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7 de novembro de 2007
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Ambiente
Ocaso dos primatas

A ação humana ameaça de extinção 29%
das espécies. O desafio agora é reverter
esse quadro e evitar o desastre


Vanessa Vieira e Roberta de Abreu Lima

A extinção de animais faz parte do processo de evolução da vida na Terra – calcula-se que apenas 3% das espécies que já vieram ao mundo existam hoje na natureza. Mas não há nada de ciclo natural no que está acontecendo agora. Nas últimas décadas, com a colaboração da atividade humana, a extinção de animais tem ocorrido a uma velocidade 5.000 vezes maior do que no passado. Uma pesquisa divulgada na semana passada pela World Conservation Union (IUCN) mostra que os primatas, os parentes mais próximos dos humanos na escala evolutiva, nunca estiveram tão ameaçados. Segundo o estudo, 29% das 394 espécies de primatas correm o risco de desaparecer até o fim do século. No estudo anterior da IUCN, realizado há dois anos, esse porcentual era de 25%. A pesquisa destaca os 25 primatas mais vulneráveis e o local onde eles vivem. A lista deste ano traz uma surpresa. O Brasil deixou de figurar no ranking dos países que abrigam as espécies mais ameaçadas. O mico-leão-da-cara-preta, o macaco-prego-do-peito-amarelo e o mono-carvoeiro, embora não estejam a salvo, saíram da classificação de alerta máximo (veja o quadro abaixo). Os países campeões nesse indicador negativo são o Vietnã e o Madagáscar, cada um com quatro espécies ameaçadas.

O sumiço dos primatas é provocado basicamente por três fatores: a destruição das florestas que lhes servem de habitat, o comércio ilegal de exemplares vivos e a caça indiscriminada. Das 25 espécies sob maior risco, 22 vivem na Ásia e na África e três na América do Sul – na Colômbia, no Peru e no Equador. "No Vietnã e em toda a Ásia há uma grande dificuldade de proteger as espécies por causa das barreiras culturais. Existe uma grande procura pelos ossos, pela pele e até pelos fluidos dos primatas, usados na medicina tradicional", diz o americano Anthony Rylands, diretor do Centro de Pesquisas Aplicadas à Biodiversidade da Conservation International. Em Madagáscar, um dos campeões no desaparecimento de primatas, as queimadas e o corte de florestas para abrir espaço à agricultura são os principais responsáveis pela ameaça à sobrevivência das espécies.

A redução nas populações de primatas também tem impacto negativo na preservação das florestas que os abrigam. Eles desempenham funções no equilíbrio do ecossistema, como a dispersão de sementes das muitas plantas que usam para se alimentar. Em alguns países da Ásia e da África, inclusive Madagáscar, a solução encontrada pelos governos para frear a devastação da fauna foi desenvolver o turismo ecológico. Monta-se uma infra-estrutura mínima para receber turistas interessados em ver espécies exóticas e envolvem-se as comunidades locais no projeto, mostrando que elas podem ganhar dinheiro com a preservação da natureza. Para essas comunidades, a derrubada das florestas e a caça ilegal deixam de ser as únicas formas de subsistência.

17 exemplares são tudo o que resta do Gibão de Hainan. Há 50 anos eram 2 000 os representantes da espécie

3 espécies de lêmures, os pequenos primatas de Madagáscar, estão ameaçadas de extinção

7 000 orangotangos de Sumatra sobrevivem na natureza. O governo indonésio tenta salvá-los em áreas de proteção ambiental

 

O Brasil fora do alerta vermelho

Zig Koch

Mico-leão-da-cara-preta: apenas 400 vivem no Paraná, mas a situação já foi pior


Sempre que um animal se torna seriamente ameaçado de extinção, os órgãos ambientalistas internacionais fazem o possível para deter o processo de diminuição dos exemplares da espécie . Foi o que aconteceu há dois anos, quando três primatas nativos do Brasil, o mico-leão-da-cara-preta, o macaco-prego-do-peito-amarelo e o mono-carvoeiro, foram declarados sob alto risco de desaparecer. A World Conservation Union, por meio de seus representantes no Brasil, embrenhou-se pelo habitat do macaco-prego e conversou com fazendeiros e com a população local para convencê-los da importância de preservar os animais. O mesmo fez a ONG Instituto de Pesquisas Ecológicas, que funciona com fundos de instituições estrangeiras como o Zoológico de Parco, no norte da Itália. Uma equipe do instituto realizou estudos e projetos de conscientização ambiental no Parque do Superagüi, no norte do Paraná, onde vivem os últimos 400 micos-leões-da-cara-preta. Ações como essas parecem tímidas, mas surtem efeito em regiões nas quais muitas vezes os habitantes nem sequer têm idéia do que seja preservação ambiental.

 




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