem em tarefas perigosas é o WallWalker, um limpador de janelas com piloto automático que pode se pendurar do lado de fora dos arranha-céus. Por enquanto, os aparelhos robóticos mais vendidos são os aspiradores de pó automáticos. Há 600.000 dessas máquinas em todo o mundo, e a Federação Internacional de Robótica prevê que serão 4,6 milhões dentro de dois anos. Custam em média 250 dólares nos Estados Unidos. No Brasil, o aspirador-robô Trilobite, da Electrolux, que utiliza um sistema de ultra-som para se desviar dos degraus e dos móveis, pode ser comprado por 6.800 reais. Desde que foi lançado, em 2003, foram vendidas aqui 120 unidades. Alguns dos lançamentos são destinados aos escritórios. O Fujitsu Service Robot e o Emiew fazem pequenos serviços braçais, como carregar caixas e entregar correspondência. O Emiew, que por enquanto só existe como protótipo, encontra-se em teste no Japão. Sua chegada às lojas está prevista para 2010.

 
 
 
 
topovoltar