BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2033

7 de novembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Gustavo Ioschpe
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Carta ao companheiro
e comandante

Companheiro Lula. Se me permite. Acho que ainda é tempo. Deixa pra lá essa tal de CPMF. Ou combine com seus companhos, afetos, apaniguados, todos os seus goodfellas, e também todos os seus adversários de boa-fé: a CPMF fica. Mas todo o dinheiro vai, como era idéia do Jatene, pra saúde. Não, corrige aí: pra doença.

Mas tu me perguntarás, na tua eterna dúvida filosófica: "E como é que vou governar, Millôr? O Manteiga disse que sem essa gaita não é possível tocar o país, quero dizer, o Bolsa Família".

Honesto Lula (Otelo, do Shakespeare, pro Iago, do mesmo), a coisa é tão simples que salta aos olhos de um cego (deficiente visual): Libera as drogas! Tudo. É. TUDO!

Olha, companho, o dinheiro dos impostos sobre drogas (e fabrico e comercialização, transporte, tudo devidamente estatizado) vai dar até pra avião novo e algum pra distribuir entre os afro-africanos.

"Liberar drogas, Millôr, tu tá maluco? Só o Gabeira vai ficar a favor! Tu te responsabiliza pelo que vem depois?"

Eu não me responsabilizo por pomba nenhuma, companho, não sei o que vai acontecer depois. Quem tem prospectiva, expectação, probabilidades, antevisão, prenúncio, conjectura, prognóstico, antevisão, cheirar ao longe, prelibação, presciência, vaticínio, é economista. Pergunta aos economistas aí. Tem tanto.

Mas uma coisa eu te garanto: liberadas as drogas, na mesma hora, não é no dia seguinte, não, companho, desaparece o traficante. Não precisa esperar os tais 20 anos pra que a educação e o apoio social (escolas, creches, centros de cultura e o escambau) resolvam a questão. E uma coisa eu prevejo, companho – ninguém morre mais de bala perdida.

Efeito negativo – sei lá. Os Estados Unidos, que tanta coisa nos encinam, encinam ou insinão?, podem nos ensinar também essa. Nos 10 ou 12 anos que teve por lá a Prohibition (no Brasil Proibição ou, mais popular, Lei Seca) nunca se bebeu tanto. Imediatamente, como aqui, se criou o "crime organizado". E a polícia corrupta. O mínimo que os policiais honestos faziam era revelar uma batida. Lembra alguma coisa? Nos speakeasy ("Falabaixo!, cara, tem sempre gente ouvindo") era um luxo encher a cara.

Reinava então, rei de Chicago, o saudoso Al Capone (diz aí sinceramente: se aparecer um filme novo com ele você vai ou não vai correndo ao cinema?). Cada tempo tem o Che Guevara que merece.

E, lá como aqui, ninguém escapava – até o genial Piazzola, com 12 anos, de vez em quando o pai mandava entregar uma encomenda de moonlight (uísque de banheira). Avião, sim, senhor.

Suspensa a Lei Seca, é claro que o crime derivou pra outras formas de lucro, como seqüestro e "proteção".

Claro que aqui – agora vou bancar o economista e prever – o crime também vai pra outros lados. Mas bala perdida, repito, nunca mais. Nem a morte e o crime estarão localizados em áreas onde vive grande parte da população pobre.

E é evidente que vai aumentar muito o assalto a banco. Quanto a isso, juro, não tenho opinião formada. Eles que são brancos que se entendam.




Publicidade

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |