Edição 1861 . 7 de julho de 2004

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Carta ao leitor
Por uma Justiça que funcione

 
Fotos Renata Ursaia/Ana Araújo
Em sentido horário, Thaís (sentada), Rizek, Cynara e Martino; no detalhe, Malu: trabalho de equipe para mostrar os problemas e avanços no combate à corrupção

É um equívoco pensar que a corrupção é um mal que afeta estritamente a administração pública. Ela também desorganiza a economia e semeia a dúvida entre os investidores externos. No Brasil, a percepção dos cidadãos é a de que corruptores e corrompidos invariavelmente dão um jeito de escapar do braço da lei. Aos poucos, no entanto, isso está deixando de ser uma verdade absoluta. As investigações do Ministério Público se intensificaram e a Polícia Federal passou a realizar operações que desmontam propinodutos. Mas os ganhos mais efetivos nessa esfera só serão sentidos com maior intensidade quando se removerem os entraves que estão na base da lentidão e falibilidade do sistema jurídico brasileiro. São tantas as manobras disponíveis hoje para quem se dedica a escapar da lei que, com uma freqüência muito além do aceitável, condenações que deveriam ocorrer são evitadas pelos faltosos. Com isso, apesar de todos os avanços, cristaliza-se a impressão de que, para garantir a impunidade, basta contratar um advogado que saiba agir nas brechas da legislação. Trata-se de um dado tão mais preocupante porque não só os culpados deixam de pagar por seus crimes como os absolvidos permanecem sob a sombra de uma desconfiança: a de que só conseguiram o atestado de idoneidade graças às espertezas de seu defensor e à fragilidade das instituições jurídicas.

Para explicar que problemas o Brasil enfrenta no combate à corrupção, identificar os progressos feitos nesse campo e mostrar a quantas anda a vida de alguns protagonistas de casos célebres, a editora Thaís Oyama mobilizou os repórteres André Rizek, Cynara Menezes e Victor Martino, em São Paulo, além do correspondente Leonardo Coutinho, em Belém (PA). Cynara entrevistou quinze especialistas, entre procuradores, ministros, juízes, advogados e professores de direito. Rizek convenceu o ex-senador Luiz Estevão a falar e driblou a resistência de Jorgina de Freitas, pivô de um dos maiores desvios de dinheiro da história da Previdência. Martino, por sua vez, obteve detalhes do cotidiano do notório juiz Lalau. Para ajudar a compor o perfil do contrabandista Law Kin Chong, suspeito de montar uma rede de corrupção que envolvia delegados da Polícia Federal, a repórter Malu Gaspar, da sucursal de Brasília, passou duas semanas com investigadores e delegados da Polícia Federal. O resultado desse trabalho está na reportagem que começa na página 82.

 
 
 
 
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