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Edição 1 784 - 8 de janeiro de 2003
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Uma boa sacada

Universidades particulares dão
salário e estudos para ter atletas
de primeira linha

Diogo Schelp


Liane Neves
Roberto, da Ulbra: nos outros clubes em que jogou vôlei era impossível estudar

Dezoito instituições de ensino participaram no ano passado de campeonatos nacionais de futebol de salão, basquete, vôlei, handebol e outros esportes – mas sem amadorismo. Jogaram com times formados por atletas assalariados que, na maior parte dos casos, também estudam. Eis alguns exemplos de resultados:

No futebol de salão, a equipe da Universidade Luterana do Brasil, a Ulbra, do Rio Grande do Sul, é tricampeã da Liga Nacional.

No handebol masculino, o time da Universidade Metodista de São Paulo é pentacampeão nacional.

No vôlei masculino, a Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul, foi terceira colocada na última Superliga Nacional.

No basquete masculino, a Uniara, o Centro Universitário de Araraquara, no interior de São Paulo, foi vice-campeã na última Liga Nacional.

No modelo americano de esporte universitário, os melhores atletas recebem bolsas de estudo e atuam em competições até a formatura. Só depois são selecionados para atuar como profissionais. No Brasil, é comum o esporte tirar atletas da escola antes mesmo do ensino médio. É aí que as universidades estão fazendo diferença. Ganham-se não só jogadores mais cultos, mas também mais bem preparados para a vida depois da carreira atlética. Na Ulbra, a universidade que mais investe no esporte profissional, 40% dos 180 jogadores das equipes de vôlei, futsal, handebol, futebol de campo e atletismo estudam na instituição. Todos têm bolsa de estudos parcial. Basta passarem no vestibular. "Até os horários de treino são compatíveis com as aulas", diz Roberto Minuzzi Júnior, de 21 anos, do vôlei.

"Agora não se convoca mais jogador ignorante para a seleção brasileira", celebra Carlos Bittencourt, vice-presidente técnico da Confederação Brasileira de Futebol de Salão. A bolsa também virou argumento de contratação e ajuda a fixar atletas num time por períodos longos. O jogador de vôlei Ivan Luiz Fagundes Walter, de 20 anos, da Unisul, está há três anos atuando em Florianópolis. Ao chegar, iniciou o curso de ciências da computação. Trancou matrícula e agora está no 1º ano de administração de empresas.

As universidades dispõem de mais infra-estrutura do que muitos clubes, com ginásios, ônibus, equipamentos de ginástica, laboratórios de educação física e fisioterapia, hospitais, alojamentos e restaurantes – além de recursos humanos ansiosos por experiência. Há dois anos, Marco Vinícius Bianchi, então aluno de educação física da Ulbra, tornou-se estagiário do treinador de goleiros do time de futsal. Depois, passou a treinador principal e, recentemente, foi contratado para a função pelo time do ElPozo, campeão espanhol.

Um time de vôlei pode custar 1,5 milhão de reais por ano. Se é de uma universidade, gasta entre 20% e 30% menos. Muitas universidades também têm patrocinadores, reduzindo seus custos em mais 40%. Assim se acham recursos para pagar salários mais altos aos jogadores. No vôlei e no basquete, há quem receba 10.000 reais por mês.

   
 
   
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