Uma novidade velhíssima
Com design mais moderno, os velhos
patinetes viram mania
Patinete é uma palavra e um objeto que só
quem tem mais de 40 anos conhece. Trata-se de um skate com
guidom, muito popular entre as crianças nas décadas
de 50 e 60. Foi a partir do patinete que uma turma de surfistas
californianos inventou o skate na década de 60. Bastou
tirar-lhe a haste. Pois o patinete está de volta
na Europa e nos Estados Unidos, não mais como brinquedo,
mas como um meio de transporte rápido e versátil
para enfrentar as dificuldades do trânsito nas grandes
cidades. Leves e dobráveis, eles servem maravilhosamente
para cobrir distâncias não muito longas com
maior rapidez e menor esforço do que se o usuário
tivesse de utilizar apenas as próprias pernas. Não
gastam combustível, não poluem o ar e não
ocupam lugar no estacionamento. Ao chegar ao destino, o
usuário tem apenas de dobrar a máquina e colocá-la
na pasta. Para empregá-lo com eficiência, é
preciso morar numa cidade plana e com asfalto e calçadas
lisos, característica difícil de encontrar
nas metrópoles brasileiras.
Quem resgatou a velha idéia foi o engenheiro alemão
Sieghart Straka, 46 anos, que no final de 1993 fez o oposto
dos surfistas americanos. Encaixou um guidom a um skate
adaptado e saiu pelas ruas de Berlim, escapando dos engarrafamentos
e da falta de estacionamento, problemas crônicos na
cidade. Straka ganhou a medalha de prata em uma convenção
de inventores em Nuremberg com seu patinete, em 1995. Vendeu
a idéia para uma grande rede americana de lojas de
material esportivo. As vendas na Europa começaram
a decolar no ano passado e os fabricantes calculam que tenham
sido vendidas mais de 80.000
unidades no continente. Nos Estados Unidos ocorre fenômeno
semelhante, e as lojas não param de encomendar mais
unidades às fábricas.
A popularização dos patinetes como meio
de transporte deve-se em boa parte a sua praticidade. Os
modelos à venda são dobráveis, possuem
freio traseiro e o guidom permite manobras seguras. São
ótimos quando se quer escapar do trânsito ou
para ir da estação de metrô ao trabalho.
Já estão virando parte da indumentária
dos engravatados nas ruas de Nova York, Londres e Berlim.
Estão sendo usados também por manobristas
de estacionamentos que vão buscar os carros dos clientes
montados na velhíssima novidade. Na Alemanha, enfermeiros
e médicos movimentam-se com agilidade pelos longos
corredores dos hospitais com patinetes. Além de práticos,
são baratos. Os modelos mais populares são
vendidos nos Estados Unidos pelo equivalente a 220 reais.
No Brasil, a venda dos novos patinetes ainda não
começou. Por aqui vigora o Walk Machine, patinete
motorizado que já fez mais barulho em verões
passados. Os Correios têm planos de usar essas máquinas
de patinar com motor na entrega de correspondência
e oitenta unidades estão em teste no interior de
São Paulo. As crianças de hoje só conhecem
os patinetes tradicionais de vê-los no circo, onde
são pilotados por animais acrobatas. O brinquedo
é citado também na música Infância
Careta, de Sandy e Junior, na qual os irmãos
cantam que o patinete de seu pai virou "peça de museu
no porão do vovô". Podem estar enganados.