Entulho digital
Os países que pegaram a primeira
onda da
informática agora estão entupidos de PCs velhos
Houve um tempo em que os catastrofistas previam que o mundo
acabaria submerso em lixo plástico. Bem, a indústria
passou a fabricar plástico biodegradável e,
hoje, ninguém mais acredita na profecia desastrosa.
Mas a tecnologia acabou criando outro problema da mesma
natureza: os computadores pessoais que se tornam obsoletos
não têm outro destino senão a lata de
lixo. Monitores de PC, teclados, disquetes e demais componentes
eletrônicos estão entupindo os depósitos
de entulhos nos países que pegaram a primeira onda
digital. Nos Estados Unidos, 33 milhões de máquinas
vão cair na obsolescência até o final
do ano. Delas, seis em cada dez serão simplesmente
descartadas. No Brasil, só as empresas nacionais
desativarão 850.000 PCs
nos próximos dois anos. São computadores hoje
considerados velhos demais, como os modelos 386 e 486. Alguns
são tão jurássicos que não podem
ser reciclados. O velho PC cedo ou tarde acabará
na lixeira.
O problema começa aí. Muitos dos componentes
são feitos de materiais tóxicos. Os raios
de tubos catódicos de vários tipos de monitores
possuem altos níveis de chumbo. Esse produto pode
contaminar as águas fluviais dos depósitos
de lixo. Os circuitos internos de uma placa de PC contêm
metais pesados como cromo, cádmio e mercúrio.
Quando incinerados, são nocivos à saúde.
Não existe no Brasil uma legislação
específica sobre o destino do lixo tecnológico.
Pela mesma razão, no entanto, uma recente determinação
do Conselho Nacional do Meio Ambiente proíbe que
sejam jogadas no lixo doméstico as baterias de celulares.
Seria bom que a discussão sobre o que fazer com as
montanhas de PCs obsoletos entrasse em pauta. O mercado
nacional não pára de crescer. No ano passado,
mais de 500.000 PCs chegaram
aos lares brasileiros. Em 2000, esse número deve
dobrar. Cada PC novo pode aposentar um velho.
Os campeões em números de computadores descartados
estudam a questão de perto. Países como Estados
Unidos, Japão e Alemanha já se preocupam com
o assunto há mais tempo. Na Europa, discute-se a
criação de uma lei que obrigue os fabricantes
a recolher toda máquina velha fora de uso. O Estado
de Massachusetts foi pioneiro ao proibir que os monitores
de PCs sejam jogados no lixo ou incinerados. Uma das soluções
parciais tem sido a reciclagem das "carroças" com
o objetivo de exportá-las. A americana Vermont Retroworks
é uma dessas empresas especializadas: desmonta os
computadores velhos e vende os componentes reaproveitáveis,
entre eles o mouse, o modem e as placas de som. Nos depósitos
da Retroworks, estão estocadas quase 20 toneladas
de PCs. Para alguns países, como a Romênia,
que só agora começam a entrar na era digital,
essas velharias são artefatos modernos.