O YouTube é um
perigo. Desde que o site foi criado, em 2005, políticos,
artistas e celebridades de diversas latitudes e calibres se
viram em apuros por causa de episódios ali divulgados.
Na semana passada, o maestro John Neschling, diretor artístico
da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
(Osesp), sofreu o dissabor de descobrir que críticas
suas ao governador de São Paulo, José Serra,
bem como desabafos e rompantes de raiva, são reproduzidas
num vídeo batizado de Neschlíngua. São
fotos de Neschling e gravações de sua voz feitas
durante ensaios da orquestra, em abril e julho deste ano,
provavelmente sem que ele soubesse. Numa parte dos registros,
o maestro se diz perseguido por "sacanas" que o tacham de
despótico e o atacam por ganhar um salarião
(são 100 000 reais por mês). Ele reafirma seu
poder e sua auto-estima. "Enquanto eu estiver aqui, vai ser
do meu jeito", declara. "Eu tô na história...
Não tem falsa modéstia." A porção
mais delicada do vídeo, contudo, diz respeito ao governador
José Serra. Neschling fala sobre uma "cesura" entre
o governo do estado, que é mantenedor da orquestra,
e o conselho que a administra. Diz que Serra se tornou seu
desafeto há três anos e arremata num tom digno
do heavy metal: "É um menino mimado, na verdade um
autoritário". A assessoria de comunicação
da Osesp procura suavizar os acordes estridentes do maestro.
Segundo ela, o desentendimento entre Neschling e o governador
"já está superado".