Edição 1 652 -7/6/2000

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Ciganos: Perseguidos, eles tentam escapar da miséria
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Japão

US$ 10 000 por filho

Empresa japonesa oferece recompensa para
que seus funcionários tenham mais bebês

Acostumados a fabricar Tamagotchi, aquele bichinho de estimação virtual, e Power Rangers, bonequinhos intergalácticos, os funcionários da japonesa Bandai têm agora de produzir crianças. A empresa, terceira maior fabricante de brinquedos do mundo, está oferecendo 10.000 dólares (cerca de 18.400 reais) para cada bebê gerado por seus empregados, a partir do terceiro filho. O estímulo financeiro à procriação é compreensível no Japão. A população do país está envelhecendo rapidamente e as conseqüências econômicas desse fenômeno podem ser desastrosas. O governo japonês divulgou na semana passada um relatório dando números ao problema. As pessoas com mais de 65 anos já representam 16,7% da população e, segundo projeções, em 2005 o porcentual chegará a 19,6%, o maior do mundo. Em quinze anos, um em cada quatro japoneses terá mais de 65 anos. No Brasil apenas 6% dos habitantes estão nessa faixa etária. Com tantos idosos, o país asiático poderá experimentar, em poucos anos, o colapso de seu sistema previdenciário. Os poucos cidadãos com idade para trabalhar e contribuir para a previdência não seriam suficientes para sustentar os aposentados.

Imigração – Para que o sistema previdenciário japonês continue viável, poderiam ser adotadas duas medidas, segundo um estudo recente da Organização das Nações Unidas: aumentar a idade mínima de aposentadoria para 77 anos ou promover a imigração em massa. As duas soluções, na verdade, são impraticáveis. Aposentadoria aos 77 anos, quando a expectativa de vida é de 79, é fora de propósito. No que chamou de imigração de reposição, a ONU estimou que, para cumprir a meta, seriam necessários mais de 10 milhões de imigrantes por ano nos próximos cinqüenta anos. Ao fim do período, haveria quatro vezes mais imigrantes que japoneses no Japão. Diante disso, o prêmio da fábrica de brinquedos faz sentido. Elevar a taxa de natalidade é a solução. O governo japonês também está em campanha para aumentar o número de filhos por casal. A média de fertilidade no país é de 1,4 filho por mulher, abaixo da taxa de reposição. Atualmente, cada casal recebe uma mesada de 50 dólares para cada um dos dois primeiros filhos até que completem 3 anos de idade. Do terceiro filho em diante, a ajuda sobe para 100 dólares. Uma nova lei vai estender o benefício até que as crianças atinjam 6 anos, mas manterá o programa acessível apenas às famílias de renda mais baixa. As autoridades japonesas se apressam em negar que o objetivo das medidas seja promover o nascimento de bebês. Dizem que o Estado não pode interferir na vida pessoal das mulheres e influenciar a decisão de ter ou não um filho. Segundo o governo, a idéia é aliviar os custos da criação de uma criança. No fundo, dá tudo no mesmo.

Além das dificuldades financeiras, a exigente rotina de trabalho no Japão também é um impedimento para a maternidade. Em uma sociedade na qual os homens têm pouca ou nenhuma participação nos afazeres domésticos, a opção pela gravidez é muito bem avaliada pelas mulheres. Os governantes também pensaram nisso e querem estimular creches com horários flexíveis e ajudar na redução da jornada de trabalho dos pais. Enquanto o governo se preocupa em resolver o problema demográfico do país, a Bandai parece mais interessada em garantir seu mercado futuro. Imagine só o prejuízo que seria fabricar brinquedos em um país sem crianças.