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Edição 1 784 - 8 de janeiro de 2003
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Cubano ou paraguaio?

Distribuidora oficial dos puros habanos
no Brasil acusa tabacarias de vender
charutos falsos

Ricardo Mendonça


Claudio Rossi
Confraria de fumantes: perícia irá dizer se os charutos apreendidos são mesmo cubanos

Uma ação da Polícia Civil paulista provocou grande preocupação entre os amantes de charutos. Numa operação simultânea em oito das melhores tabacarias de São Paulo, agentes armados com metralhadoras apreenderam cerca de 1.000 charutos cubanos. A suspeita é de que eles sejam falsificados. A apreensão dos produtos foi solicitada pela Puro Cigar de Habana, a empresa que recebeu do governo de Cuba o monopólio da distribuição das 36 marcas cubanas no Brasil. Seu representante, Ernesto Lopez, alega que algumas tabacarias estão vendendo charutos falsificados ou contrabandeados, já que elas não compram da Puro Cigar e vendem a preços inferiores aos da distribuidora oficial. Os donos das tabacarias defendem-se afirmando que a denúncia é mentirosa. "A Puro Cigar tem o monopólio da distribuição no Brasil, mas não pode me impedir de comprar os charutos de outros países", afirma Beto Ranieri, proprietário da tabacaria que leva seu nome.


Paulo Liebert/AE
Charutos confiscados: blitz em oito tabacarias paulistas

Essa polêmica é resultado de uma grande confusão. Em primeiro lugar, é preciso explicar como o charuto cubano entra no Brasil. Apenas uma empresa em Cuba é responsável pela fabricação de todas as marcas de charuto cubano existentes no mercado. Ela concede o direito de distribuição a somente uma empresa por país. No caso brasileiro, a distribuidora oficial é a Puro Cigar. Mas isso não impede que algumas tabacarias comprem o produto de varejistas de outros países. Beto Ranieri alega que o adquire de vendedores da Espanha e do México. Outra maneira de o charuto cubano entrar no Brasil é via contrabando. Basta que um intermediário traga o artigo por debaixo dos panos, sem pagar os 152% de impostos previstos na legislação. Existem também os charutos falsificados, confeccionados por empresas clandestinas. Nesses casos, há de tudo. Desde a falsificação mais grosseira, em que é visível a precariedade do produto, até as mais sofisticadas, feitas em Cuba mesmo e que chegam a enganar até os grandes especialistas. Nas próximas semanas, o Instituto de Criminalística de São Paulo promete entregar o laudo que dará o veredicto sobre a autenticidade dos charutos confiscados. A documentação das tabacarias também será analisada pelas autoridades competentes, que responderão se houve alguma ilegalidade fiscal.



   
 
   
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