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Pantanal com asfalto
Área
de preservação ambiental no
Rio Grande do Sul é o melhor lugar
do país para a observação de aves

Diogo Schelp
Fotos Renato Grimm
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festa das aves e dos observadores: a Lagoa do Peixe tem muito alimento.
Os pássaros migram para comer. Os fotógrafos, para curtir o espetáculo
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rimm
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Flavio Dutra
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O paraíso
brasileiro das aves migratórias fica em um estreito pedaço
de terra de 7 quilômetros de largura entre a Lagoa dos Patos e o
mar, no Rio Grande do Sul. Os 34.400 hectares
do Parque Nacional Lagoa do Peixe, área controlada pelo Ibama,
é o principal ponto de pouso no Brasil de aves que chegam a voar
9.000 quilômetros desde o norte do Canadá
até o Rio Grande do Sul em cinco dias. Ali elas repousam, alimentam-se
e trocam a plumagem antes de iniciar o caminho de volta para o Hemisfério
Norte, onde se reproduzem. Freqüentam a região 22 espécies
migratórias vindas do norte, além de 150 tipos de aves nativas
e cinco que migram do sul do continente, principalmente da Argentina.
A paisagem
da Lagoa do Peixe, no período de maior incidência de aves
migratórias, que vai de outubro a abril, lembra o Pantanal Mato-Grossense,
com revoadas de pássaros de todas as cores e tamanhos. As diferenças
entre as duas regiões são quase todas a favor do parque
gaúcho, do ponto de vista de quem quer observar as aves. A área
é um quarto da do Parque Nacional do Pantanal, mas concentra grandes
aglomerados de flamingos, maçaricos-grandes-de-perna-amarela e
trinta-réis-boreais em cinco habitats a área costeira,
a lagoa, o campo, o banhado e a mata. Além disso, o acesso ao Parque
Nacional Lagoa do Peixe é bem mais fácil, já que
o lugar está a 210 quilômetros de Porto Alegre. Esse percurso
é feito em pouco mais de duas horas de carro, por novíssimas
estradas asfaltadas. O parque ocupa parte da área dos municípios
de Mostardas e Tavares. O primeiro, uma pequena cidade em estilo açoriano
com 12.000 habitantes, possui as melhores acomodações.
Ali é possível também contratar o transporte em veículos
fora-de-estrada e um guia conhecedor da região e das técnicas
de observação de aves. Para conhecer o parque, o ideal é
procurar o escritório do Ibama no município ou a única
agência de turismo da cidade, que negocia pacotes para a visita.
O turismo
de observação de pássaros é considerado uma
terapia. Consiste em longas e silenciosas caminhadas para fotografar ou
simplesmente analisar, com a ajuda de binóculo e luneta, o comportamento
e as características das aves. As áreas abertas, como é
o caso da Lagoa do Peixe, são as que permitem a melhor visualização.
Em florestas, é comum recorrer-se a um gravador para registrar
o canto do pássaro, de longe, e depois repeti-lo, tentando fazer
a ave se aproximar. Num caderninho, anotam-se detalhes como a coloração
da plumagem, o tamanho e o formato da ave. Informações importantes
para, depois, identificar a espécie com a ajuda de manuais de ornitologia.
Não é raro observadores amadores registrarem espécies
dadas como extintas.
Nos Estados
Unidos, a observação tem mais de 10.000
adeptos. Há os especializados, que viajam apenas para ver aves
de rapina ou beija-flores. No Brasil, o segundo país em variedade
de aves com mais de 1.600 espécies
, calcula-se que existam 1.000 praticantes
organizados em clubes como o do Rio de Janeiro, com 200 associados. Muitos
costumam comparar suas listas de pássaros observados. Alguns já
anotaram ter visto mais de 7.000 variedades
das 10.000 espécies catalogadas
no mundo. "Certa vez, no Peru, um grupo de turistas americanos deixou
de assistir ao impressionante espetáculo de dezenas de araras comendo
argila do barranco de um rio", conta Luiz Claudio Marigo, fotógrafo
de natureza e membro do Clube de Observadores de Aves do Rio de Janeiro.
"Eles preferiram ir para outro lugar porque já tinham a arara em
sua lista."
No Brasil,
são ótimos pontos de observação também
o Pantanal, o Parque Nacional das Emas, em Goiás, o Arquipélago
de Abrolhos e os Lençóis Maranhenses. O Parque Lagoa do
Peixe prima pela diversidade de habitats e pela abundância de alimento.
A lagoa tem apenas 30 centímetros de profundidade média,
com ótimas condições para a proliferação
do plâncton, alimento de crustáceos apreciado por peixes
e aves. No começo da manhã ou no fim da tarde, a lagoa e
seus arredores tornam-se um gigantesco restaurante de aves.
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