Imprensa
Na base do soco
Jornalista sofre ameaças, tem dois
filhos
agredidos e apela para ministro da Justiça
Sandra Brasil
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Tina Coelho

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Noblat, diretor do Correio:
não descarta a possibilidade
de mudar de Brasília |
Na semana passada, o jornalista Ricardo Noblat, condômino
dos Associados e diretor de redação do maior
jornal de Brasília, o Correio Braziliense,
mandou uma carta ao ministro da Justiça, José
Carlos Dias, pedindo garantias de vida para ele e a família.
Na carta, Noblat diz que dois de seus três filhos
foram agredidos fisicamente, fala em telefonemas anônimos
ameaçadores e levanta suspeitas de haver motivação
política por trás da violência que sua
família está sofrendo. Desde que Noblat assumiu
há seis anos o comando da redação do
Correio, o jornal deixou de ser uma espécie
de diário oficial do governo do Distrito Federal.
O jornalista relata ao ministro da Justiça que essa
postura editorial independente e crítica do jornal
tem incomodado principalmente o governador do Distrito Federal,
Joaquim Roriz, e o senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
Admite na carta não ter provas que lhe permitam uma
acusação direta a quem quer que seja. Mas
deixa clara sua suspeita a respeito dos dois figurões
locais. "Desconfio que eles (Roriz e Estevão) ou
gente deles têm algo com isso, mas não tenho
provas", escreve no documento. O Ministério da Justiça
pediu à Polícia Federal para apurar o caso.
Há mais de um ano, a família de Ricardo
Noblat vive cercada de seguranças particulares. No
dia 2 de fevereiro, os seguranças foram dispensados.
Foi um equívoco. Na noite de 18 de fevereiro, Gustavo
Noblat, de 18 anos, filho de Ricardo, levou um corte de
quase 4 centímetros de profundidade no rosto durante
um show de rock. Gustavo já havia sido vítima
de uma agressão vinte dias antes das eleições
de 1998, quando uma faixa com dizeres pejorativos sobre
o rapaz amanheceu pendurada em frente a sua escola. O episódio
do show poderia ser encarado sem grande surpresa se o rapaz
se tivesse metido em alguma confusão. Não
houve nada. Gustavo foi agredido sem nenhum motivo aparente
por quatro ou cinco pessoas. O corte no rosto foi provocado
por uma navalha ou estilete. Ao ser ferido, Gustavo encontrou
um rapaz alto e meio louro que se ofereceu para levá-lo
ao hospital. Tratava-se do subsecretário da Juventude
do Distrito Federal, Luiz Felipe Pereira da Cunha. O mesmo
que no final de 1998 impediu à força que outro
filho de Ricardo, André, de 20 anos, fosse socorrido
durante uma sessão de pancadaria no Ceub, uma universidade
particular de Brasília, promovida por seis estudantes,
cabos eleitorais do senador eleito Luiz Estevão de
Oliveira. Na época, Luiz Felipe trabalhava com Luiz
Estevão. Muito machucado, André Noblat foi
acompanhado do pai prestar queixa à polícia.
Lá estavam Luiz Felipe e Antônio Moraes, ex-segurança
da campanha de Roriz em 1998.
"O Noblat foi escolhido como alvo desse comportamento
de intimidação. Dá para supor que se
trata de uma iniciativa de interesse político", diz
Paulo Cabral, presidente do condomínio dos Associados.
As intimidações, segundo Noblat, começaram
na campanha de 1998, quando Roriz disputava as eleições
para o governo do Distrito Federal com Cristovam Buarque.
Desde então, o jornalista tem recebido telefonemas
anônimos ameaçadores, sempre à noite
ou de madrugada. Segundo a carta do jornalista, em plena
campanha, Roriz chegou a comentar em seu comitê: "Quando
eu vencer, para onde Noblat se mudará?". Não
se mudou. Mas hoje pensa seriamente nessa possibilidade.
A mulher de Noblat, Rebeca, que é jornalista e tem
uma empresa de assessoria de imprensa, foi acusada por pessoas
ligadas a Roriz de ter comandado a campanha de Cristovam
Buarque e ganho muito dinheiro com ela. A Câmara Legislativa
chegou a aprovar a "CPI da Rebeca", que até hoje
não foi instalada. Mais recentemente, em setembro
passado, o governador Roriz conclamou a população
da capital a deixar de ler o Correio Braziliense.
Em conversas informais, Luiz Estevão acusa o jornal
de ser responsável por seu elevado grau de envolvimento
no desvio de verbas do Fórum Trabalhista de São
Paulo. O Correio investigou a fundo esse caso que
era objeto da CPI do Judiciário e hoje ameaça
o mandato de Luiz Estevão.
Joaquim Roriz não quis pronunciar-se sobre a carta
de Ricardo Noblat. "Insinuar participação
do governador nessas coisas é uma leviandade!", diz
Weligton Moraes, porta-voz de Roriz. Luiz Estevão
também refuta qualquer envolvimento nos episódios.
"Eu não teria motivos para fazer uma retaliação
tão porca." O subsecretário da Juventude,
Luiz Felipe Pereira da Cunha, também nega ter evitado
o socorro a André Noblat na surra de 1998. Quanto
à agressão sofrida por Gustavo Noblat durante
o show de rock, Luiz Felipe explica que apenas se ofereceu
para levar o rapaz ensangüentado ao hospital por solidariedade.
"Eu nem sabia de quem ele era filho", comenta. Ricardo Noblat
acha que é muita coincidência.
Orlando
Brito
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Ricardo
Stuckert
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O governador Roriz
não fala sobre o caso. Porta-voz diz que acusação
é leviana
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Senador Luiz Estevão:
"Eu não teria motivos para retaliações
tão porcas"
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