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Carta ao leitor
Por uma Justiça que funcione
Fotos Renata Ursaia/Ana Araújo
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| Em sentido horário, Thaís (sentada),
Rizek, Cynara e Martino; no detalhe, Malu: trabalho de equipe
para mostrar os problemas e avanços no combate à
corrupção |
É um equívoco pensar que a corrupção
é um mal que afeta estritamente a administração
pública. Ela também desorganiza a economia e semeia
a dúvida entre os investidores externos. No Brasil, a percepção
dos cidadãos é a de que corruptores e corrompidos
invariavelmente dão um jeito de escapar do braço da
lei. Aos poucos, no entanto, isso está deixando de ser uma
verdade absoluta. As investigações do Ministério
Público se intensificaram e a Polícia Federal passou
a realizar operações que desmontam propinodutos. Mas
os ganhos mais efetivos nessa esfera só serão sentidos
com maior intensidade quando se removerem os entraves que estão
na base da lentidão e falibilidade do sistema jurídico
brasileiro. São tantas as manobras disponíveis hoje
para quem se dedica a escapar da lei que, com uma freqüência
muito além do aceitável, condenações
que deveriam ocorrer são evitadas pelos faltosos. Com isso,
apesar de todos os avanços, cristaliza-se a impressão
de que, para garantir a impunidade, basta contratar um advogado
que saiba agir nas brechas da legislação. Trata-se
de um dado tão mais preocupante porque não só
os culpados deixam de pagar por seus crimes como os absolvidos permanecem
sob a sombra de uma desconfiança: a de que só conseguiram
o atestado de idoneidade graças às espertezas de seu
defensor e à fragilidade das instituições jurídicas.
Para explicar que problemas o Brasil enfrenta
no combate à corrupção, identificar os progressos
feitos nesse campo e mostrar a quantas anda a vida de alguns protagonistas
de casos célebres, a editora Thaís Oyama mobilizou
os repórteres André Rizek, Cynara Menezes e Victor
Martino, em São Paulo, além do correspondente Leonardo
Coutinho, em Belém (PA). Cynara entrevistou quinze especialistas,
entre procuradores, ministros, juízes, advogados e professores
de direito. Rizek convenceu o ex-senador Luiz Estevão a falar
e driblou a resistência de Jorgina de Freitas, pivô
de um dos maiores desvios de dinheiro da história da Previdência.
Martino, por sua vez, obteve detalhes do cotidiano do notório
juiz Lalau. Para ajudar a compor o perfil do contrabandista Law
Kin Chong, suspeito de montar uma rede de corrupção
que envolvia delegados da Polícia Federal, a repórter
Malu Gaspar, da sucursal de Brasília, passou duas semanas
com investigadores e delegados da Polícia Federal. O resultado
desse trabalho está na reportagem que começa na página
82.
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