Edição 1 652 -7/6/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Soldado gay morto por colegas tinha namorado transexual
Livro de fotos mostra a saga do povo da Amazônia
Redesenhado, o velho patinete está de volta
Vôlei de praia brasileiro pode bater recorde em Sydney
O Gol 1000 turbinado
Os hotéis pós-modernos chegam ao Brasil
Brasileiras pintam cabelos de loiro para vencer na vida
Prêmio para solução de enigmas da ciência dos números
Países desenvolvidos estão entulhados de PCs velhos
Bolhas do Sol podem ajudar a entender o clima na Terra
Multinacionais reservam cotas para minorias
Bolsas diminuem e as mulheres adotam uma sacola extra
Estudo diz que dom João VI foi envenenado
Escândalo de grampo e traição entre emergentes cariocas
A criminalidade apavora a classe média

Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Entulho digital

Os países que pegaram a primeira onda da
informática agora estão entupidos de PCs velhos

Houve um tempo em que os catastrofistas previam que o mundo acabaria submerso em lixo plástico. Bem, a indústria passou a fabricar plástico biodegradável e, hoje, ninguém mais acredita na profecia desastrosa. Mas a tecnologia acabou criando outro problema da mesma natureza: os computadores pessoais que se tornam obsoletos não têm outro destino senão a lata de lixo. Monitores de PC, teclados, disquetes e demais componentes eletrônicos estão entupindo os depósitos de entulhos nos países que pegaram a primeira onda digital. Nos Estados Unidos, 33 milhões de máquinas vão cair na obsolescência até o final do ano. Delas, seis em cada dez serão simplesmente descartadas. No Brasil, só as empresas nacionais desativarão 850.000 PCs nos próximos dois anos. São computadores hoje considerados velhos demais, como os modelos 386 e 486. Alguns são tão jurássicos que não podem ser reciclados. O velho PC cedo ou tarde acabará na lixeira.

O problema começa aí. Muitos dos componentes são feitos de materiais tóxicos. Os raios de tubos catódicos de vários tipos de monitores possuem altos níveis de chumbo. Esse produto pode contaminar as águas fluviais dos depósitos de lixo. Os circuitos internos de uma placa de PC contêm metais pesados como cromo, cádmio e mercúrio. Quando incinerados, são nocivos à saúde. Não existe no Brasil uma legislação específica sobre o destino do lixo tecnológico. Pela mesma razão, no entanto, uma recente determinação do Conselho Nacional do Meio Ambiente proíbe que sejam jogadas no lixo doméstico as baterias de celulares. Seria bom que a discussão sobre o que fazer com as montanhas de PCs obsoletos entrasse em pauta. O mercado nacional não pára de crescer. No ano passado, mais de 500.000 PCs chegaram aos lares brasileiros. Em 2000, esse número deve dobrar. Cada PC novo pode aposentar um velho.

Os campeões em números de computadores descartados estudam a questão de perto. Países como Estados Unidos, Japão e Alemanha já se preocupam com o assunto há mais tempo. Na Europa, discute-se a criação de uma lei que obrigue os fabricantes a recolher toda máquina velha fora de uso. O Estado de Massachusetts foi pioneiro ao proibir que os monitores de PCs sejam jogados no lixo ou incinerados. Uma das soluções parciais tem sido a reciclagem das "carroças" com o objetivo de exportá-las. A americana Vermont Retroworks é uma dessas empresas especializadas: desmonta os computadores velhos e vende os componentes reaproveitáveis, entre eles o mouse, o modem e as placas de som. Nos depósitos da Retroworks, estão estocadas quase 20 toneladas de PCs. Para alguns países, como a Romênia, que só agora começam a entrar na era digital, essas velharias são artefatos modernos.