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Edição 1 725 - 7 de novembro de 2001
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Jorge Cysne

"A idéia de que as mulheres castradas perdem o desejo é um grande equívoco. A libido continua igual."
Eliane Giardini, a Nazira da
novela O Clone, contando o que aprendeu em dez dias no Marrocos

"Respeito mais um nome de direita com causa do que um de esquerda sem."
Cristovam Buarque, ex-governador petista do
Distrito Federal, criticando candidatos de oposição

"Lembrem-se de que sou gaiteiro e torneiro mecânico de profissão."
Pratini de Moraes, ministro da Agricultura,
numa comparação com Lula ao se colocar à disposição do PPB para concorrer à Presidência da República

"Defendo uma polícia ostensiva e forte nas áreas críticas. Se for necessário, com a Rota na rua."
José Genoíno, deputado federal,
pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT, roubando uma bandeira de Maluf

"Vamos nos livrar das outras fontes do terrorismo internacional. Nós nunca vamos nos descuidar do regime de Saddam Hussein."
Colin Powell, secretário de Estado americano

"Dei um carteiraço."
Diógenes Oliveira, caixa da última campanha eleitoral do PT gaúcho, admitindo que pediu ao então chefe de polícia, Luiz Fernando Tubino, que não reprimisse o jogo do bicho

"Os americanos nos atacarão em novembro, durante o mês sagrado do Ramadã."
Udai Hussein, filho de Saddam,
convencido de que o Iraque é o próximo alvo

"Não é provável que o Talibã e a Al Qaeda tenham um feriado."
Donald Rumsfeld,
secretário da Defesa dos EUA, rejeitando uma trégua durante o Ramadã

"Os inimigos estão vencendo."
Terry Moran,
jornalista da rede de
TV americana ABC, exibindo impaciência com a demora de resultados nas ações militares no Afeganistão

"A guerra passada resultou na divisão da União Soviética. Se a Rússia interferir desta vez, será dividida em mais partes."
Amir Jan Mutaki, mulá e porta-voz do Talibã, ameaçando a Rússia por seu apoio à Aliança do Norte

 
Eliane Coster

"Quero é sair daqui."
Cazé, apresentador de TV, que não
terá seu contrato renovado com a Globo

"Não estou disposto a implorar."
Pervez Musharraf,
presidente do Paquistão, sobre a recusa do primeiro-ministro indiano, Atal Vajpayee, em encontrar-se com ele na ONU para tratar da paz na Caxemira

"Nós, alemães, nos acostumamos à idéia de ser um gigante econômico e um anão político."
Gerhard Schroeder, chanceler da Alemanha,
defendendo a participação do país na campanha militar no Afeganistão

"Precisamos fazer parte da coalizão de combate ao terror o mais rápido possível."
Junichiro Koizumi, primeiro-ministro japonês,
justificando a aprovação da lei que acaba com a neutralidade militar do país, vigente desde o pós-II Guerra

"Os mortos são todos soldados inimigos, de uniforme no Pentágono e de gravata em Nova York."
Illich Ramírez Sánchez, o terrorista Carlos,
o Chacal, cumprindo prisão perpétua em Paris, justificando os atentados aos EUA

"Quero ter a garantia de que não estamos sendo usados como um instrumento de propaganda dos talibãs."
Walter Isaacson, executivo da rede americana de TV CNN, pedindo a seus repórteres na guerra que evitem vitimizar os afegãos

"Não subo mais em palanque."
Lucélia Santos, a escrava Isaura, garantindo que o
eleitor não vai ter de aturá-la nos comícios

"Nunca teria saúde para isso."
Stênio Garcia, ator, referindo-se à disposição
de Ali, seu personagem na novela O Clone, que é casado com três mulheres

"Há duas coisas que não se fazem sem café: filme e guerra."
Charlton Heston, o Ben-Hur, reclamando
da qualidade do café servido no set de filmagem em Manaus

 
Jacques Brinon/AP

"Vive la France!"
Fernando Henrique
Cardoso, presidente da República, depois de discursar na Assembléia Nacional francesa

 
ARC* E – DE NOVO– VIDA EM MARTE

TEAGÁ

– Então, marciano, tem mais uma sonda espacial rondando o teu planeta...

– Vocês não têm jeito mesmo: gastando dinheiro para bisbilhotar a vida de outros mundos.

– E daí, Arc, a gente quer saber se há vida fora da Terra.

– E se houver? Vocês não sabem nem o que fazer com a vida no planeta de vocês. Aliás, sabem, sim, sabem como acabar com ela.

– Lá vem você de novo com a guerra...

– E tem coisa mais séria?

– Não. Mas a gente não pode parar o progresso da ciência, da tecnologia, da...

– ...quanto dinheiro é gasto na exploração do espaço?

– Sei lá, marciano. Imagino que bilhões, trilhões de dólares.

– E que tal usar essa dinheirama toda para resolver os problemas deste planeta: fome, doenças, ignorância, liberdade?

– Arc, nós não podemos impedir que alguns países mais ricos gastem os próprios recursos para explorar o espaço. E há sempre boas razões para isso, entende?

– Não, né? Se vocês não se entendem entre si neste planeta, imagine se descobrirem vida em outro planeta...

– A gente vai trocar experiências...

– Troca? O que vocês vão ganhar ninguém sabe, mas os outros vão ganhar fome, doenças, ignorância...

– Arc, chega!

* Arc é marciano e invisível e vem regularmente à Terra, inclusive ao Brasil, para ver se vale a pena Marte investir aqui. Por enquanto, ele está achando que não dá... (arc.marciano@abril.com.br)

 

Editado por Julio Cesar de Barros


 
 

Foto Dilmar Cavalher/Strana
   
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