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Edição 1 763 - 7 de agosto de 2002
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Como montanha-russa


Dida Sampaio/AE
Ciro e o deputado Martinez: momento delicado

Os brasileiros estão tendo a oportunidade de acompanhar o andamento de uma campanha eleitoral que lembra os solavancos de uma montanha-russa. Primeiro foi Roseana Sarney que despontou nas pesquisas. Nas intenções de voto no primeiro turno, chegou a ficar tecnicamente empatada com Lula. No segundo turno, vencia a eleição. O Brasil discutia a chance de ser governado por uma mulher e como isso poderia mudar a sociedade quando a candidatura desabou no rastro do caso Lunus, a empresa do marido de Roseana onde a Polícia Federal encontrou mais de 1 milhão de reais em dinheiro vivo. Surgiu então o cometa Garotinho, que figurou em segundo lugar. Parecia que os eleitores estavam sendo apresentados a uma nova e poderosa força da natureza. Só que a candidatura não se sustentou e murchou. Hoje vegeta na casa dos 10% das intenções de voto, enfrenta sérias dificuldades financeiras e algumas deserções.

O tucano José Serra foi a onda seguinte, e tudo indicava que a polarização se daria entre Lula e o candidato oficial do governo tucano. Mas, numa impressionante reviravolta, Serra também despencou nas pesquisas e deu lugar a Ciro Gomes, o fenômeno do momento. Na semana passada, Ciro vivia um instante delicado, pois seu candidato a vice se tornou alvo de denúncias de irregularidade, durante a fase em que presidiu a Força Sindical, e seu coordenador-geral de campanha, o deputado José Carlos Martinez (PTB-PR), não conseguia explicar as denúncias levantadas por VEJA sobre seu envolvimento financeiro com PC Farias, o amigão de Fernando Collor. A saída acabou sendo o afastamento de Martinez da coordenação.

É impossível saber se Ciro vai manter-se num patamar alto nas pesquisas, se Serra tem capacidade de se recuperar ou mesmo se Garotinho voltará ao jogo eleitoral. Isso porque o eleitor ainda não se definiu e as intenções de voto são um tanto fluidas. Tudo pode mudar com o início da campanha da televisão. Essas oscilações dos candidatos ajudam a explicar por que razão o mercado está tão nervoso e o dólar sobe e desce como linha de eletrocardiograma. Veja reportagem.

 
 
   
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