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7 de novembro de 2007
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Estilo
Legiões urbanas

Sandália inspirada nos soldados romanos
conquista as ruas nos dias quentes


Silvia Rogar

 
Fotos Reginaldo Teixeira
A sandália-bota domina o Rio: com saia, short ou legging, a graça do contraste entre o leve e o pesado

Como tantas coisas na civilização ocidental, tudo começou com os romanos. Dos pés dos legionários do império, onde prestavam bons serviços com um calçado arejado e resistente, com amarrações subindo pernas acima e tachas na sola, as sandálias-bota praticamente saltaram direto para a passarela da Chanel. Pelo menos, no tocante à moda. A esdrúxula combinação de dedinhos de fora com uma espécie de polaina cobrindo o tornozelo apareceu há dois anos num desfile da grife francesa. Desde então, como os soldados romanos, conquistou o mundo. No Rio de Janeiro, as jovens antenadas que andam de sandálias-bota são, literalmente, legiões. O sucesso surpreendeu até lojistas acostumados a identificar o que vai pegar na faixa da turma louca por novidades. "Achamos que era conceitual demais, mas os primeiros 200 pares se esgotaram em poucos dias. Já estamos providenciando um estoque reforçado para as festas de fim de ano", diz Renata Benveniste, estilista de acessórios da Farm, marca carioca com dezesseis lojas no país e bom radar para o consumo jovem. "Vendemos bem tanto em Ipanema quanto em Goiânia. Nosso primeiro pedido foi de 300 pares, mas dobramos a quantidade no segundo", informa outra profissional do setor, Thatiana Amorim, sócia da Dress To Kill, marca que tem 22 lojas e começou a vender a sandália há um mês.

A sandália-bota se presta à combinação leve-e-pesado, acompanhada de shorts, saias e vestidos de verão (ela é a parte pesada, claro). É um desperdício usá-la com calça comprida, pois o efeito se perde, exceto no caso das leggings bem justas, o que permite a sobreposição. "É uma daquelas peças que chamam atenção e o marido se assusta quando vê. É preciso ter bom senso", diz a carioca Geórgia Malafaia, 33 anos, adepta de primeira hora de um par vermelho, que custou 163 reais. (Se for preciso um argumento para impressionar por alguns segundos o marido, lembre que as sandálias descendem das caligae dos soldados romanos – que homem não adora uma história de legionários?) Antes que alguém dispense a novidade como modismo passageiro, um aviso: Prada e Balenciaga, duas das grifes que costumam ditar o que fabricantes do mundo inteiro vão imitar, mostraram em seus últimos desfiles sandálias-bota ainda mais elaboradas, de cano longo, subindo até o joelho. Por mais uma estação, no mínimo, a luta continua.



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