Edição 1921 . 7 de setembro de 2005

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Brasil
Faxina na Fazenda

Chefe-de-gabinete de Palocci pede
demissão um dia após admitir ter
agendado encontro do ministro a
pedido da Máfia do Lixo, conforme
VEJA havia informado


Lula Marques/Folha Imagem
O AMIGÃO DE BURATTI
Dourado, que seguia Palocci havia treze anos: mais lambanças do assessor devem vir à luz


NESTA REPORTAGEM
Quadro: VEJA estava certa

NESTA EDIÇÃO
A propina de Severino
Morte da ética em Severino
Os "cassáveis"
Espião X espião

Desde que a atual crise política eclodiu, VEJA tem revelado a cada semana mais detalhes das entranhas do governo petista. Não tem sido raro, nem é de espantar, as capas da revista causarem polêmica. O tempo e as investigações, no entanto, têm se encarregado de comprovar cada uma das informações publicadas. Foi assim com as ameaças de Roberto Jefferson ao governo, com as ligações entre o PT e Marcos Valério e com o desgaste da imagem do presidente Lula. Na semana passada, a comprovação veio em dose dupla: com uma confissão e um pedido de afastamento. Juscelino Dourado, chefe-de-gabinete do ministro Antonio Palocci, deixou o governo. Em sua edição de 24 de agosto passado, VEJA publicou na capa a informação de que o lobista Rogério Buratti, ex-assessor de Palocci e um dos mentores da máfia, agendava encontros de empresários com o ministro da Fazenda. Usava Dourado como intermediário. A revelação de VEJA provocou a ira dos provectos observadores da imprensa que entoaram seu lamento de analistas oficiais do regime. O ministro simplesmente cumpriu seu papel e, em uma entrevista coletiva, com o carisma e a inteligência verbal de sempre, refutou os pontos principais da reportagem, circunavegou ou simplesmente omitiu outros.

Na semana passada, em depoimento à CPI dos Bingos, Juscelino Dourado confirmou o que VEJA escrevera: a pedido de Buratti, marcou uma reunião do ministro com a diretoria do grupo português Somague em 2003. A revista apurou também que outros empresários usaram o mesmo caminho para ser recebidos. Até aqui o que se tem é a negação oficial, mas, a se manter a dinâmica própria da atual crise, não será surpresa se outras confirmações vierem à luz. Depois do desastre que provocou, Dourado pediu demissão. Foi o ponto culminante de uma semana terrível. Na segunda-feira, já havia sido apontado como o pivô de um esquema de caixa dois montado para obter dinheiro da empreiteira Leão&Leão – a mesma que é acusada de pagar mensalão à prefeitura de Ribeirão Preto quando o atual ministro era o prefeito da cidade. Palocci não soube ou não pôde livrar-se de auxiliares e amigos do passado que não entenderam a portentosa dimensão que sua figura adquiriu no cenário nacional. Sai chamuscado do episódio. Pelo imenso serviço prestado na manutenção e no aperfeiçoamento da ordem econômica que o governo do PT recebeu de Fernando Henrique Cardoso, o ministro poderia ter sido poupado de tanto transtorno.

 
 
 
 
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