Edição 1861 . 7 de julho de 2004

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Joss Stone


Divulgação


A estréia da cantora Joss Stone, no começo deste ano, não poderia ter sido mais audaciosa – e bem-sucedida. Loira, inglesa, e com apenas 17 anos, ela recheou seu primeiro disco, Soul Sessions, de canções gravadas originalmente por grandes nomes da música negra americana. Até os puristas do gênero reconheceram: Joss tem voz poderosa e canta sobre amor e sexo como se fosse muito mais madura do que realmente é. Ela falou, por telefone, ao repórter Sérgio Martins.

COMO UMA MENINA INGLESA BRANCA, DE 17 ANOS, SE TORNOU A NOVA SENSAÇÃO DA MÚSICA NEGRA?
Passei a infância ouvindo música negra. Em vez de perder tempo com grupos adolescentes, eu escutava os discos de Aretha Franklin e de Lauryn Hill, que por muito tempo foi minha cantora predileta. Ouvi tanto essas cantoras que assimilei o estilo delas.

VOCÊ SOA COMO UMA MULHER MADURA AO CANTAR SOBRE DOR-DE-COTOVELO E SEXO. DE ONDE TIRA A INSPIRAÇÃO PARA ISSO?
Quem disse que uma garota de 15, 16 anos não pode sofrer por amor? É claro que pode, às vezes mais que uma mulher de 30. Já tive minhas desilusões e elas me permitiram dar vida às músicas de Soul Sessions.

QUE TIPO DE DESILUSÃO?
Eu costumo ter dificuldade para arranjar namorado. Os meninos se sentem intimidados na minha presença, talvez por causa da minha voz grave. No momento, estou namorando. Só que viajo tanto que quase não o vejo. Rende uma canção dolorosa, não é?

O QUE MUDOU EM SUA VIDA COM O SUCESSO?
Alguns amigos ficaram perturbados com minha fama repentina. Por meu lado, conheci um monte de artistas do primeiro time da música pop. Fora isso, nada de muito diferente. Como minha mãe cuida do meu dinheiro, ainda não tenho idéia de como é ser rica. O máximo de luxo que me ofereço é uma suíte no Plaza, em Nova York. Mas é apenas um hotel. Não vejo tanta graça nisso.

VOCÊ AINDA ESTUDA?
Parei. Sinceramente, não via sentido em estudar assuntos que nunca serão úteis em minha vida. Não há nada mais chato do que aula de biologia.

COMO VOCÊ FOI DESCOBERTA?
Quando eu tinha 12 anos, participei de um show de talentos da rede de televisão inglesa BBC e cantei um sucesso da época da disco music. Um executivo de gravadora adorou e me contratou. Fui trabalhar ao lado de Betty Wright, uma diva da música negra. A princípio, ela me achou uma inglesinha metida. Depois, gostou tanto de mim que ligava para Stevie Wonder e Chaka Khan e me punha ao telefone para falar com eles.

SOUL SESSIONS FOI GRAVADO COM A PARTICIPAÇÃO DE ALGUNS DOS PRINCIPAIS INSTRUMENTISTAS DA MÚSICA NEGRA AMERICANA. VOCÊ FICOU INTIMIDADA AO LADO DELES?
Emocionada, sim. Intimidada, não. Eles fizeram com que eu me sentisse em casa, me trataram como se eu fosse sobrinha deles e me deram todo tipo de conselho. "Não fume, não beba, não converse com estranhos, não confie nas pessoas." Para ser sincera, quase perdi a paciência por causa disso. Deixem-me errar um pouco.

SOUL SESSIONS É UM DISCO DE VERSÕES. O PRÓXIMO TAMBÉM SERÁ ASSIM?
Não, ele trará músicas novas, de minha autoria e de outros compositores. Lenny Kravitz, com quem me encontrei recentemente, já me prometeu uma canção inédita.

LENNY KRAVITZ É UM FAMOSO PAQUERADOR. ELE PAQUEROU VOCÊ?
Ele foi um cavalheiro. Além disso, minha mãe é faixa preta de artes marciais e está sempre alerta para evitar problemas.

 
 
 
 
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