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Edição 1 784 - 8 de janeiro de 2003
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Um bom começo

Antonio Milena
O presidente Lula discursa no Congresso: "Este é o país do novo milênio"

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o de seu ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na semana passada, conseguiram surpreender um país que já se acostumara com o PT moderado destes novos tempos. A surpresa deveu-se à ênfase, não ao conteúdo, do que ambos disseram. Lula fez concessões retóricas às forças mais à esquerda de seu partido. É natural que o fizesse. Afinal, muitos petistas andavam se sentindo desamparados com o choque de realismo sofrido pela cúpula da agremiação com a perspectiva de exercer o poder em um país moderno e democrático. O essencial dos discursos feitos por Lula e Palocci, no entanto, é a reafirmação inequívoca das promessas de campanha de manter as conquistas da estabilidade monetária e da austeridade nas contas públicas. Recitadas em discursos de posse, as garantias de rigor contábil e da busca de maior equilíbrio social no país adquiriram uma solenidade inédita e ecoaram declarações muito parecidas feitas nos últimos anos por Fernando Henrique Cardoso e pelo ex-ministro Pedro Malan.

Com os ajustes de tom mais harmonizados com o discurso petista, ficou evidente para os brasileiros que o governo de Lula será, felizmente, a extensão do que FHC vinha fazendo nas finanças públicas e, em certa medida, no campo social. Não há nisso nenhum demérito para o PT. Uma pitada de ironia, porém, é inevitável quando se lembra que a política econômica de Fernando Henrique foi combatida pelo partido durante os dois governos de FHC. O ex-presidente recebeu o rótulo de neoliberal e foi acusado pela oposição de subserviência aos interesses do grande capital financeiro. Com a faixa lhe cruzando o peito, Lula sentiu o peso do cargo ao rechaçar as vias econômicas aventureiras. "Trabalharemos para superar nossas vulnerabilidades atuais e criar condições macroeconômicas favoráveis à retomada do crescimento sustentado, para a qual a estabilidade e a gestão responsável das finanças públicas são valores essenciais", disse o presidente. O novo ministro da Fazenda reconheceu que está mantendo de pé a receita de sucesso de seu antecessor. "Não iremos reinventar princípios básicos de política econômica", afirmou Palocci. Foi um bom começo. Veja reportagens sobre a sucessão.

 
 
   
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