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CINEMA
Divulgação
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| Spider:
um excelente Cronenberg |
Spider Desafie Sua Mente (Spider,
Canadá/Inglaterra/França, 2002. Em cartaz desde sexta-feira)
Quando o protagonista Dennis Cleg (Ralph Fiennes) desce de um trem
numa estação inglesa, amarfanhado e murmurando palavras
incompreensíveis, quase é possível sentir seu cheiro
que deve ser de mofo, suor antigo e umidade que nunca chega a secar.
Como sempre, essa capacidade de provocar sensações físicas
com suas imagens é um dos pontos altos do trabalho do cineasta
canadense David Cronenberg nesta brilhante adaptação do
romance homônimo do inglês Patrick McGrath. Como sempre também,
o diretor de A Mosca,
Gêmeos Mórbida Semelhança
e Crash se
dedica aqui a escrutinar os aspectos mais doentios e ilusórios
da natureza humana. Cleg, que acabou de sair de um manicômio, reconstitui
obsessivamente o trauma que o teria levado à internação,
ainda na infância seu pai teria matado sua mãe para
trocá-la por uma prostituta. Aos poucos, porém, constata-se
que nada é o que parece. As atuações são excepcionais,
em especial a de Miranda Richardson, em três papéis. E Cronenberg,
que desta vez não inclui nem uma única cena repugnante no
roteiro (algo inédito), faz seu melhor filme em muito tempo.

Veja também |
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LIVROS
Lições
de Francês, de Peter Mayle (tradução
de Waldéa Barcellos; Rocco; 224 páginas; 27 reais)
Inglês apaixonado pela França (uma raridade, convenhamos),
o escritor Peter Mayle ficou famoso graças às suas espirituosas
crônicas de viagem sobre a região da Provença, onde
vive. Agora, ele volta à carga com uma obra que aborda um dos temas
mais caros à alma francesa: a gastronomia. Ao relatar suas aventuras
de garfo e faca, Mayle um bon vivant assumido traz à
luz uma série de curiosidades. O cronista investiga, por exemplo,
como se faz uma verdadeira omelete à francesa, além de dissecar
a paixão do país pelos queijos e vinhos. Mas o melhor do
livro são suas descrições dos aspectos mais pitorescos
da culinária local como os rituais que se repetem a cada
temporada de consumo de rãs e escargots.
Dançarinas,
de Margaret Atwood (tradução
de Lia Wyler; Rocco; 214 páginas; 26 reais) A canadense
Margaret Atwood é uma das escritoras mais afiadas da língua
inglesa na atualidade. Por baixo dos enredos sutis e da prosa poética
de seus livros, há sempre algo perturbador ela revela o
vazio dos relacionamentos e traz à tona aspectos da psicologia
humana não muito confortáveis de enfrentar. Coletânea
de contos lançada originalmente no final dos anos 70, Dançarinas
é uma excelente amostra de seu estilo.
Suas catorze histórias contêm doses de humor, fantasia e
violência, mas transmitem sobretudo uma certa sensação
de melancolia. É assim, por exemplo, no conto que dá título
ao livro, em que uma estudante e seu exótico vizinho de quarto
num albergue convivem por meses sem trocar uma palavra.
Leia
trechos do livro.
DISCO
Have
You Fed the Fish?, Badly Drawn Boy
(Sum) Nascido em Manchester, Inglaterra, o cantor, compositor e
instrumentista Damon Gough (seu nome verdadeiro) possui duas qualidades
que andam em falta na música pop atual: é inventivo e sabe
criar melodias assobiáveis. Ele já mostrou seu talento no
disco de estréia, The Hour of Bewilderbeast,
e na trilha sonora de Um Grande Garoto.
Seu trabalho mais recente, Have You Fed the Fish?,
é dividido em duas partes. Na primeira, flerta com orquestrações
dignas dos bons espetáculos da Broadway americana. A partir da
faixa You Were Right,
ele apresenta músicas calcadas no psicodelismo e na soul music
cujo ponto alto é The
Further I Slide,que
lembra os melhores momentos de Marvin Gaye.
VÍDEO
Divulgação
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| Bem-Vindos:
comunidade alternativa |
Bem-Vindos
(Tillsammans,
Suécia, 2000. Imagem) Suécia, 1975: numa pequena
comunidade instalada num casarão, revolucionários, adeptos
do amor livre e vegetarianos tentam viver de acordo com seus ideais. O
problema é que ninguém quer saber de lavar a louça
suja acumulada na pia, as relações "abertas" obviamente
não eliminam o ciúme de quem é obrigado a ouvir a
namorada fazendo sexo com um amigo no quarto ao lado e as crianças,
ainda que tenham nomes inspirados na natureza ou em acontecimentos políticos,
continuam gostando de comer cachorro-quente e brincar de mocinho e bandido.
O diretor sueco Lukas Moodysson, que entrou no radar do cinema independente
com Amigas de Colégio,
faz aqui um comentário astuto, muito divertido e também
terno sobre como certos comportamentos bem antigos por exemplo,
a boa vontade, o diálogo ou a disposição para ceder
ainda são o melhor remédio para a saúde dos
relacionamentos.
DVDs
Phase
One: Celebrity Take Down, Gorillaz
(EMI) Criado inicialmente como um projeto paralelo do cantor Damon
Albarn, do Blur, e do cartunista Jamie Hewlett, o Gorillaz tornou-se um
dos grandes fenômenos de vendas dos últimos tempos. Grande
parte dessa popularidade se deve ao fato de os integrantes da banda serem
mostrados como personagens de desenho animado o que atraiu o público
infantil. O DVD, no entanto, agrada a gente de todas as idades. Traz os
cinco clipes gravados pela banda virtual, entrevistas fictícias
com os roqueiros e um documentário sobre a criação
dos personagens do Gorillaz. O ponto negativo é o fato de marketear
um tanto despudoradamente os produtos do quarteto, como bonecos e jogos
de videogame.
Rust
Never Sleeps: The Concert Film,
Neil Young & Crazy Horse (Zomba) Esse é um daqueles
raros vídeos de show de rock que vale a pena manter na estante
de sua casa. Gravado em 1978, ele mostra o cantor canadense à frente
de sua banda de apoio, desfiando o repertório dos excelentes discos
que havia gravado até então. Das acústicas Comes
a Time e My
My Hey Hey (Out of the Blue) às
vigorosas Like a Hurricane
e Cortez the Killer,
o filme é uma aula de rock. Dirigido pelo próprio Young
(que se esconde sob o pseudônimo Bernard Shakey), Rust
Never Sleeps traz ainda algumas excentricidades.
Os ajudantes de palco, por exemplo, aparecem vestidos como jawas, aqueles
bandidos esquisitos da série de cinema Guerra
nas Estrelas.
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