Questão de estilo
Chegam ao Brasil os hotéis pós-modernos,
que combinam design e preços moderados
Alice Granato
Claudio Rossi
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Divulgação
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| O mesão no bar
do Normandie: inspirado no balcão do chique Mondrian
americano (à dir.) |
A fórmula foi inventada por um marqueteiro espertíssimo,
o americano Ian Schrager. Ex-sócio da famosa discoteca
nova-iorquina Studio 54 nos anos 70, ele mudou o conceito
de hospedagem com uma série de hotéis charmosos
nos Estados Unidos e na Inglaterra. O que ele oferece são
projetos arrojadíssimos e uma decoração
caprichada nos mínimos detalhes, nos quais o hóspede
se sente num cenário de Hollywood as celebridades
do rock e do cinema adoram, e a ocupação média
é de 90% em qualquer época do ano. O visual
mirabolante é assinado pelo francês Philippe
Starck, o designer mais badalado do planeta. Os brasileiros
antenados com as últimas tendências da moda
e da arquitetura não precisam mais pegar no passaporte
para conhecer o estilo Starck. Ele está presente
em dois hotéis inaugurados recentemente em São
Paulo, o Normandie e o Pergamon. O designer francês
serviu apenas de inspiração, evidentemente.
As versões brasileiras tentam oferecer a mesma "atitude"
que faz o sucesso dos nova-iorquinos Paramount e Morgans.
Os estabelecimentos recebem a chancela da associação
internacional de hotéis de design, que zela pela
fidelidade ao estilo.
Claudio Rossi
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| Hotel Pergamon: 10 milhões
de reais e biblioteca no restaurante |
Os hotéis de design são uma categoria conhecida
internacionalmente pelo apelido de "chic and cheap", ou
seja, chique e barato. Mesmo nos mais requintados, projetados
por Starck, as diárias estão em torno de 200
dólares. Nos brasileiros, paga-se em torno de 150
reais, com direito a café da manhã. O segredo
está no cuidado com os detalhes. No Pergamon, próximo
ao centro financeiro da capital paulista, todos os móveis
e objetos foram desenhados por uma única arquiteta,
a pernambucana Janete Costa, o que deu unidade visual ao
ambiente. Os uniformes dos funcionários foram encomendados
à consultora de moda Gloria Kalil, que os deixou
chiques como roupas de grife. O restaurante inclui uma pequena
biblioteca, onde se come entre capas emolduradas dos primeiros
livros de Érico Veríssimo. A decoração
custou 10 milhões de reais. Valeu o investimento,
pois conseguiu atrair hóspedes acostumados a freqüentar
os originais no Primeiro Mundo. Lá já se hospedaram
a modelo Gisele Bündchen, que vive em Nova York, o
estilista Ocimar Versolato e o fotógrafo Sebastião
Salgado, ambos residentes em Paris. A ocupação
média é de 60%, um índice bom para
os padrões brasileiros. No Normandie, o hóspede
sai da balbúrdia da Avenida Ipiranga, no congestionadíssimo
centro de São Paulo, para cair em um vasto hall,
totalmente branco. "Queríamos um ambiente limpo,
um contraponto à poluição visual da
rua", diz o dono do hotel, Fabio Ionescu.
Divulgação Jantti, Ortiz
& Ortiz
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| Design Suites, em Buenos Aires:
sala de estar em torno da piscina e ocupação
de 75% |
O item mais curioso do Normandie pode ser observado no bar
instalado no fundo do lobby. Os visitantes acomodam-se numa
espécie de mesa comunitária com cadeiras de
espaldar alto e rodinhas. O insólito mesão
foi inspirado no balcão criado por Starck para o
bar do Mondrian, o hotel californiano de Schrager. "É
uma solução para integrar as pessoas", explica
Ionescu, que gastou 6 milhões de reais para reformar
o velho prédio do Normandie. Ambos os hotéis
paulistanos oferecem aos hóspedes assessoria na escolha
de programas culturais, exposições de arte,
restaurantes da moda, bares e casas noturnas. "A internet
e a nova economia criaram uma geração de jovens
profissionais que buscam acomodações mais
modernas", teoriza o arquiteto Sig Bergamin. "As pessoas
querem hotéis que traduzam seu estilo de vida e fujam
do padrão impessoal das redes internacionais." Ele
está decorando um flat com o mesmo conceito.
Os hotéis de design brasileiros não estão
sozinhos na América do Sul. Há dois anos,
empresários argentinos começaram a perceber
o potencial desse tipo de hospedagem. Em Buenos Aires, o
Design Suites, pioneiro nessa categoria na Argentina, conseguiu
cravar uma ocupação média de 75% desde
que foi inaugurado, no ano passado. Foram necessários
4 milhões de dólares para erguer o prédio
de dez andares e apenas quarenta apartamentos, todos enfeitados
com fotos, quadros e objetos de design. Uma atração
é a espetacular piscina coberta, rodeada de sofás,
mesas e cadeiras cromadas. No Chile, há um recém-inaugurado
no Deserto de Atacama e um projeto em Santiago.
Com reportagem de
Raul Juste Lores,
de Buenos Aires