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Brasil Faxina
na Fazenda Chefe-de-gabinete de Palocci pede
demissão um dia após admitir ter agendado encontro do ministro
a pedido da Máfia do Lixo, conforme VEJA havia informado
Lula Marques/Folha Imagem  |
O AMIGÃO
DE BURATTI
Dourado, que seguia Palocci havia treze anos:
mais lambanças do assessor devem vir à luz |
Desde que a atual crise política eclodiu,
VEJA tem revelado a cada semana mais detalhes das entranhas do governo petista.
Não tem sido raro, nem é de espantar, as capas da revista causarem
polêmica. O tempo e as investigações, no entanto, têm
se encarregado de comprovar cada uma das informações publicadas.
Foi assim com as ameaças de Roberto Jefferson ao governo, com as ligações
entre o PT e Marcos Valério e com o desgaste da imagem do presidente Lula.
Na semana passada, a comprovação veio em dose dupla: com uma confissão
e um pedido de afastamento. Juscelino Dourado, chefe-de-gabinete do ministro Antonio
Palocci, deixou o governo. Em sua edição de 24 de agosto passado,
VEJA publicou na capa a informação de que o lobista Rogério
Buratti, ex-assessor de Palocci e um dos mentores da máfia, agendava encontros
de empresários com o ministro da Fazenda. Usava Dourado como intermediário.
A revelação de VEJA provocou a ira dos provectos observadores da
imprensa que entoaram seu lamento de analistas oficiais do regime. O ministro
simplesmente cumpriu seu papel e, em uma entrevista coletiva, com o carisma e
a inteligência verbal de sempre, refutou os pontos principais da reportagem,
circunavegou ou simplesmente omitiu outros.
Na semana passada, em depoimento à CPI dos Bingos, Juscelino Dourado confirmou
o que VEJA escrevera: a pedido de Buratti, marcou uma reunião do ministro
com a diretoria do grupo português Somague em 2003. A revista apurou também
que outros empresários usaram o mesmo caminho para ser recebidos. Até
aqui o que se tem é a negação oficial, mas, a se manter a
dinâmica própria da atual crise, não será surpresa
se outras confirmações vierem à luz. Depois do desastre que
provocou, Dourado pediu demissão. Foi o ponto culminante de uma semana
terrível. Na segunda-feira, já havia sido apontado como o pivô
de um esquema de caixa dois montado para obter dinheiro da empreiteira Leão&Leão
a mesma que é acusada de pagar mensalão à prefeitura
de Ribeirão Preto quando o atual ministro era o prefeito da cidade. Palocci
não soube ou não pôde livrar-se de auxiliares e amigos do
passado que não entenderam a portentosa dimensão que sua figura
adquiriu no cenário nacional. Sai chamuscado do episódio. Pelo imenso
serviço prestado na manutenção e no aperfeiçoamento
da ordem econômica que o governo do PT recebeu de Fernando Henrique Cardoso,
o ministro poderia ter sido poupado de tanto transtorno. |