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Surfe: a vez das garotas

As mulheres cansaram de ficar
sentadinhas na areia, só olhando

Camila Antunes

 
AFP

A brasileira Jacqueline, segunda melhor surfista do mundo, e um grupo de praticantes na praia: o esporte ganhou charme e sensualidade

Clementino Coutinho



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Galeria de fotos: surfe feminino

O surfe sempre foi um esporte dominado por homens. Tanto nos campeonatos oficiais quanto nas brincadeiras de fim de semana, os rapazes que fazem o estilo "largadão" raramente dividiam o mar com garotas. Cabia a elas o papel de tietes, esperando-os na praia. Essa realidade está mudando, e a transformação pode ser conferida neste verão nas praias badaladas, onde cada vez mais meninas rivalizam com os meninos na guerra pelas ondas. Cenas de garotas carregando prancha debaixo do braço não são mais consideradas exóticas. E elas fazem bonito na água. Ainda há uma razoável diferença técnica entre homens e mulheres surfistas, mas as moças estão se aprimorando. Muitas já enfrentam ondas gigantescas, com mais de 5 metros de altura. A presença feminina no surfe chegou ao cinema. Ainda neste mês, entra em cartaz no Brasil o filme A Onda dos Sonhos (Blue Crush), que conta a história de três garotas surfistas americanas. Nos Estados Unidos, o filme popularizou ainda mais o surfe entre as mulheres. Com o sucesso da fita, muitas escolinhas de surfe que antes só atendiam homens tiveram de criar aulas específicas para mulheres. Neste verão, a tricampeã brasileira Andrea Lopes inaugura uma clínica de surfe para mulheres que irá funcionar na Praia de Maresias, em São Paulo, e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Andrea decidiu abrir a escolinha ao perceber o grande interesse de adolescentes em desafiar as ondas.

Não existem números muito confiáveis para medir a procura das mulheres pelo surfe, mas uma indicação segura pode ser conferida nos campeonatos. Tome-se o caso brasileiro. Há dez anos, não havia campeonato profissional no Brasil. Hoje, o país tem trinta surfistas de primeiro nível, entre elas algumas estrelas. É o caso de Jacqueline Silva, que no fim do ano passado venceu uma das etapas do circuito mundial profissional. Realizada no Havaí, a façanha fez com que Jacqueline se tornasse a segunda melhor surfista do planeta, atrás apenas da australiana pentacampeã mundial Layne Beachley.

No Brasil, muitas garotas estão incorporando um antigo estilo de vida dos homens surfistas. Juntam-se em grandes turmas, alugam uma casa de frente para o mar e passam o fim de semana inteiro dentro da água por pura diversão. É inegável também que as meninas emprestam ao surfe um charme adicional. Com corpo sarado, pele bronzeada e biquínis sensuais, elas chamam a atenção pela beleza. E a rapaziada adora. Os torneios femininos realizados no Brasil têm atraído um público cada vez maior. Por causa disso, os patrocinadores já estão interessados em investir em novas competições e até em algumas atletas. Por enquanto, as mulheres surfistas ainda faturam bem menos que os homens. O prêmio de cada etapa do Super Surf, o melhor campeonato do Brasil, é de 20.000 reais para as mulheres e 80.000 reais para os homens. A mesma defasagem é verificada em campeonatos mundiais. Estima-se que um campeão mundial do nível de Kelly Slater, um dos maiores surfistas da história, ganhe por ano 1 milhão de dólares entre prêmios e salários. A número 1 feminina recebe no máximo 200.000 dólares anuais.

   
 
   
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