Edição 1 652 -7/6/2000

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Pito ético

Ratinho, quem diria, dá lição de moral à Globo

Ricardo Valladares


André Lobo
Rezende: mudança no Linha Direta


O programa Linha Direta, exibido nas noites de quinta-feira na Globo, completou um ano de existência em meio a uma crise. O noticioso policial comandado por Marcelo Rezende viveu um período de euforia nos primeiros tempos, chegando a dar picos de 42 pontos de audiência e esmagando o concorrente Ratinho. O programa ainda é líder no horário, mas agora sua média é bem mais baixa – 28 pontos. Para piorar as coisas, o Linha Direta levou um "pito ético" – dado, acredite se quiser, por Ratinho. Há cerca de nove meses, o programa global mostrou a imagem de dois irmãos acusados de molestar sexualmente crianças no interior de São Paulo. Eles trabalhavam como palhaços e teriam abusado de menores em alguns eventos dos quais participaram. A exibição da história no Linha Direta influenciou para que ambos tivessem sua prisão decretada. Ficaram oito meses na cadeia.

Tios dos rapazes foram se queixar com Ratinho. O apresentador colocou, então, um advogado na parada, que argumentou na Justiça que a Globo havia promovido um linchamento moral de seus clientes. Os suspeitos, que eram primários, agora estão respondendo ao processo em liberdade. A produção do programa de Marcelo Rezende se jacta de ter ajudado a polícia a prender 63 bandidos depois que suas imagens foram ao vídeo. Mesmo assim, o pito do concorrente pegou mal e a Globo resolveu mudar o estilo de sua atração. Segundo a emissora, o Linha Direta nunca mais mostrará como criminosos pessoas que não tenham ido a julgamento.