Japão
US$ 10 000 por filho
Empresa japonesa oferece recompensa para
que seus funcionários tenham mais bebês
Acostumados a fabricar Tamagotchi, aquele bichinho de estimação
virtual, e Power Rangers, bonequinhos intergalácticos,
os funcionários da japonesa Bandai têm agora
de produzir crianças. A empresa, terceira maior fabricante
de brinquedos do mundo, está oferecendo 10.000
dólares (cerca de 18.400
reais) para cada bebê gerado por seus empregados,
a partir do terceiro filho. O estímulo financeiro
à procriação é compreensível
no Japão. A população do país
está envelhecendo rapidamente e as conseqüências
econômicas desse fenômeno podem ser desastrosas.
O governo japonês divulgou na semana passada um relatório
dando números ao problema. As pessoas com mais de
65 anos já representam 16,7% da população
e, segundo projeções, em 2005 o porcentual
chegará a 19,6%, o maior do mundo. Em quinze anos,
um em cada quatro japoneses terá mais de 65 anos.
No Brasil apenas 6% dos habitantes estão nessa faixa
etária. Com tantos idosos, o país asiático
poderá experimentar, em poucos anos, o colapso de
seu sistema previdenciário. Os poucos cidadãos
com idade para trabalhar e contribuir para a previdência
não seriam suficientes para sustentar os aposentados.
Imigração Para que o sistema previdenciário
japonês continue viável, poderiam ser adotadas
duas medidas, segundo um estudo recente da Organização
das Nações Unidas: aumentar a idade mínima
de aposentadoria para 77 anos ou promover a imigração
em massa. As duas soluções, na verdade, são
impraticáveis. Aposentadoria aos 77 anos, quando
a expectativa de vida é de 79, é fora de propósito.
No que chamou de imigração de reposição,
a ONU estimou que, para cumprir a meta, seriam necessários
mais de 10 milhões de imigrantes por ano nos próximos
cinqüenta anos. Ao fim do período, haveria quatro
vezes mais imigrantes que japoneses no Japão. Diante
disso, o prêmio da fábrica de brinquedos faz
sentido. Elevar a taxa de natalidade é a solução.
O governo japonês também está em campanha
para aumentar o número de filhos por casal. A média
de fertilidade no país é de 1,4 filho por
mulher, abaixo da taxa de reposição. Atualmente,
cada casal recebe uma mesada de 50 dólares para cada
um dos dois primeiros filhos até que completem 3
anos de idade. Do terceiro filho em diante, a ajuda sobe
para 100 dólares. Uma nova lei vai estender o benefício
até que as crianças atinjam 6 anos, mas manterá
o programa acessível apenas às famílias
de renda mais baixa. As autoridades japonesas se apressam
em negar que o objetivo das medidas seja promover o nascimento
de bebês. Dizem que o Estado não pode interferir
na vida pessoal das mulheres e influenciar a decisão
de ter ou não um filho. Segundo o governo, a idéia
é aliviar os custos da criação de uma
criança. No fundo, dá tudo no mesmo.
Além das dificuldades financeiras, a exigente rotina
de trabalho no Japão também é um impedimento
para a maternidade. Em uma sociedade na qual os homens têm
pouca ou nenhuma participação nos afazeres
domésticos, a opção pela gravidez é
muito bem avaliada pelas mulheres. Os governantes também
pensaram nisso e querem estimular creches com horários
flexíveis e ajudar na redução da jornada
de trabalho dos pais. Enquanto o governo se preocupa em
resolver o problema demográfico do país, a
Bandai parece mais interessada em garantir seu mercado futuro.
Imagine só o prejuízo que seria fabricar brinquedos
em um país sem crianças.