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Odontologia
Risadas
no dentista
Sim,
isso é possível, graças ao uso do gás
hilariante nos tratamentos dentários

Giuliana
Bergamo
Claudio Rossi
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| Faccio,
no dentista: vai um gás aí? |
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Uma boa nova para quem treme só de pensar em sentar na cadeira
do dentista. Nos últimos quatro anos, aumentou em dez vezes
o número de odontologistas que recorrem ao gás hilariante
nos tratamentos. Feito à base de uma substância chamada
óxido nitroso, o gás serve para diminuir a ansiedade
e a tensão dos clientes mais medrosos. A procura por ele
tem sido tão grande que o Conselho Federal de Odontologia
decidiu normatizar o uso do gás hilariante no Brasil. Na
prática, isso significa que, além do estabelecimento
de regras sobre como e quando utilizá-lo, serão criados
cursos para habilitar os dentistas a empregar o gás em seus
consultórios. Os cerca de 1.000 profissionais que hoje recorrem
ao gás para tranqüilizar seus pacientes foram habilitados
fora do país, sobretudo nos Estados Unidos. Lá, a
prática é regulamentada desde a década de 50.
Na
semana passada, o estudante Leonardo Ferrari Faccio, de 23 anos,
experimentou pela primeira vez o gás hilariante. Ele foi
ao dentista para tratar uma cárie superficial. Tradicionalmente,
esse tipo de intervenção não exige o uso de
anestesia, mas causa um certo desconforto no paciente. O tratamento
de Faccio durou aproximadamente meia hora. Ao final, o estudante
estava impressionado. "Fiquei tão relaxado que parece não
ter passado mais do que dez minutos", diz ele. Ainda não
se decifrou por completo o mecanismo de ação do gás
(veja quadro),
mas é fato que ele diminui a tensão, altera a noção
de espaço e de tempo e aumenta a resistência à
dor, embora não substitua a anestesia. O gás hilariante
é contra-indicado para pacientes com problemas pulmonares
e desvio de septo nasal duas condições que
dificultam a inalação do gás.
Ao
sentar na cadeira do dentista, o paciente recebe uma máscara
sobre o nariz. Antes do início do tratamento, ele inala o
gás por quatro minutos. Ao longo desse tempo, o especialista
vai aumentando aos poucos a dose, enquanto pergunta ao paciente
se ele está mais calmo e se a sua sensibilidade à
dor diminuiu. Ao perceber que o paciente está sedado, o dentista
inicia o procedimento. Uma das grandes vantagens do gás hilariante
é que, ao contrário de outros sedativos, ao final
do tratamento, todas as sensações voltam ao normal.
A única complicação para o paciente é
conter o riso enquanto mantém a boca aberta.
O
uso da substância pelos dentistas data de 1844. O pioneiro
foi o americano Horace Wells. Até então, o gás
hilariante era utilizado principalmente em circos os artistas
o inalavam e o ofereciam à platéia. Durante uma apresentação,
Wells notou que um dos malabaristas conseguia se apresentar com
um sorriso estampado no rosto, apesar do corte profundo que tinha
numa das pernas. Ele associou a aparente ausência de dor ao
gás e resolveu experimentá-lo. Pediu que um de seus
assistentes lhe arrancasse um molar. Wells não sentiu dor
nenhuma. Mas seu final não teve nada de hilariante. Acusado
de charlatanismo, o americano se suicidou. Só muitos anos
depois foi reconhecido como um dos pioneiros da anestesia.
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