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O Ministério da Saúde aprova
o uso do Xenical para o
tratamento do diabetes tipo 2
Paula
Neiva

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O
Ministério da Saúde acaba de aprovar o uso do Xenical, a
pílula contra a obesidade, como auxiliar no tratamento do diabetes
tipo 2. É a primeira vez que um remédio para emagrecer recebe
essa indicação. Há no mercado uma centena de drogas
que sabotam a fome e aumentam a sensação de saciedade, mas
todas interferem nos mecanismos cerebrais do paciente. Entre seus inúmeros
efeitos colaterais, um representa grande ameaça aos diabéticos:
a elevação da pressão arterial. Como o diabetes é
uma doença que predispõe a problemas cardiovasculares, os
perigos tornam-se ainda maiores quando os doentes sofrem também
de pressão alta. Fabricado a partir de uma substância chamada
orlistat, o Xenical não oferece esse risco porque age diretamente
no intestino, impedindo a absorção de 30% da gordura ingerida.
O diabetes é uma doença que faz com que o pâncreas
se torne incapaz de produzir o hormônio insulina na quantidade necessária
para promover a absorção do açúcar pelas células.
O primeiro resultado dessa disfunção é o aumento
dos níveis de glicose no sangue. Deixado a seu próprio curso,
o diabetes pode levar à cegueira, à impotência sexual,
à necessidade de amputação das pernas e até
à morte. Há duas formas da doença, o tipo 1 e o tipo
2. O último é o mais comum e o que se associa aos maus hábitos
da vida moderna, como dietas ricas em gorduras, sedentarismo e obesidade.
Dos mais de 8 milhões de brasileiros que sofrem de diabetes do
tipo 2, 80% estão acima do peso. Para eles, emagrecer é
imprescindível.
Montagem com foto de J. Miranda
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Há vários estudos que comprovam a eficácia do uso
do Xenical por diabéticos. Aliada a uma alimentação
pouco calórica, a droga promove uma redução rápida
de massa corporal. E o mais importante: com ela, os pacientes conseguem
manter o novo peso. Depois de um ano, quem não toma Xenical tende
a recuperar pelo menos a metade dos quilos perdidos. Quem usa o remédio
mantém uma redução de 5%, em média, da massa
corporal. "Pode parecer pouco, mas essa perda já é suficiente
para trazer benefícios aos pacientes", diz o endocrinologista Simão
Lottenberg, chefe da Liga de Diabetes do Hospital das Clínicas,
de São Paulo. Ao manter o ponteiro da balança em patamares
mais baixos, os pacientes registram uma queda nos níveis de açúcar
no sangue e nas taxas de triglicérides e de colesterol, além
de uma diminuição da pressão arterial. Com esses
parâmetros sob controle, os diabéticos adquirem maior proteção
contra duas das conseqüências mais nefastas da doença:
os infartos e os derrames.
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