Empresas
A queda do barão
Sob uma saraivada de críticas a
seu estilo
e acuado pelos sócios, Steinbruch deixa a Vale
Consuelo Dieguez
Egberto Nogueira
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Nelio Rodrigues
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| Steinbruch: arranhão
na imagem de bem-sucedido |
O empresário Benjamin Steinbruch tornou-se,
nos últimos anos, o maior fenômeno empresarial
brasileiro. Em menos de uma década, trocou os confortáveis
bancos das Ferrari que costumava pilotar por uma das cadeiras
mais cobiçadas do país: a de presidente do
conselho da Vale do Rio Doce, a gigante brasileira do setor
de mineração. O ex-playboy chegou ao Olimpo
dos megaempresários em 1997, depois que o consórcio
liderado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN),
da qual é presidente, massacrou o grupo Votorantim,
de Antônio Ermírio de Moraes, no leilão
de privatização da Vale. Foi tão incensado
por sua arrojada atuação que passou a ser
chamado de barão do aço. Coube a ele, um jovem
talhado nas máquinas têxteis do Grupo Vicunha,
do qual é herdeiro e sócio, comandar todo
o grosso do complexo de minério do país. Tão
espetacular quanto sua ascensão foi sua queda. Na
quarta-feira passada, depois de uma desgastante disputa
com seus sócios na Vale, Steinbruch foi ejetado do
cargo.
Durante meses ele resistiu a deixar a empresa. Acabou
concordando em sair simplesmente porque ninguém mais
o queria ali. A megalomania que o içou ao cargo foi
a mesma que o pôs na lona. Steinbruch assumiu o conselho
da Vale com postura de dono, não de acionista. A
insatisfação dos sócios explodiu quando
surgiu a suspeita de que o comandante da Vale estava fazendo
negócios para beneficiar a CSN. A desconfiança
paralisou os maiores projetos da mineradora. Foi aí
que o governo decidiu intervir, por meio de uma série
de articulações. Para evitar que Steinbruch
se tornasse um entrave ao crescimento da Vale e, conseqüentemente,
das exportações, ajudou a empurrá-lo
porta afora.
Há duas semanas, os sócios exigiram abertamente
que ele se desligasse. Seu lugar foi ocupado por Roger Agnelli,
um executivo do Bradesco, banco que no passado sustentou
o vôo do empresário, ao financiar a compra
da Vale. Ao deixar a companhia, Steinbruch foi reduzido
a uma dimensão muito inferior à que pretendia.
A Vale está entre as maiores mineradoras do mundo,
tem um valor de mercado de 12 bilhões e é
a oitava maior empresa brasileira. A CSN é mais limitada.
Tocá-la não é tarefa pequena. Mas,
para o empresário, com ambições tão
superlativas quanto sua vaidade, a capitulação
teve sabor de derrota.