Governo
Uma idéia infeliz
Dinheiro público para exposição
feita
por filho de FHC será investigado
Orlando Brito
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| Paulo Henrique Cardoso: "Não
tenho constrangimento porque não entrei na discussão
e na divisão da verba" |
Num campeonato de idéias desastradas produzidas
nas últimas semanas pelo Palácio do Planalto,
tira o primeiro lugar a de dar dinheiro público ao
filho do presidente, Paulo Henrique Cardoso, para montar
o pavilhão brasileiro na Expo 2000 na Alemanha. O
pavilhão se espalha por 3.000
metros quadrados numa exposição na cidade
de Hannover que espera atrair 45 milhões de visitantes
até outubro. Ele foi oficialmente inaugurado por
FHC na quinta-feira passada. Pelos cálculos dos organizadores,
a área do Brasil será vista por 250.000
pessoas até o encerramento do evento. É uma
vitrine e tanto para o país, que precisa vender-se
melhor no exterior. Mais visível, porém, que
as obras de arte que visam celebrar "a criatividade brasileira"
na mais rica cidade da Alemanha está sendo a exposição
negativa que o governo já começa a atrair
em casa.
"Não tenho constrangimento porque não entrei
na discussão e na divisão da verba", disse
Paulo Henrique Cardoso. Não é essa a questão.
Oficialmente ele foi lembrado para o projeto por ser diretor
do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento
Sustentado, uma ONG criada há três anos. Não
fosse pela presença do filho do presidente, a discussão
sobre os gastos do Brasil na feira alemã provavelmente
nem existiria. O pavilhão brasileiro em Hannover
custou menos que o de países menores e mais pobres,
como Venezuela, Colômbia e México.
Na semana passada, porém, a Comissão de
Relações Exteriores da Câmara aprovou
por unanimidade um pedido de investigação
feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU). O tribunal
quer saber como Paulo Henrique Cardoso gastou os 14 milhões
de reais liberados pelo governo para a montagem da exposição.
A história chamou a atenção também
do Ministério Público federal, que decidiu
investigar o que já virou "o caso do pavilhão
de Hannover". Os procuradores querem saber por que PHC contratou
para organizar o evento a Art Plan Prima, empresa dirigida
pela filha e por um sobrinho do senador Jorge Bornhausen,
presidente do PFL, de Santa Catarina, partido aliado do
governo. "Estamos analisando os documentos. Enquanto isso,
os pagamentos foram suspensos", diz o procurador Luiz Francisco
Fernandes de Souza. "Incrível que não tenha
ocorrido ao presidente nem a assessores com ascendência
sobre ele a observância do princípio segundo
o qual família e administração pública
não se misturam", escreveu a colunista Dora Kramer
em sua coluna sobre política no Jornal do Brasil.
Tiro na mosca.