Titular e reserva
A bolsa diminui de tamanho e as mulheres
se adaptam: carregam uma sacola extra
Bel Moherdaui
O que é preciso carregar quando se sai de casa?
A resposta, claro, varia de pessoa para pessoa. Mas uma
coisa é certa: o conceito de indispensável,
para as mulheres, é muito mais amplo do que para
os homens. Famosas pela quantidade de artigos que costumam
levar a tiracolo, elas agora estão quebrando a cabeça
para se adaptar à moda cruel que reduziu a bolsa
amiga a proporções mínimas. O resultado,
que pode ser conferido em corredores e elevadores de edifícios
comerciais, são mulheres bem vestidas, carregando
uma bolsinha fashion no ombro e, pendurado na mão,
um sacolão com tudo a que têm direito: agenda,
carregador de celular, remédios, fotos dos filhos,
lenço de papel, óculos escuros, pacote de
biscoito, lixa e esmalte, caderneta de telefones, documentos,
bloco de anotações, canetas (várias),
escova de cabelo, kit de maquiagem e garrafa de água.
O encolhimento das bolsas reedita uma idéia antiga,
dos tempos das castelãs medievais, que portavam no
cinto um saquinho para guardar chaves: a de que bolsa elegante
é bolsa pequena. Tanto que, à noite, nunca
se usou outra. A nova moda poderia servir para que as mulheres
discutissem sua relação com as bolsas. Por
que, afinal de contas, elas têm de carregar tanta
tralha? Estudiosos do comportamento feminino acreditam que
se trata de um traço de insegurança, que remonta
à época em que as mulheres entraram em massa
no mercado de trabalho. Tiradas do seu cotidiano doméstico,
elas levaram consigo apetrechos que, de alguma forma, as
ligavam ao seu antigo dia-a-dia de donas-de-casa.
A psicossociologia explica e os espertos faturam. Por
exemplo: a supersacola que complementa a bolsinha pode ser
de marca famosa, como Prada ou Louis Vuitton desde que,
é claro, você tenha uma conta bancária
de fazer inveja ao senador Luiz Estevão. Algumas
grifes, inclusive, já estão oferecendo conjuntinhos.
O mais comum é que ela seja de plástico mesmo,
daquelas de feira, ou até de papelão, produto
da compra do último par de sa`atos. O importante
é que tenha tamanho suficiente para caber tudo e
resistência para agüentar o tranco. Na maioria
dos casos, o sacolão só é acionado
no caminho do carro para o escritório. Uma vez na
mesa de trabalho, ele fica escondido num canto e a bolsinha
chique ganha exclusividade. É com ela que as mulheres
saem para um almoço rápido ou para um passeio.
Bom para a saúde Quem usa conforma-se,
mas sente saudade das bolsas grandonas que a moda permitia
e incentivava até dois anos atrás. A felicidade
acabou quando a italiana Fendi, que andava meio caída,
reconquistou seu lugar ao sol com um único produto:
a minúscula bolsa "baguette", compridinha e de alça
curta. Em seguida, a mesma marca lançou a "croissant",
mais arredondada, mas com idênticas proporções.
Fazendo jus ao nome, ambas venderam como pão quente,
foram copiadas mundo afora e empurraram as bolsonas para
o fundo do armário, onde permanecem até hoje.
Se há um lado bom nisso? Os médicos dizem
que sim. "Dividir o peso entre duas bolsas é melhor
para a coluna", afirma a ortopedista Cibele Réssio,
da Universidade Federal de São Paulo. Como se alguma
mulher fosse ligar para tal detalhe.
André Rolim
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1. Quem sai com essa...
Conteúdo: chaves, batom, cartão
de crédito, celular, documentos
2. ...não vive sem
essa
Conteúdo: agenda,
óculos escuros, carregador de celular, chiclete,
aspirina, lenço de papel,
garrafa de água, absorvente, carteira, documentos
e papéis do trabalho, perfume, escova de cabelo,
kit de maquiagem, escova e
pasta de dentes
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