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Muito me agrada o enfoque que a revista tem dado a assuntos tão
pertinentes ao ser humano. Desejo, paixão, culpa. É importante
que se esclareça a necessidade da busca interior de cada indivíduo
direcionada à sua "cura". Em sua singularidade, o indivíduo
busca a análise para identificar suas angústias. É
necessário, contudo, saber da formação ética
e moral do profissional em questão, para obter melhores resultados
("A culpa de cada um", 31 de julho).
A culpa é um sentimento pernicioso, incutido em nós pelo
cristianismo, como forma de nos controlar. Nascemos culpados, crescemos
culpados, vivemos culpados. E, em momentos de crise e de carências
diversas, essa culpa se aprofunda como um fantasma incômodo e perturbador.
Tenho 25 anos e estou começando minha vida profissional. Mas desde
que estava estagiando já convivia com várias situações
expostas na reportagem. No campo afetivo, em conversas com amigos, são
cada vez mais comuns assuntos como o desempenho sexual e o arrependimento
por não estar aproveitando a vida com mais afinco.
A paciente de que fala o doutor Antonio Carlos Buzaid no quadro "Quando
a morte faz parte da rotina" é minha mãe, falecida no último
dia 8 de julho, no Hospital Sírio Libanês, em São
Paulo. Ela se foi agradecendo, pois, a despeito da gravidade de sua doença,
esteve sob os cuidados desse brilhante ser humano e profissional. Minha
família e eu jamais nos esqueceremos do carinho, dedicação,
atenção e empenho que o doutor Buzaid e sua equipe dedicaram
a nossa querida Maria Zélia.
Muito esclarecedora a entrevista com o prêmio Nobel de Medicina
David Baltimore (Amarelas, 31 de julho). A sociedade, de modo geral, precisa
rever seus conceitos, destruir tabus e enxergar as pesquisas com embriões,
ou mesmo a clonagem, como a esperança para os portadores dos males
hoje incuráveis.
Um ser humano não plenamente desenvolvido é tão humano
quanto um que já o seja, pois o fato de esse processo não
ter atingido seu ápice não muda o sujeito em questão.
A pesquisa com células-tronco embrionárias é tão
homicida quanto obrigar uma pessoa a doar seu coração, seus
dois rins, todo o seu corpo para o progresso da ciência. Além
disso, atualmente as pesquisas com células-tronco não embrionárias
apresentam resultados mais promissores e palpáveis.
Importante e oportuno o artigo "Livrai-nos dos crédulos" (Ponto
de vista, 31 de julho), de Claudio de Moura Castro. Precisamos refletir
e pôr em prática todo o nosso senso crítico, não
só em relação aos candidatos à Presidência
como também aos meios de comunicação, que podem manipular
informações, favorecendo uns e prejudicando outros.
Excelente a reportagem "Lulalice no país das maravilhas" (31 de
julho). Texto que deveria ser indicado como leitura obrigatória,
principalmente para os eleitores de primeira viagem. É
de grande importância desmascarar esse coelho que tantos tentam
tirar da cartola. Não pode ficar o eleitor sujeito ao velho discurso
salvacionista que se repete a cada eleição. Conhecer a realidade
de forma ampla e racional é fundamental para um voto consciente.
No discurso dos candidatos "de oposição" só falta
eles afirmarem que, se eleitos, cada brasileiro receberá de presente
um carrão novo. Talvez até achem que terão recursos
para tal, com o dinheiro que conseguirão de soluções
mágicas, como "o controle seletivo da remessa de divisas" e o "alongamento
compulsório" da dívida pública (mais conhecidos como
a dupla calote e confisco) e outras artimanhas para subtrair a poupança
alheia.
O artigo, que brinca com a fantasia, nos joga de frente para uma realidade
nua. Para nos livrarmos desses quatro cavaleiros do apocalipse, será
que apelar para Deus vale?
Cumprimento VEJA pela imparcialidade quanto às intenções
dos candidatos à Presidência, demonstrando assim o respeito
a seus leitores e também aos eleitores, que merecem mais seriedade
nessa "ciranda" de promessas abusivas, nocivas e intencionalmente enganosas.
Na reportagem "O retrato do eleitor" (31 de julho), VEJA aborda com muita
precisão a discrepância numérica entre o total de
eleitores brasileiros e aqueles que têm renda suficiente para ser
contribuintes, mostrando claramente uma realidade de nosso país,
em que votar é obrigatório e a melhoria das condições
econômicas da população não merece a mesma
prioridade. Caso os eleitores com renda abaixo de 1.000 reais por mês
ficassem desobrigados de votar, sem dúvida nossos políticos
teriam uma preocupação imensa em aprovar de imediato reformas
no sentido de diminuir a brutal desigualdade social existente no Brasil.
A bem da verdade, falta às pesquisas perguntar por que muitas pessoas
votam na oposição no 1º turno para marcar posição
e eleger oposição legislativa e, no 2º turno, votam
no candidato mais preparado, para azar do Lula. Aliás, é
o que acontece em muitas democracias contemporâneas.
Sobre a reportagem "Tomou Viagra" (24 de julho), informamos que, desde
o início de 2002, o medicamento Ambien®, citado como pertencendo
à Pharmacia, não integra mais o portfólio daquela
empresa. O laboratório Sanofi-Synthélabo, que descobriu
e desenvolveu a molécula, recuperou a totalidade dos direitos de
promoção e venda do produto nos Estados Unidos.
Nunca valorizei
a Academia Brasileira de Letras, por considerar suas tradições
e posturas copiadas dos ingleses até chá eles tomam.
Agora, mais do que nunca, a Academia demonstra sua decadência. Envergonho-me
de saber que entre nomes representativos de nossa mais alta cultura literária,
como Machado de Assis e Roberto Campos, encontra-se o nome de Paulo Coelho.
Definitivamente, nem no mundo literário este país pode ser
considerado sério ("Senhores, engulam-me", 31 de julho).
O jornalista
Roberto Pompeu de Toledo sempre se faz surpreendente. A leitura de seus
ensaios é agradável, por seu linguajar direto e claro. Mas,
ao lado das sutilezas dos temas abordados, sobressai a desenvoltura de
seu raciocínio. É o caso do brilhante confronto do episódio
de Canudos com o assassinato de Tim Lopes ("Os Sertões e
o caso Tim Lopes", Ensaio, 31 de julho), que nos leva a refletir sobre
o que vem acontecendo neste país e, agora, em época de eleições,
sobre o que poderá acontecer, na medida em que os fatos políticos
passados constituem lições para nos precavermos dos dissabores
futuros.
Diogo Mainardi Com relação
à frase de Diogo Mainardi "...se os dois principais candidatos
[a presidente] cumprirem suas promessas, vai aumentar a oferta
de lavadores de pratos brasileiros nos Estados Unidos", informo que os
brasileiros não lavam pratos nos Estados Unidos. Esse trabalho
é feito pelos mexicanos. Brasileiros fazem limpeza e trabalho de
engraxate ("Nós
e os gringos", 31 de julho). No artigo
"E
Caetano revelou-se-me", na edição 1.760
(17 de julho), Diogo Mainardi se equivoca ao referir-se à expressão
"revelou-se-me", usada por Caetano Veloso, como uma mesóclise.
Na verdade, mesóclise, como o próprio nome diz (meso
= meio), é a colocação do pronome oblíquo
no meio do verbo, usada somente no tempo futuro, caso que ali não
ocorreu. O termo empregado por Caetano Veloso constitui uma dupla colocação
pronominal, caso não comum na língua portuguesa e bastante
corriqueiro na língua espanhola, que, aliás, não
tem a mesóclise em sua gramática.
Moro em
Bermudas há alguns meses. Trabalho como supervisora da recepção
de um dos resorts daqui. Achei a reportagem sobre Bermudas muito interessante.
Ela reflete a realidade do local. Apesar de a ilha propiciar uma qualidade
de vida altíssima, existe ainda o problema do tráfico de
drogas, que vem crescendo muito ultimamente. Há por volta de quarenta
brasileiros morando na ilha e que trabalham em cargos variados, desde
faxineiro até gerente. Adoro a ilha, mas sinto saudade dos brasileiros
e do Brasil ("O paraíso (fiscal) perfeito", 31 de julho). Na reportagem,
Bermudas aparece como caribenha. O referido arquipélago localiza-se
em pleno Oceano Atlântico.
Salve! Até
que enfim alguém falou a verdade a respeito de Fernando de Noronha.
Na reportagem "Lindo, caro e sujo" (31 de julho), Noronha foi retratada
como é, e não com o romantismo que contamina qualquer reportagem
sobre a ilha. Turismo caro, exploração pura e simples do
turista desavisado. Uma pena trazermos más lembranças de
um lugar tão maravilhoso. Ao ler a
reportagem sobre Fernando de Noronha, fiquei transtornada. Não
posso confirmar o que escreveram. Trabalhei na ilha dez anos atrás
e recentemente vi um melhoramento enorme, principalmente com relação
à infra-estrutura. Para mim, essa reportagem não está
de acordo com a realidade.
É
sabido que os alergistas costumam recomendar a remoção de
tapetes, carpetes e cortinas para acabar com as alergias ou diminuí-las.
No entanto, com o uso de produtos adequados e a correta manutenção,
eles não só não as causam como também ajudam
a solucionar alguns problemas de alergia ("A guerra contra as alergias",
Guia, 31 de julho).
Livros Na reportagem
de Carlos Graieb sobre o livro do filósofo Peter Singer ("O
Dr. Morte da filosofia", 24 de julho) é citado um argumento
do autor sobre a eliminação de crianças com lesões
cerebrais que impossibilitem uma vida normal. Esse raciocínio primata
seria o equivalente a alguém, quarenta anos atrás, defender
a tese do extermínio de todos os portadores de câncer, que
era incurável na época. Hoje, cientistas brasileiros estão
dando os primeiros passos na criação de neurônios
artificiais. Talvez Peter Singer possa ser socorrido por algum desses
neurônios no futuro. E, para contestar essa "mente brilhante" australiana,
valeu a pena ler o artigo "Uma
metáfora perfeita" (24 de julho), do nosso "filósofo"
Diogo Mainardi, que relata sua convivência com o assunto e produz
uma frase que poderia ser traduzida e enviada para Singer: "Uma criança
com paralisia cerebral é como a maçã de Newton, que,
caindo, revela os mecanismos secretos de funcionamento do mundo".
Os discos
dos Racionais MC's, desde Raio X do Brasil, estão cada vez
mais maduros. Sou professor e utilizo suas músicas para ilustrar
aspectos que julgo relevantes na formação crítica
para o pensar ("Irracionais MC's?", 24 de julho).
O senhor
Armínio Fraga é um ótimo exemplo de que o Brasil
precisa substituir os políticos "profissionais" pelos excelentes
profissionais que sabem ser "políticos" em seus atos ("Missão
civilizadora", 24 de julho).
Sem hesitação
nem mesmo dúvida, VEJA faz jus aos objetivos do americano Henry
Luce criador da Time, primeira revista semanal de informação.
Política, economia, esporte, cultura e lazer são algumas
das vastas áreas de informação apresentadas com muita
competência por esse veículo de comunicação
tão notável ("Uma semana de milhões de anos", Carta
ao leitor, 17 de julho).
Muito boa
a entrevista com o diplomata francês Pascal Lamy (Amarelas, 24 de
julho). Fica bem claro que o potencial do Brasil no segmento agrícola
é uma realidade invejável para outras nações.
Continuamos a bater recordes de safras e não precisamos nos ajoelhar
diante do Mercosul. Basta as condições financeiras brasileiras
serem dignas e justas que nossos agricultores terão as maiores
safras agrícolas do mundo. O senhor
Pascal Lamy deu uma entrevista interessante. Primeiro ele diz que os subsídios
aos agricultores europeus estão fora de discussão (ou seja,
continuarão). Depois afirma que a redução do protecionismo
é uma das condições para promover o desenvolvimento
e que o livre-comércio entre os países é um dos pilares
do crescimento sustentável.
Como um
homem cuja crueldade só é comparável à de
Hitler, Mussolini e Stalin pode ter simpatizantes no mundo civilizado?
Ao patrocinar atrocidades, Saddam Hussein mostra sua feição
monstruosa ("Como Saddam recompensa o terror", 24 de julho). Morei em
Jerusalém por três anos e fui vítima de um atentado
em janeiro de 2002. Até hoje sonho com o horror que vi e ouvi nos
momentos que se seguiram à explosão da bomba. Algumas semanas
atrás, perdi um de meus melhores amigos em Israel. Ele morreu no
atentado ao ônibus número 32-A, que saiu do bairro de Gilo,
em Jerusalém. A foto que ilustra a reportagem me trouxe lembranças
terríveis de uma terra que amo e que tive de abandonar. Mesmo diante
do horror da foto, espero que ela abra os olhos de muita gente que ainda
tem uma imagem errada dos cidadãos israelenses.
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