Edição 1 652 -7/6/2000

VEJA esta semana

Brasil
A caça aos corruptos
Reviravolta no caso da portuguesa presa com drogas
Mário Covas é agredido por manifestantes
Os aviões da FAB que não voam
As críticas ao pavilhão do Brasil em Hannover

Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Os mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Polícia

Pista tardia

Fita pode ser prova contra suspeita de tráfico libertada

Há cerca de um mês, a viúva portuguesa Iselinda de Miranda Santa Clara voltou para casa depois de emocionar o Brasil. Aos 75 anos, cabelo branco, óculos de lentes grossas e crucifixo no peito, ela foi acusada de traficar 21 quilos de cocaína. Mantida no presídio Nelson Hungria, no Rio de Janeiro, por dois meses, no início de maio foi absolvida por falta de provas. Como uma senhora acima de qualquer suspeita injustiçada, retornou a Lisboa prometendo processar as autoridades brasileiras. Na semana passada, porém, a mesma polícia acusada de encarcerar Iselinda sem motivos deixou vazar a informação de que a portuguesa pode não ser tão inocente quanto aparenta. A prova seria uma fita gravada por meio de uma escuta telefônica montada no hotel onde ela se hospedou antes de voar de volta para seu país. A polícia fluminense e a Justiça não revelaram o teor das conversas, mas representantes do Ministério Público garantem ter indícios para dar continuidade às investigações do envolvimento da viúva com o narcotráfico.

No dia 27 de fevereiro, ela foi presa no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim, no Rio. Num vôo com destino a Lisboa, a polícia encontrou uma mala com a droga. A bagagem estava em nome de Iselinda. Interrogada, alegou ter pedido a um casal para despachar a mala no check-in, já que sofre de artrose na perna e não podia ficar de pé por muito tempo. Não convenceu e foi parar no xadrez. "Isso tudo que está acontecendo é um absurdo", disse Iselinda a VEJA. "Vou processar as autoridades brasileiras pelos constrangimentos por que passei", esbravejou. O advogado de defesa Luiz Carlos Andrade já requereu a fita que a Justiça diz ter. "Ela sabia que o telefone do hotel estava grampeado", afirma. A Polícia Federal acionou a Interpol, a polícia internacional, para ficar de olho na viúva. O caso não é tão simples assim. Uma vez absolvida da acusação do transporte de 21 quilos de cocaína, Iselinda só poderia ser processada por um novo crime. Além disso, o acordo de extradição entre Brasil e Portugal exclui os nativos de cada país. Ou seja, ainda que fosse condenada aqui, a Justiça brasileira teria dificuldades em obter a extradição da viúva.

O caso de Iselinda é confuso. O advogado Andrade não conseguiu ainda ouvir a fita que incriminaria sua cliente. Mas é fato que, de uns tempos para cá, cresce o número de idosos contratados para carregar drogas. A idéia é que pessoas mais velhas teoricamente despertam menos a atenção. Só neste ano já foram registradas as prisões de Maria Teresa Gomes, 67 anos, detida no Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo, com 1,5 quilo de cocaína no fundo falso de uma mala, e do uruguaio Abel Ayspuro Duran, 82 anos, flagrado com 8 quilos do pó no saguão do Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim.