Barra pesada na Barra
Grampo, traição,
atentados e a briga da rainha
das quentinhas, Ariadne Coelho, com a ex-melhor
amiga Thelma vira caso de polícia
Silvio Ferraz
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Oscar Cabral

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Ariadne nega tudo: não grampeou,
não traiu, não armou. "Há milhões
rolando nisso", insinua
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Eles têm home theater, carro blindado e helicóptero.
Mas ninguém aperta o botão da máquina
e lava sua roupa suja em casa, o que seria bom e recomendável.
Insistem em estendê-la à vista do distinto
público nos apartamentaços e mansões
onde vivem, na Barra da Tijuca, balneário da Zona
Oeste do Rio de Janeiro, famoso por seu novo-riquismo. O
enredo faria autor mexicano morrer de inveja. Uma mistura
suculenta de atentados, amores clandestinos, corrupção,
telefones grampeados, dinheiro e muita intriga. Tudo isso
deságua na sala do bonachão delegado Napoleão
Salgado, o Hercule Poirot da 16ª DP. De um lado, a
protagonista é a bela milionária Ariadne,
casada com Jair Coelho, o rei das quentinhas, cujo maior
negócio é a distribuição de
12.000 marmitas por dia nos presídios
cariocas. De outro, Thelma Cabral, sua ex-fiel secretária
e amiga. No meio, Alexandre Martins, sedutor empresário
do jogador Ronaldinho. O que os move? Dinheiro? Paixão?
Caviar, champanhe e empresas Ariadne descarta
a paixão. Admite que "há milhões rolando
nisso". Insinua: "Fiquei na toca para proteger Jair. Nunca
fui a Nicéa do meu marido. Mas ele tem de ficar do
meu lado, me proteger, porque eu sou uma bomba atômica".
E completa: "Jair era escuridão, eu sou o sol da
vida dele". Ela suspeita que Thelma queria conquistar seu
marido. "Sou muito mais bonita, mas a história da
Lady Di mostra que nem sempre isso garante." Na cena 1 desse
drama, há três semanas, Ariadne relatou à
polícia que seu Mercedes preto foi alvo de um tiro
de grosso calibre. Para ela, claro atentado ou, no mínimo,
intimidação. A polícia mandou o carro
à perícia, mas até hoje o laudo não
apareceu. O delegado Napoleão coça a cabeça.
Acredita em armação e está ansioso
para carimbar um "arquive-se" por falta de provas. Mas aí
vem a cena 2: Ariadne é acusada, com base em fitas
fornecidas pela ex-amicíssima Thelma, de colocar
grampos nos telefones do casal Rubem e Maria Monteiro, promoters
de tudo o que é agito entre os novos-ricos. Segundo
os Monteiro, o motivo era vingança, por não
ter sido convidada para uma recepção.
Raimundo Valentim/AE
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Alexandre (na foto), o sedutor,
e Jair, o marido: no meio do tiroteio, os dois estão
na berlinda
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Na cena 3, que se desenvolveu na semana passada, vem o
capítulo dos amores, que naturalmente está
dando o que falar. Ariadne, ao depor na delegacia, deixa
escapar que, por causa de futricas de Thelma (sempre ela),
o marido, Jair, teria grampeado o telefone do galã
Alexandre Martins (depois voltou atrás e disse que
foi mal interpretada). Thelma intercepta o míssil
e rebate: diz que a loira da Barra está, sim, vivendo
tórrida paixão com Alexandre. Ariadne treplica:
"Infâmia. Quem se aproximou dele foi Thelma". A essa
altura, o empresário de Ronaldinho que está
na Europa e não atende a telefone tornou-se
irresistível. "Só estive com ele porque queria
trabalho para meu marido, artista plástico, no apartamento
de Ronaldinho. Muito natural", defende-se a ex-secretária.
E acelera o carrossel de acusações: "A paixão
era tanta que Ariadne trocou seu celular com o do meu marido
para poder falar a qualquer hora com Alexandre". Enquanto
acusa, brande cópias das contas telefônicas.
Na cena 4, na quinta-feira passada, a inclemente Thelma,
vestida de negro com botas malhadas, revela ao delegado
(que, a essa altura, compreensivelmente, perdeu o fio da
meada) que a ex-amiga se mostrava cada dia mais insatisfeita
com o casamento com Jair, mas queria sair dele "milionária".
Ariadne, que tem dois filhos com Jair, cobiçaria
apartamentos, carros, caviar e o champanhe demi-sec,
com seu nome no rótulo. Além de umas empresazinhas,
claro. A musa da Barra teria, ainda, procurado o advogado
Luiz Fernando Gevaerd, autor do livro Quando o Amor Acaba
na Justiça. Montou-se o plano Dunga, pelo qual
Ariadne centralizaria o comando das empresas de Jair, em
que aparece como sócia-presidente. Um tio de Ariadne,
contratado para o Dunga, propôs a Jair passar todas
as empresas para a alçada de sua sobrinha. Pretexto:
ele poderia, assim, colocar-se ao abrigo da chuva de acusações
que vem enfrentando sobre licitações sem concorrências.
Jair mandou-o às favas. O plano gorou.
Reginaldo Teixeira
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Thelma: de amiga inseparável
a acusadora implacável
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O estrepitoso rompimento entre Ariadne e Thelma ocorreu
exatamente no dia 7 de novembro passado. "Thelma levou meu
marido ao apartamento de Alexandre para provar meu suposto
adultério", conta a rainha. "Mostrou uma série
de fotografias minhas que roubara daqui de casa. Jair perguntou:
'Que amante dá fotografia?'. Não deu certo,
mas nossa família desabou", lamenta Ariadne. No domingo
último, nova perseguição a Ariadne.
Um carro emparelhou e o motorista sacou a arma: "Apertei
fundo o acelerador até o marginal sumir no retrovisor".
Ariadne está triste. Jair, aparentemente, continua
sereno, mas já avisou: "Se o divórcio for
inevitável, as crianças ficam comigo". A vizinhança,
ansiosa, torce as mãos pelo próximo capítulo.
ARIADNE ACUSA
"Essa mulher é uma psicopata. É
uma adoração que virou ódio."
"Eu nunca andei sem meu marido. Ela é
que vivia querendo se infiltrar."
"Thelma me disse que Jair lhe propôs
que os dois tivessem um caso."
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THELMA ACUSA
"Não vou dar nomes aos bois. Os
bois já estão se chifrando."
"Ariadne usava o celular do meu
marido para falar com Alexandre."
"A toda hora tocava o telefone com gente dizendo
que ia me matar."
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