Edição 1 652 -7/6/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Soldado gay morto por colegas tinha namorado transexual
Livro de fotos mostra a saga do povo da Amazônia
Redesenhado, o velho patinete está de volta
Vôlei de praia brasileiro pode bater recorde em Sydney
O Gol 1000 turbinado
Os hotéis pós-modernos chegam ao Brasil
Brasileiras pintam cabelos de loiro para vencer na vida
Prêmio para solução de enigmas da ciência dos números
Países desenvolvidos estão entulhados de PCs velhos
Bolhas do Sol podem ajudar a entender o clima na Terra
Multinacionais reservam cotas para minorias
Bolsas diminuem e as mulheres adotam uma sacola extra
Estudo diz que dom João VI foi envenenado
Escândalo de grampo e traição entre emergentes cariocas
A criminalidade apavora a classe média

Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Ouro na areia

Com domínio total do Circuito Mundial,
o vôlei de praia brasileiro pode bater
o recorde de medalhas em Sydney

Sérgio Ruiz Luz

 
Fotos Divulgação
Shelda e Adriana Behar: favoritas do torneio feminino

A natação e o iatismo detêm o recorde de pódios brasileiros numa edição de Olimpíadas. Cada uma dessas modalidades conquistou três medalhas em 1996, na cidade de Atlanta. Tal marca pode ser superada agora nos Jogos de Sydney, em setembro, pelo vôlei de praia. O Brasil vai levar à Austrália duas duplas masculinas e duas femininas, todas com ótimas chances de medalha. Em nenhum outro esporte, inclui-se aí o futebol, a hegemonia dos atletas nacionais é tão grande. Um bom exemplo desse domínio ocorreu no domingo 28 numa das etapas do Circuito Mundial, em Macau, na China. Os três primeiros lugares da competição foram ocupados por brasileiros. A dupla campeã do torneio, formada por Zé Marco e Ricardo, é forte concorrente a uma das duas vagas masculinas a que o Brasil tem direito em Sydney. A outra delas já pertence a Emanuel e Loiola, que são os grandes favoritos para a conquista da medalha de ouro. Entre as mulheres a situação é parecida. A dupla Shelda e Adriana Behar é tricampeã mundial e está garantida em Sydney, na condição de favorita disparada. Na segunda posição do ranking internacional encontra-se o time formado por Sandra Pires e Adriana Samuel. Com a vaga praticamente assegurada, elas precisam somar pontos apenas para não ser ultrapassadas pela terceira dupla brasileira do ranking mundial, Jacqueline Silva e Adriana Bento.


Pará e Guilherme: na briga por uma das vagas brasileiras nas Olimpíadas

"A conquista de quatro medalhas em Sydney pelo vôlei de praia não é um sonho, mas uma possibilidade bastante realista", afirma Fernando Tovar, coordenador do esporte na Confederação Brasileira de Vôlei. Nos Jogos de 1996, em Atlanta, a modalidade já ganhou duas medalhas para o país. Jacqueline Silva e Sandra Pires levaram o ouro, derrotando Mônica Rodrigues e Adriana Samuel, que ficaram com a prata. Elas foram as primeiras brasileiras a conquistar medalhas na história das Olimpíadas. Os homens ficaram pelo meio do caminho. "Pesou a falta de experiência e a responsabilidade pelo favoritismo", afirma Emanuel Rego, 27 anos. Depois do fracasso nos Jogos de Atlanta, ele trocou de parceiro e formou ao lado do capixaba José Geraldo Loiola, 30 anos, a dupla-sensação do momento no vôlei de praia masculino. No último ano, eles venceram sete das treze etapas que disputaram do Circuito Mundial. A outra vaga brasileira para Sydney deve ser definida na disputa das duplas Zé Marco e Ricardo, atuais líderes do ranking internacional, e Guilherme e Pará, que ocupam a quarta posição na tabela.


Sandra e Adriana Samuel: segundo lugar no ranking internacional

Com apenas 2.500 atletas cadastrados na confederação, o vôlei de praia brasileiro alcançou sucesso internacional porque a maioria dos jogadores atuou na quadra antes de migrar para a areia. "Eles levam para a praia o estilo da escola brasileira de vôlei, que surpreende os adversários com suas variações de ataque", afirma Fernando Tovar. A não ser por raras exceções, como Jacqueline, que foi levantadora titular da seleção brasileira na década de 80, os atletas que se destacam na areia tiveram passagens obscuras pelas quadras. O craque Emanuel, por exemplo, foi um atacante apagado da liga municipal de Curitiba no começo dos anos 90. Com 1,90 metro de altura, era considerado baixo para a função. Transferiu-se para a praia e virou um dos maiores jogadores do mundo.


Loiola e Emanuel: técnico americano para brilhar na Austrália

A boa estrutura do esporte no país também contribuiu para o bom desempenho de brasileiros e brasileiras nessa praia. A liga nacional, disputada desde 1990, sempre contou com uma organização profissional. As principais competições são transmitidas pela TV e o Banco do Brasil, principal patrocinador do campeonato, injeta mais de 5 milhões de reais no esporte a cada temporada. Com isso, as arenas montadas nas praias são equipadas com telões para a torcida e as duplas dispõem de recursos para caprichar na preparação. As campeãs Shelda e Adriana Behar, por exemplo, destacam-se não apenas pelo talento. Elas possuem um séquito com dez assessores que as acompanham na carreira. O time tem técnico, preparador físico, médico, nutricionista e até um professor de ioga para melhorar o grau de concentração das atletas.