Ugly Betty (estréia nesta quarta-feira,
às 20h, no Sony) Produzida na Colômbia em 1999, a novela Betty,
a Feia fez sucesso em setenta países inclusive no Brasil. Sua
versão americana, Ugly Betty, também é um fenômeno:
lançada no ano passado, atingiu audiência superior a 14 milhões
de espectadores. Seu golpe de mestre está na combinação entre
o colorido latino do original e a embalagem de série cômica americana.
O enredo é uma reedição da história do patinho feio.
Betty Suarez (America Ferrera, que ganhou o Emmy) é um desastre: tem sobrancelhas
grossas, aparelho nos dentes e veste-se de forma tenebrosa. Ao arranjar emprego
numa revista de moda, sofre toda sorte de humilhação até
mostrar seus préstimos e encontrar no patrão seu príncipe
encantado.
Californication
(estréia nesta terça-feira, às 22h, no Warner Channel)
David Duchovny era um ator em busca de rumo desde o fim da série
Arquivo X, em que ganhou fama como o agente Fox Mulder. Em Californication,
ele atinge o objetivo de maneira que vai confundir os fãs de
seu sucesso anterior. Enquanto Mulder era um tira sério, o protagonista
dessa comédia é um escritor bêbado e libertino. Hank Moody
sofre de bloqueio criativo e lastima-se por ter abandonado a ex-namorada, mãe
de sua filha. Só que sua válvula de escape é a esbórnia:
ele se droga, bebe e transa com todas as mulheres com que topa em sua rotina de
ócio na Califórnia. Com sua verve sutil, Duchovny quem diria
parece ter nascido para o papel do cafajeste.
LIVROS
Um
Barco Remenda o Mar,
vários autores (organização de Yao Feng e Régis Bonvicino;
Martins Fontes; 168 páginas; 32,50 reais) Apresentada por Régis
Bonvicino, poeta brasileiro, e por Yao Feng, poeta chinês e professor do
departamento de português da Universidade de Macau, essa coletânea
reúne trabalhos de dez poetas da China contemporânea. É um
pequeno painel de uma literatura pouco conhecida. Os poemas remetem às
antigas tradições da literatura chinesa, mas também revelam
a assustadora modernidade da China: "a cidade onde moro / foi edificada com blocos
de montar", dizem os versos de Xi Chuan. O livro inclui também poemas de
Bei Dao, cujos versos apareceram em cartazes dos estudantes que protestaram por
democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989.
Inquieta
Companhia,de Carlos Fuentes (tradução
de Ebréia de Castro Alves; Rocco; 272 páginas; 38 reais)
Ao lado do colombiano Gabriel García Márquez e do peruano Mario
Vargas Llosa, o mexicano Carlos Fuentes despontou no chamado boom literário
da América Latina, nos anos 60. Essa nova coletânea de contos é
dedicada à literatura fantástica. Mas não se trata do "realismo
fantástico" latino-americano: Fuentes mergulha na tradição
mais antiga do conto de terror gótico, com seus vampiros, fantasmas e bruxas.
No conto A Boa Companhia, por exemplo, um jovem vai viver na casa de duas
tias que não se falam. Essas duas anciãs acreditam que as pessoas
do lado de fora da casa são todas fantasmas mas elas mesmas podem
ser assombrações. Leia
trecho.
DVD
A Comédia do Poder (L'Ivresse
du Pouvoir, França, 2006. Imagem)
Uma das qualidades mais instigantes do cineasta Claude Chabrol é
a forma como ele sabe deixar seus enredos em suspenso: tem-se sempre a sensação
de que aquela história já havia começado bem antes do ponto
em que ele passa a contá-la, e que vai terminar muito depois de os créditos
finais subirem. A arte está em escolher qual o ponto de início,
e o de corte. Ela é o que melhor Chabrol demonstra aqui. Isabelle Huppert,
musa habitual do diretor, é uma juíza que decide processar executivos
graúdos por apropriação indébita de verbas públicas.
As "forças ocultas", então, se põem em movimento, já
que não existe mão que se lave sozinha. Mas a juíza continua
a navegar serena entre os processos, cega para o fato de que também está
inebriada de seu poder. Em algum momento, porém, ela terá de abrir
os olhos.
DISCOS
Trouble
Shootin',Stefano di Battista (EMI) Diz
a história que os italianos foram seduzidos pelo jazz depois da II Guerra
Mundial, quando os americanos que entraram no país trouxeram consigo discos
dos maiores nomes desse gênero musical. Hoje em dia, a Itália exporta
talentos como o saxofonista Stefano di Battista. Fã do instrumentista Charlie
Parker, Di Battista tem um trabalho eclético, que inclui releituras de
standards americanos e homenagens ao maestro e compositor Nino Rota. Trouble
Shootin', seu mais recente disco, emula o jazz-funk dos anos 70, com direito
a solos de órgão Hammond (a cargo do francês Baptiste Trotignon)
e à guitarra do veterano Russell Malone. A releitura de Jody Grind,
do pianista Horace Silver, e Alexanderplatz Blues, do próprio Battista,
são dois dos muitos pontos altos desse CD.
Made
of Bricks,Kate Nash (Universal) A
cantora de 20 anos é a versão irlandesa do fenômeno Lily Allen.
A exemplo da intérprete de Smile, Kate Nash divulgou suas primeiras
composições no site MySpace. Nas letras, aborda os mesmos temas
de Lily: paqueras, brigas com namorados e rompimentos traumáticos
tudo, claro, sob a ótica de uma menina de 20 anos que trata uma briga doméstica
como se fosse a III Guerra Mundial. No quesito melodia, no entanto, as duas têm
abordagens distintas. Lily flerta com o reggae, enquanto Kate prefere experimentos
eletrônicos que devem tornar o disco item obrigatório nas
pistas de dança. A canção Foundations, que narra a
história de um casal que troca ofensas na sala de jantar, é o destaque
do álbum.