Edição 1 652 -7/6/2000

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Uma novidade velhíssima

Com design mais moderno, os velhos
patinetes viram mania

Patinete é uma palavra e um objeto que só quem tem mais de 40 anos conhece. Trata-se de um skate com guidom, muito popular entre as crianças nas décadas de 50 e 60. Foi a partir do patinete que uma turma de surfistas californianos inventou o skate na década de 60. Bastou tirar-lhe a haste. Pois o patinete está de volta na Europa e nos Estados Unidos, não mais como brinquedo, mas como um meio de transporte rápido e versátil para enfrentar as dificuldades do trânsito nas grandes cidades. Leves e dobráveis, eles servem maravilhosamente para cobrir distâncias não muito longas com maior rapidez e menor esforço do que se o usuário tivesse de utilizar apenas as próprias pernas. Não gastam combustível, não poluem o ar e não ocupam lugar no estacionamento. Ao chegar ao destino, o usuário tem apenas de dobrar a máquina e colocá-la na pasta. Para empregá-lo com eficiência, é preciso morar numa cidade plana e com asfalto e calçadas lisos, característica difícil de encontrar nas metrópoles brasileiras.

Quem resgatou a velha idéia foi o engenheiro alemão Sieghart Straka, 46 anos, que no final de 1993 fez o oposto dos surfistas americanos. Encaixou um guidom a um skate adaptado e saiu pelas ruas de Berlim, escapando dos engarrafamentos e da falta de estacionamento, problemas crônicos na cidade. Straka ganhou a medalha de prata em uma convenção de inventores em Nuremberg com seu patinete, em 1995. Vendeu a idéia para uma grande rede americana de lojas de material esportivo. As vendas na Europa começaram a decolar no ano passado e os fabricantes calculam que tenham sido vendidas mais de 80.000 unidades no continente. Nos Estados Unidos ocorre fenômeno semelhante, e as lojas não param de encomendar mais unidades às fábricas.

A popularização dos patinetes como meio de transporte deve-se em boa parte a sua praticidade. Os modelos à venda são dobráveis, possuem freio traseiro e o guidom permite manobras seguras. São ótimos quando se quer escapar do trânsito ou para ir da estação de metrô ao trabalho. Já estão virando parte da indumentária dos engravatados nas ruas de Nova York, Londres e Berlim. Estão sendo usados também por manobristas de estacionamentos que vão buscar os carros dos clientes montados na velhíssima novidade. Na Alemanha, enfermeiros e médicos movimentam-se com agilidade pelos longos corredores dos hospitais com patinetes. Além de práticos, são baratos. Os modelos mais populares são vendidos nos Estados Unidos pelo equivalente a 220 reais.

No Brasil, a venda dos novos patinetes ainda não começou. Por aqui vigora o Walk Machine, patinete motorizado que já fez mais barulho em verões passados. Os Correios têm planos de usar essas máquinas de patinar com motor na entrega de correspondência e oitenta unidades estão em teste no interior de São Paulo. As crianças de hoje só conhecem os patinetes tradicionais de vê-los no circo, onde são pilotados por animais acrobatas. O brinquedo é citado também na música Infância Careta, de Sandy e Junior, na qual os irmãos cantam que o patinete de seu pai virou "peça de museu no porão do vovô". Podem estar enganados.