Edição 1 652 -7/6/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Mágico do Fantástico vem ao Brasil
Danielle Winits mostra os seios na novela das 7
Linha Direta enfrenta crise
28 Dias, com Sandra Bullock
Tenha Fé, com Edward Norton
A onda das versões
O centenário de Ismael Nery
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Ele é um gênio

Edward Norton surpreende outra
vez em Tenha Fé

Isabela Boscov

Jake e Brian são inseparáveis, mas têm de pôr sua amizade à prova quando surge na parada uma moça que encanta aos dois. Vista dessa maneira, a trama de Tenha Fé (Keeping the Faith, Estados Unidos, 2000), que estréia nesta sexta-feira no país, parece batida. A não ser por alguns detalhes: Jake é rabino, Brian é padre. Moderninhos, ambos são capazes de lotar seus templos com fiéis que freqüentam os cultos como se fossem a um show. Anna, a jovem pela qual os dois arrastam a asa, também não é uma heroína convencional: embora seja uma astuta mulher de negócios, ela não tem aquela dureza que costuma marcar esse gênero de personagem. Nem sequer há brigas entre o inusitado triângulo amoroso. Todas as arestas são aparadas na base da conversa, em diálogos velozes e espirituosos. Tenha Fé é a estréia na direção do ator Edward Norton, um craque na arte de reverter expectativas. Despretensioso, ele equilibra bem questões sérias, como o significado pessoal da fé, com temas leves – caso da hilariante seqüência de encontros desastrados que as mães da congregação armam para o rabino solteirão.

Tenha Fé vale sobretudo pelas atuações. Ben Stiller, de Quem Vai Ficar com Mary?, é um piadista de primeira no papel do rabino, e Jenna Elfman, do seriado Dharma & Greg, convence como aquele tipo de mulher que tem sempre uma resposta na ponta da língua. Ainda assim, Norton sobressai como o dedicado padre Brian, o exato oposto do viciado em violência que viveu em Clube da Luta. Norton é mesmo um grande intérprete. Talvez seja o único exemplo de ator que conseguiu papéis importantes em duas produções de respeito (Todos Dizem Eu Te Amo, de Woody Allen, e O Povo Contra Larry Flynt, de Milos Forman), antes mesmo que seu primeiro filme tivesse estreado nos cinemas. Seus testes para As Duas Faces de um Crime, em 1996, foram tão eletrizantes que circularam por toda Hollywood.

A escalação para As Duas Faces de um Crime, aliás, é uma dessas histórias que viraram folclore. Depois de perder Leonardo DiCaprio e testar mais de 2 000 candidatos para o papel de um rapaz caipira, gago e tímido que é acusado de assassinar um bispo, os produtores do filme já não sabiam o que fazer. Aí surgiu um sujeito magrinho, com sotaque de capiau, e arrasou. Disse que vinha do Estado jeca do Kentucky e ganhou a vaga. Era Norton, que na verdade nasceu na aristocrática cidade de Boston e se formou em história na Universidade Yale. Norton foi indicado ao Oscar pelo trabalho e depois disputou o prêmio de novo por A Outra História Americana, em que interpretava um skinhead neonazista. Aos 30 anos, pode incluir-se com tranqüilidade entre os melhores atores do momento, ao lado de Kevin Spacey, Sean Penn, Russell Crowe e Nicolas Cage. Agora se revela um cineasta promissor. Quer mais? Bem, ele namora Salma Hayek.