Ouro na areia
Com domínio total do Circuito
Mundial,
o vôlei de praia brasileiro pode bater
o recorde de medalhas em Sydney
Sérgio Ruiz Luz
Fotos Divulgação
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| Shelda
e Adriana
Behar: favoritas
do torneio feminino
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A natação e o iatismo detêm o recorde
de pódios brasileiros numa edição de
Olimpíadas. Cada uma dessas modalidades conquistou
três medalhas em 1996, na cidade de Atlanta. Tal marca
pode ser superada agora nos Jogos de Sydney, em setembro,
pelo vôlei de praia. O Brasil vai levar à Austrália
duas duplas masculinas e duas femininas, todas com ótimas
chances de medalha. Em nenhum outro esporte, inclui-se aí
o futebol, a hegemonia dos atletas nacionais é tão
grande. Um bom exemplo desse domínio ocorreu no domingo
28 numa das etapas do Circuito Mundial, em Macau, na China.
Os três primeiros lugares da competição
foram ocupados por brasileiros. A dupla campeã do
torneio, formada por Zé Marco e Ricardo, é
forte concorrente a uma das duas vagas masculinas a que
o Brasil tem direito em Sydney. A outra delas já
pertence a Emanuel e Loiola, que são os grandes favoritos
para a conquista da medalha de ouro. Entre as mulheres a
situação é parecida. A dupla Shelda
e Adriana Behar é tricampeã mundial e está
garantida em Sydney, na condição de favorita
disparada. Na segunda posição do ranking internacional
encontra-se o time formado por Sandra Pires e Adriana Samuel.
Com a vaga praticamente assegurada, elas precisam somar
pontos apenas para não ser ultrapassadas pela terceira
dupla brasileira do ranking mundial, Jacqueline Silva e
Adriana Bento.
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| Pará
e Guilherme: na
briga por uma das vagas
brasileiras nas
Olimpíadas |
"A conquista de quatro medalhas em Sydney pelo vôlei
de praia não é um sonho, mas uma possibilidade
bastante realista", afirma Fernando Tovar, coordenador do
esporte na Confederação Brasileira de Vôlei.
Nos Jogos de 1996, em Atlanta, a modalidade já ganhou
duas medalhas para o país. Jacqueline Silva e Sandra
Pires levaram o ouro, derrotando Mônica Rodrigues
e Adriana Samuel, que ficaram com a prata. Elas foram as
primeiras brasileiras a conquistar medalhas na história
das Olimpíadas. Os homens ficaram pelo meio do caminho.
"Pesou a falta de experiência e a responsabilidade
pelo favoritismo", afirma Emanuel Rego, 27 anos. Depois
do fracasso nos Jogos de Atlanta, ele trocou de parceiro
e formou ao lado do capixaba José Geraldo Loiola,
30 anos, a dupla-sensação do momento no vôlei
de praia masculino. No último ano, eles venceram
sete das treze etapas que disputaram do Circuito Mundial.
A outra vaga brasileira para Sydney deve ser definida na
disputa das duplas Zé Marco e Ricardo, atuais líderes
do ranking internacional, e Guilherme e Pará, que
ocupam a quarta posição na tabela.
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| Sandra
e Adriana
Samuel:
segundo lugar
no ranking internacional
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Com apenas 2.500 atletas cadastrados
na confederação, o vôlei de praia brasileiro
alcançou sucesso internacional porque a maioria dos
jogadores atuou na quadra antes de migrar para a areia.
"Eles levam para a praia o estilo da escola brasileira de
vôlei, que surpreende os adversários com suas
variações de ataque", afirma Fernando Tovar.
A não ser por raras exceções, como
Jacqueline, que foi levantadora titular da seleção
brasileira na década de 80, os atletas que se destacam
na areia tiveram passagens obscuras pelas quadras. O craque
Emanuel, por exemplo, foi um atacante apagado da liga municipal
de Curitiba no começo dos anos 90. Com 1,90 metro
de altura, era considerado baixo para a função.
Transferiu-se para a praia e virou um dos maiores jogadores
do mundo.
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| Loiola
e Emanuel:
técnico
americano para
brilhar na Austrália
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A boa estrutura do esporte no país também
contribuiu para o bom desempenho de brasileiros e brasileiras
nessa praia. A liga nacional, disputada desde 1990, sempre
contou com uma organização profissional. As
principais competições são transmitidas
pela TV e o Banco do Brasil, principal patrocinador do campeonato,
injeta mais de 5 milhões de reais no esporte a cada
temporada. Com isso, as arenas montadas nas praias são
equipadas com telões para a torcida e as duplas dispõem
de recursos para caprichar na preparação.
As campeãs Shelda e Adriana Behar, por exemplo, destacam-se
não apenas pelo talento. Elas possuem um séquito
com dez assessores que as acompanham na carreira. O time
tem técnico, preparador físico, médico,
nutricionista e até um professor de ioga para melhorar
o grau de concentração das atletas.