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Edição 2107

8 de abril de 2009
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Maylan Studart

Gilberto Tadday

"Os que me deram chance torcem por mim. Outros têm de me engolir"

A carioca Maylan Studart é a única jóquei brasileira no exterior. Aos 20 anos, compete em um dos principais hipódromos americanos, o da Associação de Corridas de Nova York (Nyra). Desde que desembarcou nos Estados Unidos, há um ano, já obteve 32 vitórias. Maylan conversou com o editor assistente Duda Teixeira.

Mudar-se para os Estados Unidos foi bom para a sua carreira?
No Brasil, quando os treinadores iam escolher os jóqueis para montar seus cavalos, começavam pegando os profissionais meninos, depois os aprendizes e por fim os mais velhos. Só então olhavam para mim. Eu era a trigésima a ser chamada. Achavam que eu fosse incapaz. Todas as manhãs, eu montava os cavalos para treiná-los. De graça. Nas provas, que era quando podíamos ganhar algum dinheiro, raramente me chamavam. De quarenta páreos na semana, eu era convidada para quatro. Ainda assim, com animais ruins. Em média, ganhava 200 reais por mês. Aqui, antes mesmo de descer do avião, eu já tinha três corridas marcadas. Só no meu primeiro mês em Nova York, ganhei
20 000 dólares com minhas vitórias.

Ser mulher torna as coisas mais difíceis?
No Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, não havia vestiários nem dormitórios para mulheres. Eu tinha de bater na porta do banheiro dos empregados implorando para que me deixassem trocar de roupa minutos antes do páreo. Os treinadores não me escolhiam porque eu sou mulher. Os jóqueis achavam que, por causa disso, eu receberia favores dos dirigentes. Pensavam também que eu fosse uma patricinha de Ipanema e não tinha o direito de trabalhar. Na realidade, estava ralando mais que todo mundo. Como não podia dormir no Jockey como os meninos, acordava às 4h30 da manhã para pegar o ônibus. Era um sacrifício.

Você fez uma foto sensual para uma revista masculina em 2007. Isso ajudou ou atrapalhou?
Nem uma coisa nem outra. Foi uma tentativa desesperada para atrair a atenção dos treinadores, mas não funcionou. Eles continuaram me dando os piores cavalos.

Como você se prepara fisicamente para as provas?
Peso 50 quilos. Para um jóquei, o ideal é não passar de 53. Como tenho tendência a ganhar músculos, faço diariamente entre uma e duas horas de exercício aeróbico, como esteira e bicicleta. Vou duas vezes à academia todas as tardes.

Qual é a origem de seu nome?
Minha mãe leu um livro da atriz Shirley MacLaine e gostou muito do nome de um dos personagens. Então, ela me batizou assim, mas mudou um pouco. Meu sobrenome é Studart, que em inglês quer dizer "arte de cavalos". Tenho cavalos no meu sangue.

Tem namorado?
Minha rotina não deixa tempo para isso. Acordo e durmo cedo todos os dias. Nos fins de semana, também tenho corridas. Saio apenas para almoçar e jantar.

Alguém a ajudou no Brasil?
Meu pai é cineasta e minha mãe, lojista. Em um ofício que é transmitido de geração para geração, isso não ajuda. Hoje sei que as pessoas se reúnem para assistir ao vivo a minhas corridas em uma sala no Jockey. Os que me deram chance torcem por mim. Outros têm de me engolir.

Foi difícil se acostumar a outro país?
Eu já falava inglês porque morei em Los Angeles quando era pequena. Quanto ao frio, nunca tinha visto neve na vida. Aqui, já competi a 4 graus negativos. Mesmo assim, não tenho planos de voltar ao Brasil. Alcancei o sucesso aqui. Meu desafio agora é mantê-lo.



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