Pito ético
Ratinho, quem diria, dá lição
de moral à Globo
Ricardo Valladares
André Lobo
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| Rezende: mudança no Linha
Direta |
O programa Linha Direta, exibido nas noites de quinta-feira
na Globo, completou um ano de existência em meio a
uma crise. O noticioso policial comandado por Marcelo Rezende
viveu um período de euforia nos primeiros tempos,
chegando a dar picos de 42 pontos de audiência e esmagando
o concorrente Ratinho. O programa ainda é líder
no horário, mas agora sua média é bem
mais baixa 28 pontos. Para piorar as coisas, o Linha
Direta levou um "pito ético" dado, acredite
se quiser, por Ratinho. Há cerca de nove meses, o
programa global mostrou a imagem de dois irmãos acusados
de molestar sexualmente crianças no interior de São
Paulo. Eles trabalhavam como palhaços e teriam abusado
de menores em alguns eventos dos quais participaram. A exibição
da história no Linha Direta influenciou para
que ambos tivessem sua prisão decretada. Ficaram
oito meses na cadeia.
Tios dos rapazes foram se queixar com Ratinho. O apresentador
colocou, então, um advogado na parada, que argumentou
na Justiça que a Globo havia promovido um linchamento
moral de seus clientes. Os suspeitos, que eram primários,
agora estão respondendo ao processo em liberdade.
A produção do programa de Marcelo Rezende
se jacta de ter ajudado a polícia a prender 63 bandidos
depois que suas imagens foram ao vídeo. Mesmo assim,
o pito do concorrente pegou mal e a Globo resolveu mudar
o estilo de sua atração. Segundo a emissora,
o Linha Direta nunca mais mostrará como criminosos
pessoas que não tenham ido a julgamento.