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Auto-retrato
Joss
Stone
Divulgação
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A estréia da cantora Joss
Stone, no começo deste ano, não poderia ter sido mais
audaciosa e bem-sucedida. Loira, inglesa, e com apenas 17
anos, ela recheou seu primeiro disco, Soul Sessions, de canções
gravadas originalmente por grandes nomes da música negra
americana. Até os puristas do gênero reconheceram:
Joss tem voz poderosa e canta sobre amor e sexo como se fosse muito
mais madura do que realmente é. Ela falou, por telefone,
ao repórter Sérgio Martins.
COMO
UMA MENINA INGLESA BRANCA, DE 17 ANOS, SE TORNOU A NOVA SENSAÇÃO
DA MÚSICA NEGRA?
Passei
a infância ouvindo música negra. Em vez de perder tempo
com grupos adolescentes, eu escutava os discos de Aretha Franklin
e de Lauryn Hill, que por muito tempo foi minha cantora predileta.
Ouvi tanto essas cantoras que assimilei o estilo delas.
VOCÊ
SOA COMO UMA MULHER MADURA AO CANTAR SOBRE DOR-DE-COTOVELO E SEXO.
DE ONDE TIRA A INSPIRAÇÃO PARA ISSO?
Quem disse que uma garota de 15, 16 anos não pode sofrer
por amor? É claro que pode, às vezes mais que uma
mulher de 30. Já tive minhas desilusões e elas me
permitiram dar vida às músicas de Soul Sessions.
QUE
TIPO DE DESILUSÃO?
Eu costumo ter dificuldade para arranjar namorado. Os meninos
se sentem intimidados na minha presença, talvez por causa
da minha voz grave. No momento, estou namorando. Só que viajo
tanto que quase não o vejo. Rende uma canção
dolorosa, não é?
O
QUE MUDOU EM SUA VIDA COM O SUCESSO?
Alguns amigos ficaram perturbados com minha fama repentina.
Por meu lado, conheci um monte de artistas do primeiro time da música
pop. Fora isso, nada de muito diferente. Como minha mãe cuida
do meu dinheiro, ainda não tenho idéia de como é
ser rica. O máximo de luxo que me ofereço é
uma suíte no Plaza, em Nova York. Mas é apenas um
hotel. Não vejo tanta graça nisso.
VOCÊ
AINDA ESTUDA?
Parei. Sinceramente, não via sentido em estudar assuntos
que nunca serão úteis em minha vida. Não há
nada mais chato do que aula de biologia.
COMO
VOCÊ FOI DESCOBERTA?
Quando eu tinha 12 anos, participei de um show de talentos
da rede de televisão inglesa BBC e cantei um sucesso da época
da disco music. Um executivo de gravadora adorou e me contratou.
Fui trabalhar ao lado de Betty Wright, uma diva da música
negra. A princípio, ela me achou uma inglesinha metida. Depois,
gostou tanto de mim que ligava para Stevie Wonder e Chaka Khan e
me punha ao telefone para falar com eles.
SOUL
SESSIONS FOI GRAVADO COM A PARTICIPAÇÃO
DE ALGUNS DOS PRINCIPAIS INSTRUMENTISTAS DA MÚSICA NEGRA
AMERICANA. VOCÊ FICOU INTIMIDADA AO LADO DELES?
Emocionada, sim. Intimidada, não. Eles fizeram com que
eu me sentisse em casa, me trataram como se eu fosse sobrinha deles
e me deram todo tipo de conselho. "Não fume, não beba,
não converse com estranhos, não confie nas pessoas."
Para ser sincera, quase perdi a paciência por causa disso.
Deixem-me errar um pouco.
SOUL
SESSIONS É UM DISCO DE VERSÕES. O PRÓXIMO
TAMBÉM SERÁ ASSIM?
Não, ele trará músicas novas, de minha
autoria e de outros compositores. Lenny Kravitz, com quem me encontrei
recentemente, já me prometeu uma canção inédita.
LENNY
KRAVITZ É UM FAMOSO PAQUERADOR. ELE PAQUEROU VOCÊ?
Ele foi um cavalheiro. Além disso, minha mãe
é faixa preta de artes marciais e está sempre alerta
para evitar problemas.
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