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8 de abril de 2009
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Esporte
Ele faz a diferença

Ross Brawn, o cérebro por trás das vitórias de
Schumacher, estreia sua própria equipe na
Fórmula 1 colocando seus dois pilotos no pódio


Thomaz Favaro

Jens Buettner/Corbis/Latinstock
FESTA NA ESTREIA
Ross Brawn comemora a dupla vitória de sua equipe na Fórmula 1


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Raras vezes se viu algo assim na Fórmula 1: a Brawn GP, escuderia criada apenas 23 dias antes do início da temporada, levou seus dois pilotos – o inglês Jenson Button e o brasileiro Rubens Barrichello, respectivamente em primeiro e segundo lugares – ao pódio do Grande Prêmio da Austrália, no domingo 29. A última equipe estreante a realizar tal proeza foi a Mercedes, em 1954. Desta vez, não chegou a ser uma surpresa. Apesar de nunca terem sido vistos antes numa prova oficial, os carros vencedores apresentam uma superioridade já conhecida no circo da F.1. "Ninguém consegue competir com a Brawn", previu antes da prova o piloto brasileiro Felipe Massa, da Ferrari. O prognóstico tinha como base a existência de um cérebro por trás da máquina – o do inglês Ross Brawn, de 54 anos, dono da equipe à qual deu o próprio nome. Brawn começou a desenvolver o carro desta temporada quando era chefe da construtora Honda. A crise financeira quase acabou com seus planos. Há quatro meses, a empresa japonesa anunciou que iria deixar a Fórmula 1, alegando não estar em condições de torrar 300 milhões de dólares em tempos de vacas magras. Confiante no projeto, Ross Brawn comprou a equipe, mesmo sem ter patrocínio.

A vitória no GP da Austrália é a reafirmação do toque de Midas de Brawn. Ele iniciou a carreira como mecânico da Williams, em 1976. No fim dos anos 80 foi contratado pela Jaguar para cuidar da divisão de carros esporte da empresa. Regressou à Fórmula 1 como diretor técnico da Benetton. Na equipe, formou uma dupla imbatível com o piloto Michael Schumacher, que conquistou os campeonatos de 1994 e 1995. Apelidado de "supercérebro" pelo amigo "Schumi", Ross tinha a última palavra no projeto do carro, nas táticas de corrida e até no momento certo para os pit stops do piloto alemão. Contratada pela Ferrari, a dupla ajudou a reerguer a escuderia italiana, cujo jejum de títulos durava duas décadas, com um pentacampeonato mundial entre 2000 e 2004. Depois da aposentadoria de Schumacher, em 2006, Ross tirou um ano sabático e voltou à Fórmula 1 a convite da Honda. Sua estratégia foi sacrificar a temporada de 2008 para se dedicar à construção do melhor carro de 2009.

A vitória da Brawn é também um triunfo para a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que se empenha para diminuir a diferença abismal entre as equipes tradicionais, como Ferrari e McLaren, e as demais competidoras. "A ascensão da Brawn é uma quebra de paradigma no esporte, pois mostra que não é preciso gastar tanto para ser competitivo", afirma Cleyton Pinteiro, presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo. Mesmo vencedora, a escuderia sofre com a falta de patrocínio e já demitiu um terço dos funcionários. Algumas equipes contestaram a vitória da Brawn, alegando que o difusor traseiro de seus carros – também usado pela Toyota e pela Williams – está fora dos padrões da FIA. A entidade rejeitou as queixas, ainda que admita que as equipes se aproveitaram de uma brecha no regulamento para melhorar o desempenho de seus carros. É uma bronca compreensível, mas inócua. O que faz a diferença não é o detalhe técnico, e sim Ross Brawn, o supercérebro por trás da máquina.



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