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Cinema
Sem
poesia
Um
retrato da mulher, mas
não da poeta Sylvia Plath

Carlos
Graieb
Divulgação
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| Gwyneth:
na pele de um ícone |
A americana
Sylvia Plath (1932-1963) foi uma poeta original e desafiadora. Seu
suicídio aos 30 anos fez com que se tornasse algo mais: um
ícone feminino e feminista. Para desgosto de sua família,
a condição de ícone originou uma indústria
de exploração biográfica. Seu produto mais
recente é Sylvia Paixão Além das
Palavras (Sylvia, Inglaterra, 2003), estrelado por
Gwyneth Paltrow, que estréia nesta sexta-feira no país.
O filme se concentra no casamento da autora com outro poeta talentoso,
o inglês Ted Hughes. Nas versões feministas da história,
Hughes é o vilão que enlouqueceu sua mulher. Sylvia
não avaliza essa tese. Mostra a infidelidade de Hughes
como uma terrível fonte de sofrimentos, mas deixa claro que
o desejo de morte da poeta precedia o casamento. O filme também
não é a dissecação grosseira da tragédia
da escritora o temor de que fosse levou a filha de Sylvia,
Frieda, a impedir que a produção citasse livremente
suas obras. Sylvia oferece uma visão nuançada
e respeitosa de seus personagens. O que o filme não compõe
é o retrato de uma poeta. Não se encontra um vislumbre
sequer da inteligência e da inspiração que teriam
dado origem a seus textos memoráveis. É uma falha
fatal, que tira do filme a razão de ser e o reduz à
narração triste e árida de um amor torturado.
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