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Um bom começo
Antonio Milena
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| O
presidente Lula discursa no Congresso: "Este é o país
do novo milênio" |
O discurso
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o de seu ministro da
Fazenda, Antônio Palocci, na semana passada, conseguiram surpreender
um país que já se acostumara com o PT moderado destes novos
tempos. A surpresa deveu-se à ênfase, não ao conteúdo,
do que ambos disseram. Lula fez concessões retóricas às
forças mais à esquerda de seu partido. É natural
que o fizesse. Afinal, muitos petistas andavam se sentindo desamparados
com o choque de realismo sofrido pela cúpula da agremiação
com a perspectiva de exercer o poder em um país moderno e democrático.
O essencial dos discursos feitos por Lula e Palocci, no entanto, é
a reafirmação inequívoca das promessas de campanha
de manter as conquistas da estabilidade monetária e da austeridade
nas contas públicas. Recitadas em discursos de posse, as garantias
de rigor contábil e da busca de maior equilíbrio social
no país adquiriram uma solenidade inédita e ecoaram declarações
muito parecidas feitas nos últimos anos por Fernando Henrique Cardoso
e pelo ex-ministro Pedro Malan.
Com os ajustes
de tom mais harmonizados com o discurso petista, ficou evidente para os
brasileiros que o governo de Lula será, felizmente, a extensão
do que FHC vinha fazendo nas finanças públicas e, em certa
medida, no campo social. Não há nisso nenhum demérito
para o PT. Uma pitada de ironia, porém, é inevitável
quando se lembra que a política econômica de Fernando Henrique
foi combatida pelo partido durante os dois governos de FHC. O ex-presidente
recebeu o rótulo de neoliberal e foi acusado pela oposição
de subserviência aos interesses do grande capital financeiro. Com
a faixa lhe cruzando o peito, Lula sentiu o peso do cargo ao rechaçar
as vias econômicas aventureiras. "Trabalharemos para superar nossas
vulnerabilidades atuais e criar condições macroeconômicas
favoráveis à retomada do crescimento sustentado, para a
qual a estabilidade e a gestão responsável das finanças
públicas são valores essenciais", disse o presidente. O
novo ministro da Fazenda reconheceu que está mantendo de pé
a receita de sucesso de seu antecessor. "Não iremos reinventar
princípios básicos de política econômica",
afirmou Palocci. Foi um bom começo. Veja
reportagens sobre a sucessão.
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