Uma boa sacada
Universidades
particulares dão
salário e estudos para ter atletas
de primeira linha

Diogo Schelp
Liane Neves
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| Roberto,
da Ulbra: nos outros clubes em que jogou vôlei era impossível estudar
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Dezoito instituições
de ensino participaram no ano passado de campeonatos nacionais de futebol
de salão, basquete, vôlei, handebol e outros esportes
mas sem amadorismo. Jogaram com times formados por atletas assalariados
que, na maior parte dos casos, também estudam. Eis alguns exemplos
de resultados:
No futebol de salão, a equipe da Universidade Luterana do Brasil,
a Ulbra, do Rio Grande do Sul, é tricampeã da Liga Nacional.
No handebol masculino, o time da Universidade Metodista de São
Paulo é pentacampeão nacional.
No vôlei masculino, a Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul,
foi terceira colocada na última Superliga Nacional.
No basquete masculino, a Uniara, o Centro Universitário de Araraquara,
no interior de São Paulo, foi vice-campeã na última
Liga Nacional.
No modelo
americano de esporte universitário, os melhores atletas recebem
bolsas de estudo e atuam em competições até a formatura.
Só depois são selecionados para atuar como profissionais.
No Brasil, é comum o esporte tirar atletas da escola antes mesmo
do ensino médio. É aí que as universidades estão
fazendo diferença. Ganham-se não só jogadores mais
cultos, mas também mais bem preparados para a vida depois da carreira
atlética. Na Ulbra, a universidade que mais investe no esporte
profissional, 40% dos 180 jogadores das equipes de vôlei, futsal,
handebol, futebol de campo e atletismo estudam na instituição.
Todos têm bolsa de estudos parcial. Basta passarem no vestibular.
"Até os horários de treino são compatíveis
com as aulas", diz Roberto Minuzzi Júnior, de 21 anos, do vôlei.
"Agora não
se convoca mais jogador ignorante para a seleção brasileira",
celebra Carlos Bittencourt, vice-presidente técnico da Confederação
Brasileira de Futebol de Salão. A bolsa também virou argumento
de contratação e ajuda a fixar atletas num time por períodos
longos. O jogador de vôlei Ivan Luiz Fagundes Walter, de 20 anos,
da Unisul, está há três anos atuando em Florianópolis.
Ao chegar, iniciou o curso de ciências da computação.
Trancou matrícula e agora está no 1º ano de administração
de empresas.
As universidades
dispõem de mais infra-estrutura do que muitos clubes, com ginásios,
ônibus, equipamentos de ginástica, laboratórios de
educação física e fisioterapia, hospitais, alojamentos
e restaurantes além de recursos humanos ansiosos por experiência.
Há dois anos, Marco Vinícius Bianchi, então aluno
de educação física da Ulbra, tornou-se estagiário
do treinador de goleiros do time de futsal. Depois, passou a treinador
principal e, recentemente, foi contratado para a função
pelo time do ElPozo, campeão espanhol.
Um time
de vôlei pode custar 1,5 milhão de reais por ano. Se é
de uma universidade, gasta entre 20% e 30% menos. Muitas universidades
também têm patrocinadores, reduzindo seus custos em mais
40%. Assim se acham recursos para pagar salários mais altos aos
jogadores. No vôlei e no basquete, há quem receba 10.000
reais por mês.
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