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Edição 1 763 - 7 de agosto de 2002
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Mais um aliado

O Ministério da Saúde aprova
o uso do Xenical para o
tratamento do diabetes tipo 2

Paula Neiva

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Reportagem de 14/4/1999: "O inimigo somos nós"
Reportagem de 21/10/1998: "A pílula que faz a dieta"
Reportagem de 4/9/1996: "Dieta química"

O Ministério da Saúde acaba de aprovar o uso do Xenical, a pílula contra a obesidade, como auxiliar no tratamento do diabetes tipo 2. É a primeira vez que um remédio para emagrecer recebe essa indicação. Há no mercado uma centena de drogas que sabotam a fome e aumentam a sensação de saciedade, mas todas interferem nos mecanismos cerebrais do paciente. Entre seus inúmeros efeitos colaterais, um representa grande ameaça aos diabéticos: a elevação da pressão arterial. Como o diabetes é uma doença que predispõe a problemas cardiovasculares, os perigos tornam-se ainda maiores quando os doentes sofrem também de pressão alta. Fabricado a partir de uma substância chamada orlistat, o Xenical não oferece esse risco porque age diretamente no intestino, impedindo a absorção de 30% da gordura ingerida.

O diabetes é uma doença que faz com que o pâncreas se torne incapaz de produzir o hormônio insulina na quantidade necessária para promover a absorção do açúcar pelas células. O primeiro resultado dessa disfunção é o aumento dos níveis de glicose no sangue. Deixado a seu próprio curso, o diabetes pode levar à cegueira, à impotência sexual, à necessidade de amputação das pernas e até à morte. Há duas formas da doença, o tipo 1 e o tipo 2. O último é o mais comum e o que se associa aos maus hábitos da vida moderna, como dietas ricas em gorduras, sedentarismo e obesidade. Dos mais de 8 milhões de brasileiros que sofrem de diabetes do tipo 2, 80% estão acima do peso. Para eles, emagrecer é imprescindível.


Montagem com foto de J. Miranda


Há vários estudos que comprovam a eficácia do uso do Xenical por diabéticos. Aliada a uma alimentação pouco calórica, a droga promove uma redução rápida de massa corporal. E o mais importante: com ela, os pacientes conseguem manter o novo peso. Depois de um ano, quem não toma Xenical tende a recuperar pelo menos a metade dos quilos perdidos. Quem usa o remédio mantém uma redução de 5%, em média, da massa corporal. "Pode parecer pouco, mas essa perda já é suficiente para trazer benefícios aos pacientes", diz o endocrinologista Simão Lottenberg, chefe da Liga de Diabetes do Hospital das Clínicas, de São Paulo. Ao manter o ponteiro da balança em patamares mais baixos, os pacientes registram uma queda nos níveis de açúcar no sangue e nas taxas de triglicérides e de colesterol, além de uma diminuição da pressão arterial. Com esses parâmetros sob controle, os diabéticos adquirem maior proteção contra duas das conseqüências mais nefastas da doença: os infartos e os derrames.


   
 
   
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