Edição 1 652 -7/6/2000

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Empresas

A queda do barão

Sob uma saraivada de críticas a seu estilo
e acuado pelos sócios, Steinbruch deixa a Vale

Consuelo Dieguez

 
Egberto Nogueira
Nelio Rodrigues
Steinbruch: arranhão na imagem de bem-sucedido

O empresário Benjamin Steinbruch tornou-se, nos últimos anos, o maior fenômeno empresarial brasileiro. Em menos de uma década, trocou os confortáveis bancos das Ferrari que costumava pilotar por uma das cadeiras mais cobiçadas do país: a de presidente do conselho da Vale do Rio Doce, a gigante brasileira do setor de mineração. O ex-playboy chegou ao Olimpo dos megaempresários em 1997, depois que o consórcio liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da qual é presidente, massacrou o grupo Votorantim, de Antônio Ermírio de Moraes, no leilão de privatização da Vale. Foi tão incensado por sua arrojada atuação que passou a ser chamado de barão do aço. Coube a ele, um jovem talhado nas máquinas têxteis do Grupo Vicunha, do qual é herdeiro e sócio, comandar todo o grosso do complexo de minério do país. Tão espetacular quanto sua ascensão foi sua queda. Na quarta-feira passada, depois de uma desgastante disputa com seus sócios na Vale, Steinbruch foi ejetado do cargo.

Durante meses ele resistiu a deixar a empresa. Acabou concordando em sair simplesmente porque ninguém mais o queria ali. A megalomania que o içou ao cargo foi a mesma que o pôs na lona. Steinbruch assumiu o conselho da Vale com postura de dono, não de acionista. A insatisfação dos sócios explodiu quando surgiu a suspeita de que o comandante da Vale estava fazendo negócios para beneficiar a CSN. A desconfiança paralisou os maiores projetos da mineradora. Foi aí que o governo decidiu intervir, por meio de uma série de articulações. Para evitar que Steinbruch se tornasse um entrave ao crescimento da Vale e, conseqüentemente, das exportações, ajudou a empurrá-lo porta afora.

Há duas semanas, os sócios exigiram abertamente que ele se desligasse. Seu lugar foi ocupado por Roger Agnelli, um executivo do Bradesco, banco que no passado sustentou o vôo do empresário, ao financiar a compra da Vale. Ao deixar a companhia, Steinbruch foi reduzido a uma dimensão muito inferior à que pretendia. A Vale está entre as maiores mineradoras do mundo, tem um valor de mercado de 12 bilhões e é a oitava maior empresa brasileira. A CSN é mais limitada. Tocá-la não é tarefa pequena. Mas, para o empresário, com ambições tão superlativas quanto sua vaidade, a capitulação teve sabor de derrota.