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Edição 2107

8 de abril de 2009
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Música
O Beatle esquecido

Pete Best, baterista dos Beatles de 1960 a 1962, foi
demitido às vésperas da gravação do primeiro disco.
Hoje ele faz brincadeira com o seu fracasso


Sérgio Martins

Mirian Fichtner/Pluf
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Em 1965, o baterista Pete Best tentou se matar. Trancou-se em sua casa em Liverpool e abriu o registro de gás. Estava deprimido porque sua ex-banda havia se transformado num fenômeno mundial. Ela era formada por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr (o novo baterista). Chamava-se The Beatles. Best foi salvo da morte por sua mãe e afastou-se por duas décadas da carreira artística. Trabalhou como padeiro e como funcionário público, mas acabou voltando aos palcos. Na semana passada, visitou o Brasil para um show em Porto Alegre ao lado do The Beats, um grupo de argentinos gabolas que vivem de reinterpretar as canções dos Beatles. "Estou casado há quarenta anos, tenho duas filhas e quatro netos. Posso não ser o mais bem-sucedido dos Beatles, mas sou o mais feliz", disse ele a VEJA.

Uma coisa é certa: Pete Best desenvolveu um ótimo senso de humor, em geral autodepreciativo. Sua apresentação foi hilária. O ponto alto foi uma minientrevista, conduzida pelos colegas de palco, na qual ele falou sobre o passado. "Brian Epstein? Ele era gayyyyy", afirmou, quando lhe perguntaram sobre o ex-empresário dos Beatles. "John Lennon? Um gênio. Paul McCartney? Gênio. George Harrison? Gênio. Ringo Starr? Baterista." Depois das brincadeiras, Best sentou-se para tocar dois números musicais que fazia ao lado da ex-banda – um deles, My Bonnie, foi uma das primeiras canções gravadas pelos Beatles.

Hulton Archive/Getty Images
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Best tocou por dois anos com Lennon, McCartney e Harrison. Começou em 1960, quando o trio se apresentava regularmente no Casbah, uma casa noturna de Liverpool. A mãe de Best era dona do lugar, ele estava sempre por perto e foi chamado a assumir as baquetas. Em junho de 1962, após receberem um banho de água fria de um executivo do selo Decca (segundo o qual ninguém estava interessado em música com guitarras), os Beatles foram incorporados ao elenco de outra gravadora, a EMI. Esse foi, a rigor, o momento decisivo para a banda. E, dois meses depois, Best foi demitido. Há diversas teorias sobre o episódio, desde a que afirma que Harrison e McCartney se sentiam incomodados porque Best era mais bonito até a que atribui a decisão a George Martin, lendário produtor da EMI e de quase todos os discos dos Beatles. "Falei com Martin anos atrás e perguntei sobre isso. Ele disse que apenas sugeriu a contratação de um baterista de estúdio para economizar tempo nas gravações. Creio que somente Paul e Ringo poderiam dar uma resposta definitiva", diz Best.

Em 1988, o baterista formou a Pete Best Band. Seus companheiros são músicos veteranos de Liverpool. No ano passado, eles lançaram Haymans Green, seu último disco. Durante o show no Brasil, Best fez propaganda do CD. "Quando o disco sair aqui, por favor, comprem", disse. Mas depois, como quem se lembra de que a vida nem sempre é fácil, arrematou: "Ah, sim. Se o disco não for lançado aqui, importem!".



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