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Edição 2033

7 de novembro de 2007
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Ugly Betty: conteúdo latino, embalagem americana


Ugly Betty
(estréia nesta quarta-feira, às 20h, no Sony) – Produzida na Colômbia em 1999, a novela Betty, a Feia fez sucesso em setenta países – inclusive no Brasil. Sua versão americana, Ugly Betty, também é um fenômeno: lançada no ano passado, atingiu audiência superior a 14 milhões de espectadores. Seu golpe de mestre está na combinação entre o colorido latino do original e a embalagem de série cômica americana. O enredo é uma reedição da história do patinho feio. Betty Suarez (America Ferrera, que ganhou o Emmy) é um desastre: tem sobrancelhas grossas, aparelho nos dentes e veste-se de forma tenebrosa. Ao arranjar emprego numa revista de moda, sofre toda sorte de humilhação – até mostrar seus préstimos e encontrar no patrão seu príncipe encantado.

Californication (estréia nesta terça-feira, às 22h, no Warner Channel) – David Duchovny era um ator em busca de rumo desde o fim da série Arquivo X, em que ganhou fama como o agente Fox Mulder. Em Californication, ele atinge o objetivo – de maneira que vai confundir os fãs de seu sucesso anterior. Enquanto Mulder era um tira sério, o protagonista dessa comédia é um escritor bêbado e libertino. Hank Moody sofre de bloqueio criativo e lastima-se por ter abandonado a ex-namorada, mãe de sua filha. Só que sua válvula de escape é a esbórnia: ele se droga, bebe e transa com todas as mulheres com que topa em sua rotina de ócio na Califórnia. Com sua verve sutil, Duchovny – quem diria – parece ter nascido para o papel do cafajeste.

 

LIVROS

Um Barco Remenda o Mar, vários autores (organização de Yao Feng e Régis Bonvicino; Martins Fontes; 168 páginas; 32,50 reais) – Apresentada por Régis Bonvicino, poeta brasileiro, e por Yao Feng, poeta chinês e professor do departamento de português da Universidade de Macau, essa coletânea reúne trabalhos de dez poetas da China contemporânea. É um pequeno painel de uma literatura pouco conhecida. Os poemas remetem às antigas tradições da literatura chinesa, mas também revelam a assustadora modernidade da China: "a cidade onde moro / foi edificada com blocos de montar", dizem os versos de Xi Chuan. O livro inclui também poemas de Bei Dao, cujos versos apareceram em cartazes dos estudantes que protestaram por democracia na Praça da Paz Celestial, em 1989.

Inquieta Companhia, de Carlos Fuentes (tradução de Ebréia de Castro Alves; Rocco; 272 páginas; 38 reais) – Ao lado do colombiano Gabriel García Márquez e do peruano Mario Vargas Llosa, o mexicano Carlos Fuentes despontou no chamado boom literário da América Latina, nos anos 60. Essa nova coletânea de contos é dedicada à literatura fantástica. Mas não se trata do "realismo fantástico" latino-americano: Fuentes mergulha na tradição mais antiga do conto de terror gótico, com seus vampiros, fantasmas e bruxas. No conto A Boa Companhia, por exemplo, um jovem vai viver na casa de duas tias que não se falam. Essas duas anciãs acreditam que as pessoas do lado de fora da casa são todas fantasmas – mas elas mesmas podem ser assombrações. Leia trecho.

 

DVD

A Comédia do Poder (L'Ivresse du Pouvoir, França, 2006. Imagem) – Uma das qualidades mais instigantes do cineasta Claude Chabrol é a forma como ele sabe deixar seus enredos em suspenso: tem-se sempre a sensação de que aquela história já havia começado bem antes do ponto em que ele passa a contá-la, e que vai terminar muito depois de os créditos finais subirem. A arte está em escolher qual o ponto de início, e o de corte. Ela é o que melhor Chabrol demonstra aqui. Isabelle Huppert, musa habitual do diretor, é uma juíza que decide processar executivos graúdos por apropriação indébita de verbas públicas. As "forças ocultas", então, se põem em movimento, já que não existe mão que se lave sozinha. Mas a juíza continua a navegar serena entre os processos, cega para o fato de que também está inebriada de seu poder. Em algum momento, porém, ela terá de abrir os olhos.

 

DISCOS

Trouble Shootin', Stefano di Battista (EMI) – Diz a história que os italianos foram seduzidos pelo jazz depois da II Guerra Mundial, quando os americanos que entraram no país trouxeram consigo discos dos maiores nomes desse gênero musical. Hoje em dia, a Itália exporta talentos como o saxofonista Stefano di Battista. Fã do instrumentista Charlie Parker, Di Battista tem um trabalho eclético, que inclui releituras de standards americanos e homenagens ao maestro e compositor Nino Rota. Trouble Shootin', seu mais recente disco, emula o jazz-funk dos anos 70, com direito a solos de órgão Hammond (a cargo do francês Baptiste Trotignon) e à guitarra do veterano Russell Malone. A releitura de Jody Grind, do pianista Horace Silver, e Alexanderplatz Blues, do próprio Battista, são dois dos muitos pontos altos desse CD.

Made of Bricks, Kate Nash (Universal) – A cantora de 20 anos é a versão irlandesa do fenômeno Lily Allen. A exemplo da intérprete de Smile, Kate Nash divulgou suas primeiras composições no site MySpace. Nas letras, aborda os mesmos temas de Lily: paqueras, brigas com namorados e rompimentos traumáticos – tudo, claro, sob a ótica de uma menina de 20 anos que trata uma briga doméstica como se fosse a III Guerra Mundial. No quesito melodia, no entanto, as duas têm abordagens distintas. Lily flerta com o reggae, enquanto Kate prefere experimentos eletrônicos – que devem tornar o disco item obrigatório nas pistas de dança. A canção Foundations, que narra a história de um casal que troca ofensas na sala de jantar, é o destaque do álbum.



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Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Saraiva, Submarino.



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