Edição 1848 . 7 de abril de 2004

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Cinema
Sem poesia

Um retrato da mulher, mas
não da poeta Sylvia Plath


Carlos Graieb


Divulgação
Gwyneth: na pele de um ícone

A americana Sylvia Plath (1932-1963) foi uma poeta original e desafiadora. Seu suicídio aos 30 anos fez com que se tornasse algo mais: um ícone feminino – e feminista. Para desgosto de sua família, a condição de ícone originou uma indústria de exploração biográfica. Seu produto mais recente é Sylvia – Paixão Além das Palavras (Sylvia, Inglaterra, 2003), estrelado por Gwyneth Paltrow, que estréia nesta sexta-feira no país. O filme se concentra no casamento da autora com outro poeta talentoso, o inglês Ted Hughes. Nas versões feministas da história, Hughes é o vilão que enlouqueceu sua mulher. Sylvia não avaliza essa tese. Mostra a infidelidade de Hughes como uma terrível fonte de sofrimentos, mas deixa claro que o desejo de morte da poeta precedia o casamento. O filme também não é a dissecação grosseira da tragédia da escritora – o temor de que fosse levou a filha de Sylvia, Frieda, a impedir que a produção citasse livremente suas obras. Sylvia oferece uma visão nuançada e respeitosa de seus personagens. O que o filme não compõe é o retrato de uma poeta. Não se encontra um vislumbre sequer da inteligência e da inspiração que teriam dado origem a seus textos memoráveis. É uma falha fatal, que tira do filme a razão de ser e o reduz à narração triste e árida de um amor torturado.

 
 
 
 
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