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Malhação
capitalista
Academias em empresas fazem
muito bem aos funcionários e
mais ainda aos negócios
Anna
Paula Buchalla
Reginaldo Teixeira
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| Ginástica
na Coca-Cola: avaliação física a cada três meses |
A
idéia surgiu nos Estados Unidos, é claro. Com um contingente
altíssimo de funcionários gordos e sedentários, as
empresas resolveram fazer as contas do prejuízo causado pelos maus
hábitos. Descobriram que não era pouco o dinheiro que perdiam
com as faltas ao trabalho e os gastos com doenças. Os cálculos
mostram que, em 1980, os custos do sistema de saúde americano com
tratamentos de distúrbios decorrentes de um estilo de vida inadequado
foram de 173 bilhões de dólares. Em 2000, atingiram inacreditáveis
910 bilhões. Cerca de 30% dessa conta é paga pelas empresas.
A quantia é tão alta que justifica investimentos pesados
em programas de prevenção. Em outras palavras, a ordem é
botar os funcionários para malhar. Entre tantos outros benefícios,
os exercícios fortalecem o sistema imunológico, baixam a
ansiedade e melhoram o humor. Das 1.000 maiores companhias do país,
93% hoje possuem uma academia de ginástica. Já são
4.300 empresas equipadas com o que batizaram de "fitness corporativo"
para seus funcionários. É a malhação capitalista,
baseada na constatação de que funcionário saudável
trabalha melhor e falta menos. Em números, isso significa que,
para cada dólar investido em atividade física, se economizam
3,2 dólares em custos médicos.
A preocupação dos americanos já fez eco no Brasil.
Há pouco mais de um ano, as empresas nacionais passaram a investir
em academias de ginástica. Se você está imaginando
uma salinha improvisada, com uma esteira num canto, uma bicicleta ergométrica
no outro e uma TV antiga no meio, esqueça. Para funcionarem de
fato, esses programas exigem um ambiente e características técnicas
semelhantes aos das melhores academias. É preciso ter professores
bem preparados, aparelhos de primeira linha e programas que incentivem
os funcionários a suar a camiseta. "O fitness isolado vira recreação.
Um programa, para dar certo, tem de ser atrativo o suficiente para manter
os alunos e ter preocupação com os resultados", diz o médico
Carlos Heitor Bergallo, consultor de saúde e fitness para empresas.
Além do incentivo à malhação, as empresas
brasileiras passaram a controlar o cardápio dos bandejões
e a custear exames de rotina, como check-ups anuais.
Selmy Yassuda
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| Academia
da Souza Cruz: redução de 40% nas visitas ao ambulatório
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O
grande chamariz dos programas de ginástica está em oferecer
aos funcionários a possibilidade de freqüentar a academia
a qualquer hora do dia, sem desembolsar nem um tostão. De tempos
em tempos, eles são submetidos a avaliações físicas
para saber a quantas anda o objetivo de seus programas. Na Coca-Cola,
as aferições são trimestrais. A adesão à
academia na sede da empresa, no Rio de Janeiro, chega a 40% um
recorde se comparado aos níveis médios mundiais, de 15%
a 20%. O caso da maior fabricante de cigarros do Brasil, a Souza Cruz,
também é exemplar. Os resultados do programa de fitness
estão compensando o investimento de 1,2 milhão de dólares:
com a adesão de 80% dos funcionários, as consultas nos ambulatórios
da companhia caíram quase 40% desde a inauguração
da academia, no ano passado. Se boa parte não fumasse, os resultados
seriam ainda melhores.
Na Johnson & Johnson, em São José dos Campos, a inauguração
do centro de convivência com sala de ginástica, no ano passado,
foi acompanhada de uma iniciativa meio enervante por parte do departamento
de recursos humanos. No fim do dia, os 4.000 funcionários recebiam
a seguinte mensagem na tela do computador: "Hora da ginástica!"
Parecia ordem de patrão, mas foi recebida com simpatia. No escritório
central da rede de supermercados Pão de Açúcar, em
São Paulo, a infra-estrutura inclui exames físicos detalhados,
como a medição dos índices de gordura corporal, e
assistência nutricional. Lá, freqüentam a academia 1
200 dos 2 000 funcionários. São mais de 1.000 metros quadrados
de instalações e equipamentos comparáveis aos dos
melhores centros de ginástica. O hospital paulista Santa Joana
montou um espaço exclusivo para exercícios aeróbicos
e de musculação. As instalações esportivas
à disposição de 3.000 médicos incluem quadras
de tênis. "As pessoas se esquecem de que médicos também
sofrem com problemas de pressão alta, excesso de gordura e sedentarismo",
diz o personal trainer Eduardo Sant'Anna, que coordena a academia. Então
fica combinado assim: não basta ter carteira assinada. É
preciso também dispor de academia no serviço.
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